Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Deixo-vos, por hoje, com o último parágrafo do artigo “As três vias de acesso”, de autoria do jornalista Janer Cristaldo. Reflitamos!

 

“Na universidade brasileira, nem um Cervantes seria aceito como professor de Letras, afinal só teria em seu currículo o ofício de soldado e coletor de impostos. Um Platão seria barrado no magistério de Filosofia e um Albert Camus jamais teria acesso a um curso de Jornalismo. No fundo, a universidade ainda vive no tempo das guildas medievais, que cercavam as profissões como quem cerca um couto de caça privado. Na Espanha e na França, desde há muito se discute publicamente a endogamia universitária. Aqui, nem um pio sobre o assunto. E ainda há quem se queixe quando os melhores cérebros nacionais buscam reconhecimento no Exterior”.



:: Escrito por: Camus às 16h56
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A nossa condição má

Muitos já lançaram infindáveis reflexões sobre os motivos pelos quais o mal predomina sobre o bem. Se nos pusermos a quantificar as ocorrências consideradas más durante o dia chegaremos facilmente a seguinte conclusão: as situações ruins e desagradáveis superam em intensidade as situações consideradas boas e desejáveis.

 

É assim, por exemplo, quando abrimos o jornal, ligamos a TV, vamos para o labor ou para o lazer. As notícias tidas como ruins ocupam cada vez mais espaço no cotidiano. Por que isso acontece? Eis três motivos. Primeiro, o mal é a regra e o bem a exceção, de modo que apenas alguns se tornam bons, enquanto outros permanecem em sua condição, digamos, inicial, isto é, o mal. O francês Jean-Jacques Rousseau tem significativa culpa no cartório, pois foi ele o autor da teoria do “bom selvagem”, que de maneira geral advogava que o homem nascia puro, mas a sociedade o corrompia. A observação nos mostra justamente o contrário. O homem, como diria Aristóteles, nasce para viver em sociedade. É esta que o torna social, civilizado, capaz de aceitar o outro, de respeitar os direitos, enfim, de não agredir uns aos outros.

 

Segundo, o mal, até mesmo por sua condição majoritária, tende, como tem acontecido, a ocupar as condições estratégicas da sociedade. O mal governa, cria regras, estabelece valores, nos cabe, portanto, obedecer ou, em caso de nos colocarmos contrários, desobedecer e sofrer as mais diversas sanções. Há pessoas boas, de idéias claras que para o bem da humanidade deveriam ocupar determinados postos. O bom juiz é assassinado, o bom mestre é muito exigente, o intelectual que não seguir os moldes da inteligência dominada pela esquerda é considerado de direita e, por conseguinte, hostilizado.

 

Por último, o mal é atrativo e fácil de ser encontrado. Para sermos maus não empreendemos o menor esforço, enquanto que para sermos bons temos que nos esforçar, pois o mundo nos será contrário. Para alcançarmos bons resultados num teste temos que nos dedicar, nos esforçar, no entanto, para obtermos maus resultados, basta nada fazermos. Cruze os braços e seja mal! Vejam que até mesmo a inércia e a omissão podem ser consideradas más. Se um ente passou do horário em que comumente chega em casa o que imaginamos? O pior! Assalto, morte, seqüestro, dentre outros.  

 

Além de se configurar na lei do menor esforço o mal também atua nos momentos de fragilidade das pessoas. Sempre que estamos em dificuldade o mal nos é rapidamente apresentado como solução. Crianças desprovidas de educação, lazer e alimentação têm no crime uma possível “solução”, fácil e atrativa para tais problemas. O mal é um caminho sempre mais curto e, inicialmente, menos penoso.

 

O pior é que o nosso bem maior, isto é, a democracia tem beneficiado o mal. Na democracia todos têm direito de expor seus posicionamentos, mas, no entanto, o critério majoritário determina o que deve ser aprovado. Como o mal é majoritário temos que conviver com ele. Lembrem-se, por fim, o bem não é agradável e quando o é, desconfie, pois pode ser uma camuflagem a serviço de uma essência maléfica.



:: Escrito por: Camus às 11h50
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Os efeitos de uma canção

Hoje acordei com uma canção entre os lábios. Canção esta dos idos em que desejava a precipitação da fase adulta. Incrível é a inversão que segue as pessoas. Quando jovens nos dizemos mais velhos; quando velhos, nos dizemos mais jovens. No primeiro caso vivemos o futuro, já no segundo, o passado. Ou vivemos de expectativas ou de nostalgia. Nunca vivemos o presente em sua íntegra! Somos seres de ontem ou de amanhã, mas quase nunca de hoje.

 

Muito perdemos por não aproveitar cada etapa em seu tempo. Abdicamos de parte da infância pensando na adolescência e continuamos a trajetória de perdas ao perder também as demais etapas da vida pensando em suas predecessoras. Enfim, velhos, escondemos a idade; jovens, a expomos, em forma de farsa, como troféus. Jovens, desejamos barba; adultos, buscamos formas de driblar a preguiça e tirar os pêlos da face.



:: Escrito por: Camus às 11h24
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