Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Acessos Juvenílicos:






Camus em três tomos

Tomo I

 

Após vaguear sem destino pelos infinitos túneis de minha galopante imaginação percebo-me, depois de um pequeno ataque de nervos, tentando mudar de emissora com o celular. Eis um acontecimento que tem se repetido sistematicamente em minha vida: revolto-me com algo que resultou em erro, mas depois descubro que na verdade o erro deve-se a ausência de uma mísera tentativa correta. Como atingir algo se não atiramos em sua direção? E o celular não estava na direção da TV? Sim, mas aquele que o segurava não. Entenderam a diferença?

 

Tomo II

 

Tenho passado muito tempo entregue à solidão. Não fosse à minha encantadora Luz a iluminar minha noite, o tempo de solidão seria integral. Já disse neste juvenília que adoro a solidão quando a busco e a odeio quando por ela sou buscado. Nesse caso tenho sido mais caça que caçador. Tenho aproveitado esse tempo sozinho para colocar em prática o que Sócrates chamou de conhecer a si mesmo. Viajo dando voltas em torno de mim? O resultado? Não sou quem imaginei! Foram três décadas de farsa! Quando fico sem música, conversas, barulhos e percussão imaginária sou qualquer um, menos aquele que as pessoas pensam que sou. Li que é no silêncio que encontramos Deus, digo-lhes que é na solidão que nos encontramos.  

 

Tomo III

 

Enfim, troco o celular pelo controle remoto e navego pelas notícias da TV. Aporto na TV Senado e me deparo com uma calorosa discussão acerca da redução da maioridade penal e, é claro, o show do senador Eduardo Suplicy. O que foi aquilo? Pobre São Paulo? Paupérrimo país! De todo modo, somente para constar, a redução foi aprovada na Comissão de Justiça do Senado. Penso que o criminoso tem de ser julgado de acordo com o crime, não com a idade, mas a redução é uma decisão importante.



:: Escrito por: Camus às 12h55
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Lulices

O repertório de tolices (que tal lulices?) do mandatário máximo da nação parece inesgotável e, de certo, torna este escriba um chato, tamanha a sua insistência em comentá-las. As pessoas escutam frequentemente do presidente verdadeiras agressões e piadas de baixo escalão não somente à inteligência, mas também à honestidade de cada uma delas.

 

O presidente estabeleceu uma relação causal entre pobreza e violência. Simplificando a aludida declaração conclui-se que o presidente acusou abertamente os pobres de serem os responsáveis pela violência. Seria isso verdade? Vamos desvendar a questão. Pergunto-lhes: há mais pobres ou ricos no Brasil? Pobres, certo? Não lhes parece, então, óbvio que haja mais pobres criminosos que ricos criminosos? Isso não quer dizer que a violência seja oriunda da pobreza, mas que está mais relacionada à camada pobre da população por ela ser expressivamente maior. É algo elementar, mas que infelizmente é desvirtuado e transformado em verdade indubitável. Querem ver? Vamos a outra indagação? Há possibilidade de haver mais água numa garrafa de 600ml ou noutra de 2l?  

 

Ocorre que no Brasil é comum considerar a questão da seguinte forma: a maioria dos criminosos procede das baixas camadas sociais, logo o crime é oriundo da pobreza. Perceberam onde se encontra o erro? O equívoco acontece quando se analisa o referido dado isoladamente. Assim sendo, a pobreza, por si só, não explica a criminalidade, que tem causas muito mais vastas e complexas, alcançando questões como a desagregação familiar, a ausência de valores morais e a cultura da morte, por exemplo. Eis um silogismo lógico para arrematar a questão: se a maioria dos criminosos é formada por pobre, mas a maioria dos pobres não é formada por criminosos, logo, apenas uma minoria dos pobres é criminosa, certo?

 

À guisa de conclusão, afirma-se: pobre não é bandido, senhor presidente!



:: Escrito por: Camus às 11h55
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Um relance nas sondagens

Palpiteiro que sou, não me furtarei de expor algumas considerações acerca das últimas pesquisas divulgadas pela Folha e pela CNT-Sensus. Segue abaixo uma síntese dos números.

 

A popularidade do presidente saltou de 59,3%, em agosto de 2006, para 63,7%. Também houve um aumento de mais de 6% na avaliação do governo. Algumas conhecidas personalidades, dentre as quais políticas, se surpreenderam com o aludido resultado. Pergunto-lhe, caro juvenílico, o que há de estranho nos números? Absolutamente nada. Ineficiência administrativa e escorregões morais não são suficientes, em se tratando de Brasil, para reduzir o aval ao presidente Lula e ponto final. De nada adiantou, por exemplo, o presidenciável Alckmin, embora na maior parte das vezes de forma tímida, criticar os procedimentos imorais do presidente e candidato Lula da Silva.

 

As pessoas são atingidas pelo marketing dos programas sociais do governo e isso é suficiente para comprá-las, apesar de serem eles, os procedimentos assistencialistas, contribuintes da manutenção da condição de pobreza vivenciada no país. Ademais, o presidente Lula da Silva conseguiu, menos por sua capacidade de penetração nas mentes e mais pela ignorância e absurda ingenuidade das pessoas, o que Marx chamou de divisão das classes, através da distinção entre os pobres e os ricos, colocando-se, ao contrário do que qualquer definição permite, ao lado dos paupérrimos, até porque a democracia carece da maioria.   

 

Os entrevistados, em sua maior parte, se disseram contrários à eutanásia (57%) e à ampliação da lei do aborto (65%). Sabem o que isso representa? Uma derrota da agenda progressista, isto é, a agenda do governo. Apesar disso, vejam bem, não há (que não tímidas vozes) parlamentares representantes dessas idéias. Isso quer dizer que muitos brasileiros não se encontram representados no parlamento. Logo o sistema representativo brasileiro está capenga, já que não representa os anseios de todos os eleitores.

 

Para 21,2%, a maior parte dos entrevistados, o governo é o principal responsável pela crise aérea. Considerando apenas os entrevistados que tomaram conhecimento do assunto, esse número sobe para 25,8%. Haveria alguma contradição entre esta constatação e o crescimento da aceitação ao governo? Não! O governo Lula não governa para os que viajam de avião. Estes são minorias.   

 

Sobre a violência, 24,1% dos entrevistados apontaram ser a pobreza e a miséria as suas causas. Em seguida vem a justiça e o tráfico de drogas com 19,1% e 19%, respectivamente. Desafio a quem quer que seja demonstrar a relação causal ou, no termo do sociólogo Émile Durkheim, correlação positiva entre pobreza e violência. Muitos pobres, aliás, insistem em votar no Lula apesar deste creditar àqueles a causa da violência.

 

Por fim, não há absolutamente nada, no que tange à avaliação do governo Lula, inesperado, como entenderam alguns. Por outro lado, o povo derrotou mais uma vez a agenda progressista do governo, embora o apóie.



:: Escrito por: Camus às 10h43
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Um dia comum...

O dia invade a janela e me mostra seus tentáculos de luz a se perderem no horizonte. É hora de abandonar a cama, o transporte que me leva gratuitamente às mais deleitosas, emocionantes e, ao mesmo tempo, tensas viagens, e enfrentar as incumbências rotineiras da vida: o nosso empreendimento constante. Deparo-me com os meus primeiros lances matemáticos, a saber: um banho, dois copos de leite e quatro torradas. Finalmente estou pronto para começar mais um dia. Antes de me lançar ao público ando, como me é habitual, por todos os cômodos do apartamento em busca de algo que ainda não descobri. Passo pelos corredores frios e desabitados do prédio. Sou apresentado à rua, que se encontra igualmente deserta. Dirijo-me ao ponto onde todos os dias espero o ônibus. Este me chega sem demora, de modo que dessa vez não fui agraciado com a oportunidade de testar minha paciência. Que bom, chegarei cedo. Aceno para o motorista. Que motorista? Não há nenhum! Ainda assim entro no ônibus e observo que o cobrador é uma catraca automatizada. Pago e passo, mas logo vejo que não há passageiros. Automatizaram o sistema de ônibus? Mas tão rápido? Como é possível? Sossego a mente por uns instantes. Afinal, sou frio como o inverno. A janela reflete minha face rapidamente assustada com as ruas incrivelmente despovoadas. No entanto, as lojas, bancos, farmácias, escolas, mercados estão abertos. Os carros e ônibus continuam a cortar as ruas, e os aviões os céus. Mas onde estão as pessoas? Por pouco não ultrapasso o ponto que me levará ao meu destino. Solicito parada e o coletivo estaciona. Antes de descer lanço um último olhar sobre as cadeiras vazias do ônibus. Sigo pelo passeio esbarrando no nada...



:: Escrito por: Camus às 15h39
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Trilogia: finalmente a parte final

Certamente os olhares mais atentos perceberam que a trilogia iniciada em 13 de fevereiro e continuada dez dias depois, teve o seu desfecho adiado em 13 de março (os trezes são coincidências?), devido aos absurdos encontrados pelo filósofo Olavo de Carvalho na página da Presidência da República e aqui, como em outras páginas, postados. Há uma infinidade de despautérios a serem postados, mas preciso concluir minha anunciada trilogia (para que não sofra do mal das obras públicas). A parte final versará, como inicialmente exposto, destinada a distribuição de camisinhas nas escolas.

 

As pessoas têm o direito à prevenção através do uso de preservativos? Penso que sim! Mas isso, caros juvenílicos, diz respeito a foro íntimo, logo não pertencente a alçada do Estado. Não confundamos: uma coisa é tornar o preservativo disponível a quem quer que seja; outra, completamente diferente, é incentivar o seu uso. O governo, não esqueçamos, trata de política pública (embora ache o termo redundante) e não de questão moral, como tem equivocadamente feito.

 

Dessa forma, lamento decepcionar alguns ao pontuar meu posicionamento contrário à distribuição de camisinhas na escola. Sou ortodoxo? Sim! Se nossas escolas ensinassem, como é o seu dever, as disciplinas necessárias ao desenvolvimento do alunado, teríamos maior êxito em educação. Infelizmente, as instituições de ensino insiste em formar ao invés de informar. Nossos alunos são em sua maioria militantes de causas inúteis e ultrapassadas. São jovens com roupas ideológicas antigas.  

 

Ademais, de que adianta o bolso repleto de camisinha e a cabeça ausente de responsabilidade? Acho que o governo tem estimulado o sexo precoce e, dessa forma, se intrometido na educação que as famílias ofertam aos seus filhos. Ironicamente, percebe-se um governo visivelmente imoral adentrando em matérias várias, inclusive morais.

 

Alguém já leu algo produzido pelo próprio governo no que tange à, digamos, nova educação sexual? Trata-se de uma piada de mau gosto.

 

E a legalização do aborto? Bem, esta fica para os próximos posts.



:: Escrito por: Camus às 16h43
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