Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Batalha íntima

Não mais sinto o que jamais senti; Insisto em enganar a todos, mas desisti de tentar enganar a mim; Não mais contarei as verdades que menti; Em alto e bom tom direi não, mesmo que a expectativa aguarde um sim; Vendi o que não tinha somente para agradar a silenciosa imposição da convencional linha; Comprei sem ter o que pagar, querendo apagar os rastros das faltas que tentei vender sem quererem comprar; Estupidamente dediquei-me a conquistar o que nunca desejei, ao passo que valorizei o que jamais me pus a buscar numa estrada supostamente minha; Sempre que tento melhorar o pior que há em mim, a inércia consome o melhor, tornando-me um peixe desprovido da capacidade de nadar; É chegada a hora de deixar de lutar contra todos e passar a enfrentar-me.



:: Escrito por: Camus às 12h49
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Depois do escrito abaixo, o que dizer minha Luz, o que dizer...? Parece haver outro(s) na mesma freqüência...

 

luz
(gessinger)

?onde estão teus olhos?
agora que estou bem na foto
agora que achei o foco
?onde estão teus olhos?
sem eles não existo
fico cego, invisível
queimo o filme, rasgo a foto

?onde estão teus olhos?
agora que domei a fera
agora que a dor já era
?onde estão teus olhos?
sem eles não existo
fico cego, invisível
só enxergo o silêncio

juntos para sempre
objeto e observador
física moderna, velhas canções de amor
?onde estão teus olhos?

?onde estão teus olhos?
longe deles nada existe...



:: Escrito por: Camus às 13h01
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Meu vício

O que ocorre com um viciado quando lhe é tirado a fonte de seu vício? Confesso que a escrita é, dentre outras coisas, um vício para mim. Um vício benéfico. Quando escrevo, ainda que mal, vivo bem. Nos dias que correm tenho enviado cada vez menos artigos aos jornais, onde há alguns anos divulgo o que penso. Preciso fugir dessa clínica de reabilitação e volver com meu vício. Há muito que escrever... As raras vezes em que tenho saciado o meu prazer, o tenho feito rapidamente, tão rápido que esqueço o teor que permeia o escrito.

 

A escrita aflora minha alma. Gosto de falar com os dedos. É, ao escrever, que verifico minhas faltas. A escrita é no fundo, um espelho. Quebro-o e me vejo em vários e diferentes pedaços. Sem a escrita sou um; com ela, vários.

 

Um dia, não muito distante, saltarei os muros e me libertarei. Afinal, onde me encontro as pontes não têm nomes e os muros não convêm. Neste dia voltarei a escrever com freqüência.

 

Pelo menos tenho mantido em segredo um outro vício: a leitura. Ironicamente, nunca li tanto; nunca escrevi tão pouco.

 

Abraços juvenílicos aos que por aqui aportarem.



:: Escrito por: Camus às 12h20
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