
O último post provocou comentários da leitora Daise, a quem agradeço, bem como a todos os que com as suas naus por aqui aportam, por suas indispensáveis manifestações.
Visando evitar más interpretações a despeito do que expus, como houve no caso ora mencionado, seguem algumas considerações elucidativas.
Em nenhum momento, como parece sugerir os comentários, critiquei a diversidade de pensamento. Em verdade a incito constantemente, mesmo num torrão carente de idéias contrárias ao pensamento da intelligentzia. Aliás, a frase de Voltaire citada pela comentadora foi empregada neste juvenília reiteradas vezes;
Os comentários parecem extrair dos relativistas uma característica que lhes é inegavelmente comum, direcionando-a para aqueles que se manifestam contrários a eles: a imposição de posicionamentos. Criticar o posicionamento de alguém não significa cercear o seu direito de expressão. Sou contrário à ideologia, digamos, homossexualista, mas isso não significa que advogo a censura aos gays. O que não admito é transformar idéias estapafúrdias em leis sem uma discussão séria;
Estabelecer algum tipo de comparação entre valores universais e idéias primárias a respeito do formato da terra é um despropósito, certamente indigno de quem o escreveu. Falo de vida e liberdade, por exemplo, não das contrariedades sofridas pelas idéias de Colombo, Galileu e Copérnico;
Quem falou em valores unânimes socialmente aceitos? Refiro-me a valores imprescindíveis à manutenção da humanidade, o que não quer dizer que sejam acatáveis majoritariamente. A sua valia não se deve à quantidade de pessoas que o apóiam, mas às condições humanas indispensáveis que eles promovem. Os valores a que me refiro não são, por exemplo, estéticos – as mulheres tidas como verdadeiras epifanias na renascença hoje seriam consideradas exageradamente gordas. O estalão de beleza mudou, nada mais. Isso não abala a existência humana. Refiro-me, repito, a algo mais profundo como os valores indispensáveis à permanência da humanidade. Ao afirmar que a vida é um bem (ou um valor como queira) a ser preservado refiro-me a algo verdadeiro, certo? Isso deixará de ser verdade? Pode até ser, mas caso isso aconteça a humanidade estará eminentemente em risco. Eis a diferença entre o que é uma verdade cara à humanidade, independente de tempo, valores e circunstâncias e padrões ocasionais. Inserir a relatividade nessa discussão é admitir o contrário. Tal admissão é um suicídio. E para discutirmos se a verdade é ou não relativa precisamos respirar; carecemos de uma verdade que é a nossa vida. Veja que não há como comparar uma questão fundamental com uma idéia de época. Há vidas em outros planetas? Sim? Não? Se houver (aqui entra a questão fundamental) teremos o direito de destruí-las?
Também não tratei a diversidade como um crime contra a liberdade, conforme a comentadora equivocadamente assegurou. Por favor, sejamos justos, especialmente em épocas de vultosa injustiça. O que disse foi: “A imposição da diversidade é um crime contra a liberdade”. Há uma diferença brutal e passível de ser verificada, inclusive por um leitor desatento, tal qual é a sua evidência;
Deixo-vos, por fim, com um questionamento, qual seja: idéias ou valores contrários à permanência da vida e da liberdade, por exemplo, devem ser encorajados ou criticados?