Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Tudo por fazer

Não tenho tudo que preciso, mas procuro utilizar tudo que tenho: lápis, papel e uma reles imagem no céu; Não faço tudo o que gosto, mas me perco no gostar do que faço como correr em fuga do cansaço; Talvez não ame a vida como deveria, mas a amo sem dever, sem a imposição do ser; Quase sempre olho a lua, mas há tempos não a vejo em sua intimidade nua; Costumo presenciar o dia partir sem, no entanto, vê-lo regressar; Busco explicação num começo sem fim: em você sem mim; Sou marcado por idas, nunca voltas, perigo, nunca escoltas; Sou um pedaço contraditório: naus na terra e carros no mar, ventos alísios que não saem do lugar; Sinto falta de terminar uma poesia sem lançar à sarjeta o que escrevia, de fechar o livro sem esquecer o que lia, de concluir um sonho sem acordar, de lhe dizer o que sinto entre um gole e outro de vinho tinto, enfim, de falar sobre mim, sobre o que penso, sobre a leveza do denso; Sempre começo, mas nunca termino, sempre meço o infinito sem a passagem do rito; Perco a vontade de continuar e a continuidade do desejo, que sempre me abandona, me joga na lona; É hora de deixar, uma vez mais, tudo por fazer.



:: Escrito por: Camus às 13h22
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Direita e esquerda

No post datado do último dia 03, Claire Scorzi, mantenedora do blog que leva o seu nome, elaborou algumas exclamações referentes à política que me serviram de motivação para escrever o presente post.

 

Antes de iniciar minha explanação é preciso afirmar que Claire colocou o juvenília no rol dos blogs que ela consegue ler, bem como entre os blogs de direita. Pessoalmente acho que os rótulos ou dizem mais ou dizem menos, mas quase nunca dizem o que de fato é. Assim sendo, não me considero de direita, a não ser que ser de direita seja simplesmente não ser de esquerda. Uma coisa é certa, de esquerdista não tenho nada, mas se um dia vier a ter, por favor, não me levem a sério. Será um devaneio. Já tomei dessa droga e sei a devastação que ela me causou.

 

Primeiro se faz mister distinguir direita de esquerda. Até mesmo partindo de algo razoavelmente aceito no Brasil, a saber: os liberais são de direita e os socialistas/comunistas de esquerda, torna-se possível avaliar alguns exemplos. Clinton, ex-presidente norte americano, sempre foi tido como um indiscutível representante da direita, mas, no entanto, o Partido Democrata é obviamente de esquerda. Hitler é apontado como um carrasco de direita, certo? Respondam-me então o seguinte: a que agremiação partidária pertencia o aludido nazista? Seria um tal de Nacional Socialismo? Como um socialista pode ser de direita?

 

E quanto aos casos: neoliberalismo, FHC e Lula? Muitos dizem que o neoliberalismo, responsável até mesmo pela gripe dos frangos, é de direita. Dessa forma, se FHC e Lula são neoliberais, eles também são de direita, certo? Como considerar de direita, ou liberal, uma política econômica responsável pelo aumento da intervenção estatal na economia? Impossível! Meu Deus, isso é tão básico que não deveria ser alvo de discussão. Quem ler corretamente as cláusulas do Consenso de Washington nunca irá considera-lo de direita, a não ser que esteja alienado pelo pensamento dominante do país, que é... Adivinhem.... Não sabem? Ligue a tv, abra o jornal, vá à escola e descubra.

 

Estão achando o post chato, caros leitores? Então eis um impacto para acordá-los: FHC é socialista e não liberal, bem como Lula. Não acreditam? Olhem para as ações administrativas de cada um e verão o quão socialistas são. O partido de FHC pertence a Internacional Socialista! Só falta alguém dizer que os tucanos são espiões infiltrados na esquerda. É bom que se afirme o seguinte: FHC e Lula não se mantêm (pois já estiveram) juntos por um acidente de percurso, algo inclusive admitidos por ambos.

 

A dificuldade em definir os tipos de idéia ocorre porque há uma inversão da realidade empreendida por irresponsáveis. Os dicionários do pensamento de direita, por exemplo, são organizados por renomados homens de esquerda e, comumente, não contém os verdadeiros nomes da direita, mas homens psicóticos. Não me lembro de ter visto Hayek figurando em algum desses dicionários. Há também dois pesos e duas medidas. Fala-se em Pinochet, mas esquecem de Fidel Castro. Ambos são ditadores responsáveis por várias mortes, mas para infelicidade do primeiro ele não é de esquerda. Fala-se das ditaduras militares da América Latina, mas ocultam as tiranias comunistas do Leste Europeu. Elogiam assassinos como Guevara e ridicularizam homens de bem, como qualquer um que resolva se manifestar contrário à corrente de idéias de esquerda. Infelizmente tal realidade encontra-se longe de uma possível mudança. As escolas secundaristas e as universidades têm ao longo do tempo assumido o papel de verdadeiros centros de ideologização. Nesses lugares não se produz conhecimento, mas ódio. Os princípios éticos e morais de uma sociedade não são fortalecidos, mas sim destruídos. Não é por acaso, caros leitores, que a sociedade se encontra um caos.

 

Sugiro como leitura o seguinte escrito:

www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=4673



:: Escrito por: Camus às 15h23
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