
Não tenho tudo que preciso, mas procuro utilizar tudo que tenho: lápis, papel e uma reles imagem no céu; Não faço tudo o que gosto, mas me perco no gostar do que faço como correr em fuga do cansaço; Talvez não ame a vida como deveria, mas a amo sem dever, sem a imposição do ser; Quase sempre olho a lua, mas há tempos não a vejo em sua intimidade nua; Costumo presenciar o dia partir sem, no entanto, vê-lo regressar; Busco explicação num começo sem fim: em você sem mim; Sou marcado por idas, nunca voltas, perigo, nunca escoltas; Sou um pedaço contraditório: naus na terra e carros no mar, ventos alísios que não saem do lugar; Sinto falta de terminar uma poesia sem lançar à sarjeta o que escrevia, de fechar o livro sem esquecer o que lia, de concluir um sonho sem acordar, de lhe dizer o que sinto entre um gole e outro de vinho tinto, enfim, de falar sobre mim, sobre o que penso, sobre a leveza do denso; Sempre começo, mas nunca termino, sempre meço o infinito na passagem do rito; Perco a vontade de continuar e a continuidade do desejo, que sempre me abandona, me joga na lona; É hora de deixar, uma vez mais, tudo por fazer.
Nos países que cultivam forte apelo coletivista, a pobreza não somente se constitui numa bandeira de luta política, mas também no objeto predileto das análises de vários estudiosos. O resultado dessas reflexões é conhecido: o ódio à riqueza.
O equivocado ataque à riqueza deve-se ao seguinte veredicto: alguém é rico porque alguém é pobre, ou muitos são pobres porque poucos concentram a riqueza em suas mãos. Sendo assim, cabe à riqueza o ônus da pobreza. Se a riqueza é tão nefasta aos interesses dos povos, indaga-se: que tal um mundo totalmente paupérrimo? E agora, o que nos dizem os críticos da riqueza? É preciso conceber que o problema não é a riqueza, mas justamente a pobreza. É ela que impede as pessoas de desfrutarem das condições necessárias ao seu desenvolvimento.
A pobreza é o estado natural do ser humano, conforme se verifica ao longo da história da humanidade. Isso não impede o homem de superá-la. Trata-se, pois, de algo comum, enquanto que a riqueza é extraordinária. A riqueza, de modo geral, representa a ação, o progresso, o desenvolvimento, a produtividade, a divisão do trabalho, o empreendedorismo e, por fim, as permutas no mercado. A pobreza, por seu turno, representa o contrário, isto é, a inércia. Em suma, a pobreza não precisa do homem para ser criada, a riqueza sim.
Sim, há quem diga que o problema não é exatamente a riqueza, mas quem a detém, isto é, os ricos. O que fazer com eles? Desapropriá-los de suas posses, conforme propunha Marx com relação aos detentores das forças produtivas? Num país cujo Estado incita invasões às propriedades particulares, a idéia tem, apesar de retrógrada, vários e fervorosos adeptos.
Aos que atribuem aos ricos a responsabilidade pela pobreza de muitos, digo-lhes: a riqueza não é fixa, pode ser produzida e não somente expropriada. Distribuir a riqueza a quem nada fez para produzi-la não tem nada de justo, e mais: pune e desestimula os responsáveis pelo progresso, cerceando o desenvolvimento. Não se quer com isso advogar que somente os ricos contribuem para o progresso e nem muito menos que inexistam pessoas que realmente precisam de auxílio para se desenvolver. Assim, sob a desculpa de ajudar os miseráveis, através de políticas assistencialistas, os burocratas se nutrem cada vez mais. É um negócio rentável para os homens de Estado, nada mais. Afinal, conforme já foi dito: “O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”.
Estudar a pobreza é queimar neurônios à toa! Adam Smith sempre valorizou os seus, tanto é que a sua conhecida obra foi intitulada: Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. Enfim, a riqueza deveria ser vista como algo desejável e necessário ao combate à pobreza.
É assim que desde a mais tenra idade denomino a morte. Uma velha senhora e não uma jovem principiante. Caso contrário, como explicar sua vasta experiência e perfeição? A uma iniciante não seria atribuído o cruel ofício de ceifar vidas. Já a certeza incerta deve-se à certeza da morte e à incerteza do momento de sua ocorrência.
Após personalizá-la, indaga-se: o que é a morte? Pode ser tudo ou simplesmente nada, depende do enfoque a ser utilizado. Tradições filosóficas contemplam exaustivamente tal fenômeno. Há quem o trate como um reinício; Há quem o considere o fim. Do ponto de vista orgânico nada mais é que a falência dos órgãos vitais. No geral, as pessoas o temem e não o querem por perto. Cultivam verdadeira ojeriza ao que consideram um mal.
Todavia, a morte pode e deve servir de mola propulsora para a vida. Explico. Já foi dito que a partir do momento que nasce o ser começa a morrer. A morte seria o destino da vida. A vida, por seu turno, se resumiria a uma fuga constante da morte. A tendência à morte pode ser verificada quando se entrega a vida a própria sorte. Um corpo que, por exemplo, não se alimenta, perece. É preciso que reiteradamente se faça algo para evitar a morte. O que fazemos diariamente é adiar, através de algumas ações, a sua manifestação. E ao agirmos assim, adivinhem, vivemos.
Seria, pois, a morte uma espécie de inimiga íntima, que carregamos conosco desde a nossa gênese? Reparem que ao evitá-la nos mantemos vivos. Assim, a possibilidade de morte, na verdade, nos força à vida. Não fosse ela, sabe-se lá, nos acomodaríamos. A sua constante pressão exige que façamos algo, isto é, nos movimenta, nos direciona à vida.