
Logo mais, às 22:00 h, Lula estará demonstrando não ser um democrata. Afinal, quando FHC anunciou, em 1998, que não participaria dos debates, Lula se apressou em vociferar que o ex-presidente demonstrava com isso não ser democrata. Ora, se não participar de debate é faltar com a democracia, então do que deveremos designar Lula? De defensor da instituição presidencial?
Naquela ocasião, refiro-me a 1998, FHC justificou sua ausência dizendo que não iria servir de escada para seus oponentes. Lula, como se tornou praxe, apresentou nos últimos dias uma justificativa digna de um mestre da vigarice, a saber, não vou ao debate para preservar “a instituição da Presidência da República”. Deveria ter dito: “preservar a instituição Lula da Silva”. Isso é o mesmo que chamar a todos de idiotas.
O que teria feito Lula, tão acostumado a discursos e debates populares, desistir do embate de logo mais e, certamente, de todos que virão? É possível ofertar uma série de respostas, desde o fracasso de sua trágica participação no Jornal Nacional, digna de micos surreais, até a pilha de escândalos que envolve seu desgoverno.
Quem assistir ao debate terá a oportunidade de ver uma cadeira vazia, metáfora perfeita para ausência de comando no país.
Fidel Castro ofertou ao mundo uma demonstração cabal de sua propensão à mudança, a saber, entregou o poder cubano ao seu irmão Raúl. Cuba poderá mostrar, caso Fidel bata com las buetas, a todos como se faz uma transição de um regime autoritário para um regime, adivinhem, autoritário. Enfim, é pouco provável, ao contrário do que se pode pensar, que algo de novo aconteça na ilha caribenha, considerada por alguns homens que fazem a cabeça dos brasileiros, acreditem, um paraíso sobre a terra.
É lamentável que nos dias em curso ainda seja possível presenciar casos como o ocorrido em Cuba. Mais lamentável ainda é saber que isso ocorre diante dos olhos do mundo sem que as pessoas se lancem contrárias ao fato. Isso se deve em parte ao fato da mídia, inclusive e especialmente a brasileira, tratar a questão com uma normalidade insana. Aliás, eis parte do motivo pelo qual Fidel é venerado em nosso país, a saber, a imprensa tupiniquim é omissa em relação aos absurdos causados por Fidel. Fazem com que os ignorantes acreditem ser democracia o que é ditadura.
Para que se tenha idéia, ainda hoje alguns jornalistas recusam-se a classificar Fidel como ditador. Preferem chamá-lo de presidente, enquanto ofertam a Pinochet, por exemplo, o merecido adjetivo de ditador. Expliquem-me, por favor, onde está a diferença. Ambos são assassinos! Por que somente um deles é tratado como tal? Enaltecem a coragem de Fidel em contrariar os interesses do império e esquecem os malefícios desse que é um dos maiores tiranos da história contemporânea.
Desde que Fidel tomou o poder, Cuba tornou-se cada vez pior. Sua economia, que antes ocupava a quarta posição na região, atualmente amarga a décima quinta. Ademais, não é possível esquecer as mortes, a supressão da liberdade de expressão, a prisão de oponentes políticos, dentre tantas outras inconveniências absurdas que não deveriam ter mais espaço nos dias de hoje. Enquanto isso o governo cubano atribui suas faltas a fatores externos como o bloqueio econômico norte-americano, embora contraditoriamente propale que praticar comércio com os EUA configura-se em exploração.
O que esperar de um país onde sua inteligência, sua mídia e seus líderes cultuam figuras como Fidel? Elogiar Fidel é avalizar suas atrocidades. Quando chegar a hora de Castro, alguns políticos, padres, artistas e intelectuais irão se comover e comoverão a nação. Eis a nossa tradicional propensão a tratar os bandidos como heróis, os assassinos como vítimas, enfim, os maus exemplos como referências merecedoras de buscas incessantes.
Enquanto a opinião pública brasileira continuar alheia aos verdadeiros acontecimentos na Ilha de Fidel, este será sempre um ídolo nessa “terra de Macunaíma”. Se ele morrer sem que os leitores da imprensa brasileira saibam exatamente o que ele fez, quem prendeu, quem matou, quem torturou, se tornará um mártir. Enfim, os brasileiros permanecerão fiéis a Fidel.
Se, no entanto, os fatos referentes a Fidel fossem revelados à opinião pública ela veria como é brutal o homem pelo qual grande parte da intelectualidade brasileira tem como guia político e ideológico. Enquanto isso não ocorre, tal tarefa fica a cargo de gatos pingado como o escriba dessas linhas.