Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Acessos Juvenílicos:






As idéias no Brasil

Não deve ter passado pela cabeça de nenhum leitor, felizmente os que por aqui aportam são sábios, que o post do dia 16 teria chegado ao seu desfecho com o meu singelo “obrigado”. De todo modo, eis um recado para os que contrariaram a minha expectativa: os posts deste blog são inacabados! Se num rio nunca tomamos banho com a mesma água; no juvenília sempre nos deparamos com as mesmas idéias.

 

O referido escrito recebeu o seguinte título: “Uma mera curiosidade”. Devo-lhes confessar que não havia curiosidade alguma, pois sabia que, primeiramente, alguns optariam por não comentá-lo, enquanto outros aprovariam as idéias sem, possivelmente, atentar para a conseqüência do seu aval. Apresso-me em dizer que o post ora em tela está baseado muito mais nas conversas que tenho tido com algumas pessoas e muito menos na presença ou ausência de parecer por parte dos leitores.

 

As idéias expostas no escrito em questão eram na verdade princípios do liberalismo. O quê? Sim, esta corrente de pensamento execrada pela inteligentzia tupiniquim e acusada, através de sua atual denominação: neoliberalismo, de todos os males. Ser liberal num país no qual as principais funções são ocupadas por socialistas é, nos dizeres de Roberto Campos, como fazer sexo explícito. Alguém teria coragem? Se sim, parabéns pela eminente ousadia! Posso até não concordar com todas as idéias liberais, mas admiro a coragem de seus solitários defensores.

 

O Brasil é detentor de uma maneira tendenciosa de compreender a realidade, a saber, as idéias são boas desde que não tenham ligação com um tal de liberalismo ou neoliberalismo. Muitos aprovam, por exemplo, a restrição interventora do Estado, a descentralização administrativa, mas quando são informados de que tais idéias pertencem ao execrado liberalismo, pulam fora do bote. Isto é, as idéias são aprovadas até que se diga o nome do responsável por elas. Uma coisa é afirmar que o poder precisa ser controlado, que o Estado precisa ser reduzido, outra, apesar do equívoco, completamente diferente, é advogar o liberalismo. Muitos aprovam o milagre até o momento em que descobrem o nome do santo. Isso, caros leitores, nos faz chegar a duas constatações: por um lado, há pessoas contrárias ao liberalismo mesmo sem saber do que se trata, isto é, foram treinadas nas escolas, universidades, movimentos sociais para ser contrárias. Por outro lado, há pessoas que até são favoráveis, mas não têm a devida coragem de se manifestar como tal, pois seriam, certamente, atingidas por sanções sociais negativas como desprezo, agressões verbais, críticas destrutivas, dentre outros.

 

Não quero com isso, caros leitores, incitá-los ao liberalismo. Também não busco purificar a aludida corrente, acusando-lhe de completamente benéfica. Apenas vos digo, que diante de idéias eficientes, sejam elas quais forem, sejam elas pertencentes a quaisquer correntes, devemos nos colocar na situação de defesa ou ataque responsável e não devorá-las sem fundamento. Não se trata de ser liberal, apenas de ofertar às suas idéias o crédito que elas merecem. Falam tanto de preconceito racial, mas esquecem o não menos terrível preconceito de idéias.



:: Escrito por: Camus às 08h57
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O celular e o Estado

No interior da avassaladora onda de violência que atingiu o Estado de São Paulo há um pequeno aparelho: o celular. Graças a esse maldito, mais de cem pessoas foram mortas, não é mesmo senhor Leviatã? Por detrás de tal conclusão há um problema histórico: a ineficiência do Estado. Este é por demais grande em áreas que não pertencem a sua alçada e inexistente onde sua tarefa é precípua: a manutenção da ordem e a garantia de segurança aos cidadãos.

 

É estranho o fato de o Estado não conseguir cumprir suas responsabilidades para com a segurança, mas, no entanto, ser por demais eficaz na cobrança e coleta de impostos. Isto é, ele consegue agir de maneira eficiente sobre o que lhe interessa e fecha os olhos para o que lhe é desinteressante. Infelizmente a segurança das pessoas não é a prioridade desse Estado, uma vez que os responsáveis por sua direção estão seguros. Já os impostos são obviamente priorizados, pois garantem a manutenção da estrutura estatal. Não podemos deixar de pagar impostos, mas o Estado pode deixar de nos garantir a segurança. Trata-se de uma relação justa, não acham?

 

O Estado continua especialista em atribuir aos outros a responsabilidade por suas irresponsabilidades. Se há criminalidade, cabe à sociedade combatê-la. Se os presos usam celulares nos presídios, cabe às operadoras impedir que isso ocorra. Indaga-se, portanto: de que diabos nos serve então o Estado? Um Estado que não consegue barrar a entrada de pequenos aparelhos em seus presídios não nos interessa.

 

É o Estado o responsável pelo que acontece nos presídios. Querer que as operadoras de telefonia isolem os locais próximos aos presídios é algo absurdo e desproposital, já que irá, primeiramente, impedir que as pessoas que moram próximas aos presídios usem o aparelho, além é claro de evidenciar mais uma vitória do crime. Ademais, a ausência de celulares não resolveria a questão, já que todos sabem que há a entrada de outros instrumentos de comunicação, inclusive os próprios advogados, ou melhor, criminosos. O Estado deveria forçar, com atitudes enérgicas, a adaptação dos bandidos às regras e não das regras aos bandidos.

 

Espero que o Estado evolua pelo menos em suas justificativas às suas ineficiências. Culpar, dentre outras coisas, celulares pelo ocorrido é nos chamar de perfeitos idiotas.



:: Escrito por: Camus às 10h51
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Uma mera curiosidade

Ao me deparar com uma tela em branco, me veio à mente uma vontade súbita de questioná-los, prezados e pacientes leitores, a respeito de algumas idéias. Desejo, caso possível, a opinião de todos que por aqui passam, bem como a justificativa que avalize cada posicionamento. Assim vos pergunto: quem se manifesta de maneira contrária ou favorável às seguintes idéias?

 

Desconfiança profunda do Estado;

Condenação do poder absoluto;

“O poder é mau em si” ou ainda, “O uso do poder é pernicioso; se for preciso exercê-lo, será necessário reduzi-lo tanto quanto possível”. Enfim, é necessário limitar o poder;

Dessa forma se faz mister implementar os seguintes pontos: divisão dos poderes, constituição, descentralização administrativa e restrição do campo de atividade do Estado;

O Estado deve evitar ao máximo sua presença na economia, sociedade, cultura: “O melhor governo é o governo invisível, isto é, aquele cuja ação não se faz sentir”;

A história é constituída pelos indivíduos e não por forças coletivas;

O ensino e o dinheiro são princípios libertadores;

Valorização da iniciativa privada e individual;

A riqueza das nações não está na acumulação de capitais, como pensavam ou pensam alguns teóricos mal informados, mas sim na produção e circulação de mercadorias.

 

Aguardo, pois, o inestimável posicionamento de cada um.

 

Obrigado.

 

 



:: Escrito por: Camus às 09h41
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A cultura do coitadinho

  

 

 

 

O italiano Antonio Gramsci estaria em estado de êxtase se vivo fosse. Afinal suas teses tornaram-se realidade incoteste até mesmo no Brasil, país onde nunca esteve e onde é pouco conhecido da população em geral.

 

O que teria teorizado Gramsci? O ideólogo italiano propôs uma inversão dos valores predominantes na sociedade. Assim, enquanto Lênin, por exemplo, sugeriu uma revolução armada como forma de acender ao poder, o sutil Gramsci, por sua vez, advogou uma revolução cultural. Para Gramsci de nada adiantaria empreender a revolução sem a necessária preparação do povo. Logo, seria preciso incutir sutilmente as idéias revolucionárias na cabeça das pessoas.

 

Dessa forma, quando não houvesse mais rejeição eclodiria a revolução de tal forma que poucos iriam notá-la, logo não haveria imposição que lhe fosse contrária. A violência armada, na qual Lênin era partidário, impedia que o povo aceitasse a revolução. Quando a novidade acontece de forma brusca ele tende a ser rejeitada. A novidade precisa saber conviver com o velho ou não será aceita.

 

Para que o devaneio gramsciano obtivesse êxito as pessoas teriam que abdicar de seus valores em prol de outros completamente diferentes e, em alguns casos, opostos. Os princípios morais e éticos herdados do judaísmo e do cristianismo deveriam ser enviados ao ostracismo de onde nunca mais deveriam sair. Gramsci, certa feita, propôs que os santos católicos fossem substituídos por personalidades revolucionárias como Rosa Luxemburgo, por exemplo. Ele considerava a igreja, a mesma que hoje têm parte de seus valores duramente questionados, um empecilho à revolução, logo precisaria ser aniquilada.

 

Quais seriam, portanto, as conseqüências das idéias de Gramsci? O que o título deste post teria a ver com tais idéias? Observem que com a inversão de valores o algoz se torna vítima e a vítima algoz. Não é por acaso que Gramsci ataca a igreja. Esta instituição é responsável por estabelecer limites às ações humanas. Assim sendo, sem ela tudo seria permitido. Estamos diante de uma sociedade em que tudo é praticamente permitido. Os ladrões roubam e não vão para cadeia. Os assassinos matam e não são punidos. Os princípios éticos e morais da sociedade desembocaram na sarjeta.

 

A todo ato ilícito há uma justificativa estúpida, mas que acaba imperando. A corrupção do policial deve-se ao seu salário. E o que dizer dos juízes? Por quê então outros policiais não aceitam a proposta ilícita? O garoto que mora na favela e logo é entregue ao crime, que passou a ser indiscutivelmente compensatório, ao matar é advogado por muitos, que justificam tal ato dizendo que o pobre garoto não tem culpa, mas sim a sociedade que o jogou naquela situação. Foi devido a injustiça social que ele cometeu tal atitude, logo é preciso eximi-lo de culpa. A sociedade é agredida diariamente por pessoas que se dizem injustiçadas e ainda leva à culpa. Fala-se, para terminar com os exemplos que nos devoram, que o país tem uma dívida social com os negros. O país é constituído por pessoas. As pessoas que cometeram atos estúpidos já se foram. Devemos pagar as dívidas que nossos pais contraíram? Devemos ser prejudicados por um ridículo sistema de cotas, que nada mais é que a inversão do que já ocorrera no passado?

 

A felicidade de Gramsci é a nossa infelicidade. Vejo tantas pessoas sérias caírem na estupidez gramsciana, que às vezes sou tentado a achar que estamos completamente perdidos.



:: Escrito por: Camus às 09h25
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Resquícios de um post

O escrito do dia 13 de abril de 2006, intitulado Direita e esquerda, nos trouxe, através dos comentários que ocasionou, algumas afirmações que me parecem merecedoras de esclarecimentos. Eis abaixo parte delas.

 

MaC fez, embora já o tenha satisfatoriamente justificado, a seguinte associação: esquerda-oposição e direita-situação. Ocorre que tal posicionamento nos faz crer que o poder se encontra permanentemente nas mãos da direita, logo cabe a esta a responsabilidade pelas más administrações, o que não é de maneira alguma verossímil. E não é verdade por dois simples motivos, a saber: (i) os governos podem ser ligados à direita, mas também à esquerda e (ii) no caso específico do Brasil não há em hipótese alguma governo de direita. Aliás, salvo ínfimas exceções, como foi no caso de Joaguim Nabuco e é no caso de Olavo de Carvalho, não há pessoas que tenham pensamentos de direita em nossa "terra de Macunaíma". Por fim, o que torna possível denominar de esquerda ou direita um grupo político não é o fato de um ou outro se encontrar na situação ou na oposição, pois ninguém é situação ou oposição permanentemente, mas as idéias que defendem e as ações que implementam. Por exemplo, os programas sociais do governo Lula são de esquerda, aliás, de uma esquerda jurássica.

 

Considerar de direita uma figura como Lula, por exemplo, é canalhice ou ignorância. Basta olhar para seus programas sociais e suas ações economicamente intervencionistas para se chegar a uma conclusão acertada. Não é possível colocar no mesmo escore governos como o de Tatcher e Reagan, por um lado, e de Chávez e Lula, por outro. A não ser que você queira, a exemplo deste último, ensinar (equivocadamente) política aos cientistas políticos.

 

O simples fato de defender “o acesso de todos à educação, saúde, moradia, segurança e dignidade”, caro MaC, não o torna um social-democrata, até porque outras correntes também advogam o mesmo. Aliás, hoje em dia, tais características tornam a social-democracia igual e não diferente em relação a tantas outras correntes. Também não há como ser um “Liberal social-democrata de esquerda". Isso seria um caldeirão explosivo de antagonismo. Um liberal não pode ser confundido com um social-democrata, que tem um pé na esquerda, se não os dois, nem muito menos com um esquerdista, que tem pé, mas que não anda, a não ser para trás.

 

Bi, a exemplo de JEE, diz não observar distinções entre esquerda e direita. Realmente torna-se difícil fazer tal distinção num país onde ser direita é ser poder; ser ruim é ser direita. Quando a culpa de tudo é destinada a um mesmo culpado desconfie, seja ele o neoliberalismo, o capitalismo ou a própria direita. O pensamento de direita têm seus tropeços, mas a esquerda tem o chão como habitat natural. Chega de colocar auréola na cabeça da esquerda e um tridente na mão da direita. Isso é distorcer a realidade. Concedo a ambos, Bi e JEE, uma forma básica de distinção entre os espectros acima mencionados, a saber: a esquerda é aparelhista e a direita comumente anti-aparelhista. Isto é, a esquerda é favorável a existência de um Estado gigantesco e interventor, especialmente economicamente, enquanto que a direita, pelo menos em sua autenticidade, tem aversão ao aparelho estatal. Lula, por exemplo, ampliou consideravelmente o tamanho do Estado ao aumentar a quantidade de ministérios e de cargos comissionados, logo não pode ser considerado de direita em hipótese alguma. Muitos dizem que o PFL é de direita. Sugiro que alguém proponha à cúpula de tal partido a necessária diminuição da quantidade de vagas para parlamentares para ver o que acontece.

 

No Brasil, caros leitores, a política foi reduzida a uma luta entre “a esquerda da esquerda e a direita da esquerda”, como diria Olavo de Carvalho em entrevista recente. Direita aqui somente serve para levar a culpa. Na última eleição presidencial o país assistiu a uma absurda batalha entre os candidatos para saber quem era o mais esquerdista. Na eleição que se aproxima não será diferente. Isso ocorre devido a tradição cultural brasileira ser completamente de esquerda. É isso que sempre irei combater. 



:: Escrito por: Camus às 10h49
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