
Segundo Heródoto, o pai da História, não há quem não tenha por mais de uma vez desejado não viver o amanhã. Muitos ao se depararem com a Insustentável Leveza do Ser, lembrando aqui Kundera, pensaram seriamente em suicídio. Com o Juvenília não foi diferente. Só que Schopenhauer, mesmo aquele ser trágico e infeliz, afirmou não ser o suicídio a solução, logo é melhor esquecer tal intento. O sofrimento não cessa com a morte. Então, o Juvenília resolveu permanecer entre nós, mesmo que sejamos indivíduos de um mundo que não passa de uma representação de nossas vontades.
Falo no Juvenília como se vida própria tivesse. E quem disse que não a tem? Tenho dificuldade em controlar até mesmo os seus natalícios, que são pontuais no tempo, imagine as suas ações. Deparo-me frequentemente com escritos que estranhamente ignoro a autoria. De onde eles vieram, já que não acredito serem totalmente frutos do relacionamento de uma mente com um par de mãos? Não sei!
Reporta-se aqui a sentimentos, sonhos, mas também a política. Trata-se de uma espécie de corredor que liga o céu ao inferno. Há palavras razoavelmente belas, mas também há verdadeiras agressões visuais. Alguns textos são redigidos com acuidade, outros, porém, são por demais relapsos. Busca-se, por vezes, uma inalcançável neutralidade axiológica, enquanto outras passagens são marcadas por imparcialidades declaradas. Há, por fim, uma fusão de extremos. Fala-se um pouco de tudo e um muito de nada.
Muitos blogs, com os quais o Juvenília de alguma forma se relacionou, já desencarnaram. São corpos que cometeram suicídios ou foram esquecidos por seus espíritos, que saíram da roupagem orgânica e resolveram não mais voltar. Aliás, o lugar para onde foram tais espíritos parece ser agradável, pois alguns não mais voltaram, enquanto outros regressaram, mas logo se despediram novamente.
O Juvenília parece não mais precisar de mim, ao menos com tanta freqüência. Outrora éramos locomotiva e vapor, hoje, no entanto, sou um reles passageiro. Alegro-me com essa cômoda condição.
O exposto tem o intento de parabenizar o Juvenília por mais um natalício a ser completado dia 22 próximo, um dia depois de comemorar meu reencontro com a Luz, que me livrou da caverna de Platão, bem como a gênese do senhor de olhos azuis.
Considerando a expectativa de vida dos blogs, você, Juvenília, já está se tornando adulto. Daqui a pouco, quem sabe, terá filhos e me fará inveja. Criei algo que pode criar o que nunca criei. Eis a evolução!
Obrigado a todos os juvenílicos pela paciência em ler a mim e ao Juvenília.
Após um longo período de inatividade, digamos bloguística, este escriba reinicia suas escritas, espero que dessa vez de maneira contínua.
A dose de acontecimentos (todos eles curiosamente previsíveis) durante minha ausência foi cavalar, o que inviabiliza tratá-los integralmente num espaço mínimo. Logo irei discorrer sobre um único assunto. A sua escolha deve-se a premente necessidade de discuti-lo, especialmente num país que insiste em ignorá-lo.
O Foro de São Paulo, temível criação de Lula e Fidel Castro, é, segundo este último, uma tentativa de tornar a América Latina o que um dia foi o Leste Europeu. Corresponde, de maneira prática, ao reagrupamento das forças de esquerda da região depois da derrubada do muro de Berlim e do fracasso do comunismo. Entendo o esquecimento de alguns com relação ao tema, já que se trata de algo que faz até os mais corajosos tremer o esqueleto em ritmo frenético.
Pois bem, a despeito do XIII encontro do FSP, alguns de seus componentes, dentre os quais o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Movimento Quinta República (MVR) da Venezuela, publicaram um documento repleto de lorotas, que visam angariar partidários. Interessante é saber que as causas do Foro são tão necessárias que seus constituintes precisam mentir para que as pessoas as aceitem. Vamos, a seguir, verificar dois pontos, somente para efeito de ilustração.
O mencionado documento apresenta estrategicamente o Foro como sendo uma organização de oposição. Indaga-se: quem está no poder no Brasil, Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Uruguai? Os membros do Foro! E mais, os mandatários da Argentina, Equador e mesmo do Chile foram eleitos com o apoio de membros do Foro. Em suma, quando não comandam diretamente seus países, compõem a base de seus governos. Logo, não há nada de oposição, mas de situação. Eis um hábito comum aos integrantes do Foro: creditar aos seus oponentes os problemas que eles próprios, os forenses, provocam ou ajudam a provocar, como é o caso da miséria.
O narcotráfico e o crime organizado são obviamente criticados pelo Foro, mas organizações criminosas e terroristas como as FARC e o ELN estão entre seus membros fundadores. Porém, diante de tantas mentiras, uma coisa parece ser verdade no documento: a esquerda não se divide entre moderada e radical, a esquerda é única. “Esta diferença é falsa e o que existe na verdade é uma diversidade de estratégias que respondem às realidades e condições de luta que existem em cada país”.
Eis o perigo: estamos diante do precipício, mas continuamos vendo lindas paisagens bucólicas.