Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Até quando?

Pergunto-me, por vezes, até quando o Brasil vai agredir a inteligência de uns poucos que usam tal faculdade. Isso porque as discussões neste torrão, sobretudo por parte da mídia, são visivelmente manipuladas em favor da injustiça. Vejamos, então. Quando alguém designa um negro de “negão” comete um crime digno de repúdio social. O mesmo não ocorre, por exemplo, quando o mandatário máximo da nação, senhor Lula da Silva, credita a culpa pela atual crise mundial àquela “gente branca, loira e de olhos azuis”. Onde estão as vozes que tanto criticam o preconceito racial? O que se escuta é um ensurdecedor silêncio, nada mais. Contudo, ouviríamos barulho se os brancos de olhos azuis se metessem à besta em afirmar que a crise atingiu o Brasil em virtude da incapacidade do inculto que o dirige.



:: Escrito por: Camus às 00h02
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Com um livro ninguém está sozinho

O cansaço físico e psíquico dos últimos tempos tem sido implacável com as leituras habituais. Ler é, além de um verbo que adoro conjugar, um dos meus maiores deleites. Leio vários livros paralelamente como forma de satisfazer a minha sede por conhecimento. Se alguém perguntar, ao final da minha vida, o que fiz de bem, direi prontamente que li algumas míseras obras. E o que fiz de mal? Não li o quanto gostaria.

 

Contudo, digo-lhes, nem sempre foi assim. Lembro-me quando minha mãe levantava-me às cinco horas da manhã para estudar. Apesar de contar apenas sete anos, a matriarca, a quem odiava por isso, parecia ter pressa em me apresentar às leituras fundamentais. Cochilava sobre os livros e me assustava com as mãos maternas sacudindo o meu corpo franzino. Eu estudava e ela cuidava do resto, inclusive amarrar os meus cadarços para ir à escola às sete horas da manhã. Talvez por isso tenha demorado a aprender amarrá-los sozinho.

 

Com o passar do tempo comecei a acordar e a estudar por conta própria. O sono batia à porta, mas desenvolvi uma técnica que me veio à mente através dos deuses da leitura, a saber: mergulhar os pés na água morna. Foi assim que condenei o sono ao ostracismo.

 

Atualmente as pessoas me vêem com um livro na mão, o que as levam a me perguntar se gosto de ler. A resposta é óbvia, caso contrário eu gostaria meramente de carregar livros ou ainda os leria por imposição, o que é improvável diante da minha ululante satisfação em manuseá-los. O que posso fazer, indagam alguns, para tornar prazer esse fardo que é a leitura? Cada um, penso, pode encontrar um método próprio. Eu comecei lendo os pequenos livros por não ter, digo-lhes, fôlego para ler os catataus. Lia as bulas de remédio por serem sucintas e me servirem para saber a quanto andava a miopia. Também lia outdoors enquanto meu pai dirigia, já que não conversávamos muito um com o outro.

 

Sim, pensei em desistir várias vezes, mas insistia no que até então era uma tortura. Para chegar ao paraíso passei pelo purgatório. Trata-se de um preço irrisório quando se considera a grandeza do que pode se conquistar. Então, leia mesmo que por tortura. Transforme essa chateação num habito e logo se tornará um prazer.

 

Ninguém é obrigado a gostar de ler, mas penso que quem sabe deveria promover um bem a si próprio ao ler um livro. Falta-lhe tempo? Digo-lhe: sobra-lhe comodismo.

 

Enfim, quero agradecer a Gutenberg por ter descoberto as técnicas modernas de impressão, à minha mãe por ter me obrigado a ler e, por fim, aos deuses da leitura por terem me apresentado a técnica da água morna. Desejo que possamos ler cada vez mais. Diante de um livro, lembre-se, ninguém está sozinho. Ele fala, escuta, nos faz companhia e acompanha atentamente nossas encenações ao interpretá-lo. Como, então, sentir-se sozinho diante de Gregor Samsa, Lorde Henry e doutor Rieux, respectivamente personagens de Kafka, Wilde e Camus?



:: Escrito por: Camus às 10h07
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Um simples recado

Nos últimos dias somente uma notícia rendeu mais que o aborto a que foi submetida uma garota de nove anos, abusada pelo padrasto no interior de Pernambuco, a saber: o comportamento do arcebispo de Olinda e Recife d. José Cardoso Sobrinho diante do ocorrido. Bastou Sobrinho afirmar que os envolvidos no aborto da garota seriam excomungados para que fosse colocado no centro de um inferno midiático.

 

Indaga-se: o arcebispo agiu errado? De modo algum! Ele se limitou a expressar a posição da igreja, que se baseia no direito canônico. O aborto é um pecado, logo quem o comete é pecador e, por conseguinte, excomungado automaticamente, independentemente da vontade de qualquer arcebispo. Assim sendo, ao contrário do que disseram os meios de comunicação, o arcebispo não excomungo ninguém.

 

D. José Cardoso Sobrinho é uma autoridade da qual se espera fazer valer as normas existentes na instituição da qual faz parte. Muitos indagam o seguinte: "quem é a igreja para excomungar alguém"? Logo ela que praticou tantas barbaridades. Excomungar, caros leitores, significa expulsar, nada mais. Escolas e agremiações das mais variadas, por exemplo, também expulsam os que desobedecem as suas regras. Trata-se de um direito delas. Você não é obrigado a ficar, mas para ficar precisa se obrigar.

 

É interessantes ouvir muitos dos que se dizem contrários às normas do catolicismo reclamar das excomunhões quando deveriam ficar satisfeitos com o desmoronamento numérico do inimigo. Sou contrário há algumas posturas da igreja, mas muitos nada mais são que invejosos e alvoroçados por oportunidades para levantar bandeiras aberrantes que expressam a perversão dos valores, sustentáculos da civilização.

 

O recado é simples: você pode discordar da conduta da igreja e até ignorá-la, mas não pode achar que ela tem obrigatoriamente que ser compatível com a sua. Ah, somente para constar: estão discutindo sobre remédio e doença, mas esqueceram da paciente. Sim, ela não importa!



:: Escrito por: Camus às 20h23
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