
Então tu não sabes o motivo pelo qual ultimamente não tenho expelido palavras? O silêncio, por vezes, configura-se na voz da razão. Esta, caro amigo, fala até quando cala!
Não podemos nos calar, tampouco aceitar que nos calem, mas também necessitamos do silêncio, especialmente o mais profundo. A nossa importância é decretada quando conseguimos falar sem abrirmos a boca ou nos mantermos presentes estando ausentes. É preciso que estejamos com os olhos abertos quando os ponteiros do relógio apontam para o céu, uma vez que muitos estão dormindo, mas também podemos relaxar quando eles se direcionam para o lado oposto, quando a maioria olha sem nada ver.
Não se trata de omissão, apenas de uma temporária, terapêutica e consciente escolha. Afinal, as minhas cordas vocais também cansam, bem como os seus tímpanos.
O gozo silencioso é um gozo somente para si, mas é um gozo delicioso.
Tenho a honra de vos deixar, por hoje, diante do maior intelectual brasileiro em atividade, Olavo de Carvalho:
“O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium, aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você”.
O fragmento acima (rara pérola num mar obscuro) foi extraído do texto A tragédia do estudante sério no Brasil (http://www.olavodecarvalho.org/semana/060213dc.htm), publicado no dia 13 de fevereiro no Diário do Comércio. Mais textos podem ser vistos na página do autor, que se encontra com link ao lado.