Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Acessos Juvenílicos:






A casa e o lar

Senhor, que diferença há entre a casa e o lar?

 

Vês àquele pássaro a cortar o céu como uma flecha enfurecida?

 

Sim, o vejo perfeitamente!

 

Imagine-o numa gaiola...

 

Imaginei-o, senhor!

 

Pois bem, eis a casa dele!

 

E o lar, senhor?

 

O lar foi de onde você o tirou com a sua imaginação.

 

Então, diga-me senhor: se a casa é uma prisão, por que o prisioneiro canta, ao invés de cair em desilusão?

 

Talvez porque ele não saiba chorar, meu jovem!



:: Escrito por: Camus às 13h57
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Quando você acontece...

Em cada passo noturno, um salto de luz; Em cada leve olhar, uma morada dos deuses; Entre paisagens escuras, límpidas lembranças; Ando quando os ponteiros estão inertes; Prisioneiro, invejo as folhas se lançarem em queda livre; A velha noite me lembra de esquecer as mágoas de um dia de infantilidades; Descubro que não é acelerando os passos que se alcança os calcanhares do futuro; Busco respostas, mas elas se afugentam em teus cabelos azuladamente negros; Encontro saídas no olhar cego dos guias, que guiam a inspiração de um ser improdutivo; Confuso, sou mastigado pela boca desdentada de um túnel; E assim, quando pareço encontrá-la, me perco na esquina das tuas pernas; Minha morosidade soprou tuas pegadas para debaixo do tapete do tempo; Mas na noite tudo acontece, inclusive você.



:: Escrito por: Camus às 12h25
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