
Senhor, que diferença há entre a casa e o lar?
Vês àquele pássaro a cortar o céu como uma flecha enfurecida?
Sim, o vejo perfeitamente!
Imagine-o numa gaiola...
Imaginei-o, senhor!
Pois bem, eis a casa dele!
E o lar, senhor?
O lar foi de onde você o tirou com a sua imaginação.
Então, diga-me senhor: se a casa é uma prisão, por que o prisioneiro canta, ao invés de cair em desilusão?
Talvez porque ele não saiba chorar, meu jovem!
Em cada passo noturno, um salto de luz; Em cada leve olhar, uma morada dos deuses; Entre paisagens escuras, límpidas lembranças; Ando quando os ponteiros estão inertes; Prisioneiro, invejo as folhas se lançarem em queda livre; A velha noite me lembra de esquecer as mágoas de um dia de infantilidades; Descubro que não é acelerando os passos que se alcança os calcanhares do futuro; Busco respostas, mas elas se afugentam em teus cabelos azuladamente negros; Encontro saídas no olhar cego dos guias, que guiam a inspiração de um ser improdutivo; Confuso, sou mastigado pela boca desdentada de um túnel; E assim, quando pareço encontrá-la, me perco na esquina das tuas pernas; Minha morosidade soprou tuas pegadas para debaixo do tapete do tempo; Mas na noite tudo acontece, inclusive você.