Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Viagem ao centro de si

Muitos, quando questionados sobre seus desejos, não hesitam em responder, por exemplo, conhecer lugares distantes ou viajar pelo mundo. Trata-se, inegavelmente, de algo importante aos dias que correm, mas se faz imperioso indagar o seguinte: quantos desses conhecem-se a si próprios? Quantos viajaram pelo universo que há em cada um?

 

Substitua a volta ao mundo por viagens diárias em torno de si e verás que suas aventuras podem ser maiores e suas experiências mais satisfatórias. Temos, por vezes, verdadeira veneração pelo que dista de nós em detrimento do que nos salta aos olhos. Isto pode, em alguns momentos, nos servir de estímulo, mas também, como é comum, pode engessar nossas ações e dificultar nossas conquistas, tamanho o abismo que nos separa de determinados objetivos.

 

É comum desejarmos o que se encontra alem dos esforços, das capacidades. Não se trata de contrariar os que pensam grande, mas apenas de sugerir que sejamos realistas. Lançamos-nos a um mar de desejos abordo de uma nau incapaz de suplantar o último horizonte captável pela visão. Quando isso acontece, dificilmente conseguimos aportar, ficando à deriva em águas turvas que nos deixam frustrados, incapazes e infelizes. Almejar habitualmente o pouco provável é enganar-se, especialmente quando se trata do empreendimento de esforços insuficientes ou nulos. O homem deseja o máximo apesar de empreender o mínimo para sua obtenção. Não se contenta, por exemplo, com a obra de Deus, quer, do alto de sua prepotência, vê-lo a todo custo.

 

O homem precisa buscar, nos termos de Sócrates, conhecer-se a si mesmo. Perde-se muito tempo tentando entender os outros, quando não conseguimos, sequer, nos compreender. Os problemas, ao invés de assumidos, são todos transferidos aos outros e/ou enviados a um lugar longínquo. O mesmo ocorre com as soluções. Estas, ao nosso ver, quase sempre estão distantes de nossa realidade, o que nos credencia a vivermos mergulhados em problemas. Faz-se mister, pois, que cada um, ao invés de se entregar ao ilimitado, assuma seus limites, somente assim será possível lidar com eles.

 

Reparem que os lugares que se deseja conhecer normalmente estão distantes, alguns, inclusive, inalcançáveis. Os nordestinos, por exemplo, mal conhecem a sua própria região, linda por sinal, já querem conhecer países distantes. Há pessoas que mal pisaram sobre o seu próprio quintal, mas já sonham em pôr os pés nos Jardins Suspensos da Babilônia, mesmo que eles não existam.

 

A astronomia, não por acaso, surgiu antes da sociologia e da psicologia. O que dista mais das pessoas, os astros ou as relações sociais? O homem desde seus primórdios busca respostas aos seus desejos, angústias e dúvidas em vários lugares, menos em si. Talvez por isso ainda não as tenham encontrado.

 

Feche os olhos, mergulhe em você. Tenha à disposição não somente a aventura de conhecer vários lugares, mas, especialmente, de conhecer o universo que há em você. Não há dúvidas, a melhor viagem é aquela que se faz para dentro de si.



:: Escrito por: Camus às 12h47
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Da ausência de debate a um debate ausente

Em que momento as pessoas se sentem efetivamente motivadas a realizar uma troca? Supostamente quando têm algo a ganhar. Assim sendo, não parece interessante substituir o que se tem por algo aparentemente inferior, nem estimulante substituí-lo por algo aparentemente igual.

 

Neste pleito presidencial tem acontecido o que já houve em sua edição pretérita, a saber, a tendência à similitude entre as principais propostas dos candidatos. O remédio tem sido quase sempre o mesmo, o que muda é a dose. Todos se dizem, por exemplo, contrários às privatizações e favoráveis ao programa Bolsa Família. Disputam entre si quem é mais de esquerda, como se isto os credenciasse a realizar um bom governo.

 

Com efeito, parece não haver alternativa à esquerda. O melhor debate ocorre entre opostos e não entre semelhantes. Se houvesse no cenário político nacional uma direita efetiva para confrontar a esquerda que ai se encontra, os debates seriam mais proveitosos. O Bolsa Família, que transforma pobres em dedicados eleitores, não tem extraído as pessoas de sua condição de pobreza, mas, contrariamente, contribuído para acomodá-las nessa situação. Ainda assim, o candidato oponente fala em ampliar o programa, a exemplo do atual mandatário. O que haveria de novo?

  

Outras idéias pontuais, sequer são postas em debate, como é o caso, por exemplo, da legalização do aborto. Os políticos somente discutem o que lhes convém politicamente, nada mais. Pensa-se muito mais em blindar suas imagens do que em ofertar elucidações acerca das dúvidas dos eleitores.

 

Aos que ainda tiverem saco, o texto continua logo abaixo... 



:: Escrito por: Camus às 12h36
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Se os postulantes são similares, excetuando a questão moral em que Lula é inigualável, as pessoas querem saber por que mudar. O item moral não tem sido decisivo, nem mesmo importante, na escolha dos candidatos. Se assim fosse, o eleitorado brasileiro, segundo a edição eletrônica da Folha do dia 12 do mês em curso, não optaria pelo candidato “mais corrupto”, segundo eles Lula, em detrimento do “mais inteligente”, segundo eles Alckmin. Teme-se no Brasil muito mais a inteligência do que a corrupção.

 

Dessa forma, o principal erro de Alckmin talvez tenha sido se colocar como distinto de Lula, pelo menos de maneira clara, somente na questão moral. Há outros pontos simpáticos a Lula que parte significativa da população rejeita, como é o caso da já citada legalização do aborto, mas Alckmin não expôs seu posicionamento contrário de maneira intensa. Imagine Lula justificando para milhões de pessoas, caso Alckmin o provocasse, os motivos pelos quais é favorável a legalização.

 

É bem verdade que seria um risco tornar-se efetivamente uma espécie de anti-Lula, basta olhar para a sua popularidade, mas a política  requer riscos maiores do que àqueles com os quais nos deparamos ao atravessar a rua. Se o tucano tivesse sido um contra-ponto a Lula, contemplando elementos importantes ao debate político, além da imprescindível questão moral, teria obtido, certamente, o aval daqueles que são contrários às medidas do atual governo. Quando o fez foi de maneira carente da intensidade devida.

 

O segundo turno foi importante por ter provocado o debate com Lula, mas não foi bem utilizado por Alckmin, salvo no que tange as questões de cunho moral. Enquanto não houver plataformas políticas claramente distintas, o eleitorado terá opções restritas e confusas. Fala-se mal dos EUA, mas a clara divisão entre Republicanos e Democratas favorece o posicionamento do eleitorado, o que não ocorre em terras tupiniquins, onde quase sempre se advogam as mesmas coisas.



:: Escrito por: Camus às 12h34
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A origem de tudo

Diariamente nos deparamos com várias informações. Mídia escrita e falada, amigos, vizinhos, família, todos comentam sobre os acontecimentos matinais. Mas, qual o nosso posicionamento frente às informações adquiridas? Simplesmente as absorvemos e passamos a difundi-las ou buscamos nos aprofundar em relação a sua consistência e procedência?

 

O procedimento majoritário é, infelizmente, o primeiro. As causas que o condicionam são várias e vão desde a ignorância até o comodismo. As informações se tornaram mais acessíveis, mas a parcela majoritária da população não está apta a compreendê-las e utilizá-las adequadamente. Dessa forma, pior que a ausência de informação é, indubitavelmente, a presença da má informação. A ignorância pura e simples é menos nefasta que a ostentação de um saber equívoco. Melhor um ignorante autêntico que um expert falso.

 

Os cientistas políticos, para citar somente uma categoria profissional, têm diariamente sua existência questionada, uma vez que muitas são as pessoas que, independentemente do seu grau de instrução, se credenciam a doutores honoris causa em política. Aliás, o próprio presidente Lula anunciou no início de seu mandato que iria ofertar lições aos aludidos profissionais, logo ele, uma sumidade. Coitados dos cientistas políticos! Vê-se uma desvalorização absurda do conhecimento.

 

Lembro-vos, caros leitores, de um procedimento básico aos que buscam informações acerca da realidade: mais importante que a informação em si é a sua origem, isto é, de onde ela parte. Não nos basta saber algo sobre alguém, por exemplo, é preciso saber a procedência da informação, e mais do que isso: a que corrente de idéias pertence o emissor, quais suas tendências.

 

O fato puro e simples sofre, devido à inclinação de quem o relata, alterações e, em alguns casos, modificações completas. Quando se fala, por exemplo, que os números do governo Lula são exitosos é imprescindível saber quem assim os considera. O governo? Os intelectuais da esquerda? Quem? Estes, obviamente, não dirão nem sobre tortura que os números são medíocres. Logo seus escritos e opiniões são tendenciosos e camuflam a realidade.

 

Vamos a uma metáfora, figura de linguagem preferida do atual mandatário máximo da nação: beber numa fonte de água é completamente diferente de beber numa fonte de álcool, não acham? As realidades que visualizamos após nos depararmos com essas fontes são divergentes.

 

Tenham, por fim, cuidado para não se tornarem bêbados, para não vagarem por ai vomitando informações equivocadas ou sendo receptores delas.

 

Apesar do ritmo alucinante em que me encontro, respondi aos comentários.



:: Escrito por: Camus às 15h06
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