
Suponha-se que “Pirulito”, adolescente que vive em ambiente pobre e violento, diante da contradição que há entre o que lhe disseram ser possível e o que de fato pode conseguir, empreenda atitudes ilegais como forma de realizar-se. Indaga-se: seria esse um motivo aceitável para que o “Pirulito”, por exemplo, tirasse uma vida? É nisso que as “mentes iluminadas” desse país querem nos fazer acreditar. É matando, roubando, estuprando, enfim, cometendo atos ilegais que o “Pirulito” irá desfazer a imensa “dívida social” que o coloca em situação injusta? Não haverá, pois, nada de errado em, por exemplo, matar, assaltar e estuprar, desde que assassinos, assaltantes e estupradores sejam vítimas das injustiças sociais?
O uso de uma situação de cunho sócio econômico como justificativa para atos ilegais é algo ridículo e agressivo à inteligência das gentes. Mas é justamente isso que o establishment e a intelligentzia tupiniquins afirmam. É como se injustiça se combatesse com injustiça.