
O que esperar do novo ano? “Que seja diferente do velho”! E há como ser igual? Não! Todos os anos têm suas especificidades que os tornam únicos e inimitáveis. Eis algo, em tempos de reprodução em massa, que não pode ser pirateado ou clonado.
Observo diariamente pessoas desejando umas às outras um feliz ano novo, por vezes, de maneira cínica ou ainda pela pura força do hábito. Mas o que de fato torna um ano feliz? Dinheiro? Saúde? Paz? Tudo isso, mas não somente isso. Para constituirmos tal tripé se faz mister fazermos muito mais do que desejarmos uns aos outros um enfadonho e redundante feliz ano novo, não acham? Afinal, um feliz ano não cai do céu, assim como um infeliz ano novo não emerge do inferno. É neste plano que as coisas acontecem.
Do ponto de vista político o ano que ora bate à porta poderá marcar o início do fim daquele que muitos acharam ser o messias. É bem verdade que seus rastros ficarão, certamente, marcados por gerações. De todo modo, o que parecia para os olhares desatentos ser um cordeiro tratava-se de mais um lobo. O que antes se dizia diferente agora busca pelo menos a condição de igual.
Nos últimos anos o país se tornou menos importante. As idéias, princípio das ações, que permeiam as mentes tupiniquins pertencem a um passado longínquo e infeliz. Ainda assim há quem chame o Brasil de país do futuro. Talvez por isso, muitos insistam em ter como objetivo de final de ano, desejar um feliz ano novo imaginando um dia chegar ao prometido e propalado futuro.
Economicamente o país não é mais a oitava economia do mundo. Isso não impede, por exemplo, a veiculação de propagandas oficiais mostrando resultados pífios como se fossem relevantes. Com a carga tributária do Brasil nem Hércules pode. O próprio governo vocifera que criou mais de 3 milhões de empregos nos últimos três anos, acontece que nos foi prometido 10 milhões em quatro.
Socialmente o país engoliu goela abaixo alguns programas jurássicos, embora nos tenham sido apresentado como futuristas. Venderam-nos a idéia de Jetsons, mas se tratavam dos Flinstones. Culturalmente o governo jogou milhos aos porcos do cinema nacional. Quanta porcaria cinematográfica foi produzida com o dinheiro público. A nossa educação é uma piadinha de quinta, que nos deixa anos luz de um país mediano. O Chile nos ensinaria muito se olhássemos para lá, mas somente temos olhos para Cuba, Venezuela e outras pequenas tiranias.
Voltando ao cinismo e ao mecanicismo quase automático da oferta de um feliz ano novo é possível concluir que vivemos numa interminável trama de faz de conta regada a carnaval, futebol e novela. Da mesma forma que muitos desejam feliz ano novo de maneira mecânica, outros dizem que vão fazer o impossível. O pior mesmo é saber que há ingênuos capazes de conceder crédito a essas asneiras que se autodenominam cavalos alados.
Quero, por fim, aproveitar o ensejo para desejar a todos que por aqui passaram, bem como para os demais integrantes do cosmo, um ano de atitude, seja ele feliz ou não. Se a felicidade é o fim de todos deve haver necessariamente um início. É isso que nos falta: um início ou, talvez, um reinício. Superem o plano da intenção, do desejo, da esperança. Se renovem, pois de nada adianta o ano ser novo e as pessoas se manterem velhas.
A coleção de pérolas do mandatário máximo do país é infindável. Infelizmente, ao contrário de pessoas que emitem frases geniais, o presidente Lula da Silva cospe, sempre que fala, gotículas de ignorância.
Recentemente, na honrosa companhia de Chávez (o ditador da vez), disse ele (com a mesma bazófia de quem um dia prometeu ensinar política aos cientistas políticos): “não estava escrito e previsto na sociologia que um retirante nordestino e torneiro mecânico chegaria à Presidência”. Dessa forma, muitos do que sempre o apoiaram foram reduzidos a fumaça.
Lula da Silva é especialista em falar sobre o que ignora. Deveria ele, antes de tecer afirmações, buscar a fundamentação necessária para tal, especialmente quando se considera o cargo que ocupa. Logo ele que critica a oposição por fazer acusações sem provas, lança ao vento afirmações sem nenhuma evidência. Não é de se desejar que Lula seja um intelectual, mas que tenha responsabilidade com relação ao que diz. Que o presidente continue expondo sua ignorância, mas que pare de agredir a inteligência alheia.
A sociologia brasileira, senhor presidente, com raras exceções, preparou o espaço intelectual para a chegada de alguém com o seu perfil, isto é, alguém advindo das profundezas do nada. A sociologia, constituída majoritariamente por intelectuais orgânicos de esquerda, por várias vezes torpedeou, como torpedeia, as ditas elites. Isso é notório, senhor presidente. Agora, de fato, é difícil esperar algo coerente de alguém que não tem bagagem teórica alguma.
É sabido que a sociologia, ao contrário do que imagina o presidente, sempre esteve à espera de um messias. Só não sabe quem não a conhece ou quem prefere ignorar tal fato. Assim, Lula da Silva reduziu a nada o decisivo apoio intelectual que lhe foi concedido por parte de vários sociólogos. Indaga-se, portanto, o que fará os sociólogos diante da afirmação do presidente? Respondo: absolutamente nada, além do deprimente silêncio de sempre em relação às atrocidades das esquerdas. Não me envergonho de ser sociólogo, mas sinto náuseas diante do posicionamento majoritário da sociologia, provavelmente, uma das áreas do saber que mais contribuiu para a pobreza do país.
Resolvi ser feliz e assim, me afastei por uns dias da vida comum. Contudo, regresso com uma alteração definitiva: não sou mais o mesmo. Àquelas roupas não mais me cabiam e resolvi jogá-las fora, pois nem mesmo os mendigos as usariam.
Seria um momento de comemoração máxima, afinal voltei a escrever, não fosse um daqueles reencontros absurdos que preferia não ter vivenciado, especialmente num momento de satisfação.
Há pessoas que contrariam todas as teses evolutivas e permanecem estacionadas num tempo que não volta mais. Foi uma dessas pessoas que reencontrei, após muito tempo sem vê-la. Passava eu despreocupado (há alguns dias não sei o que é se preocupar) por um logradouro qualquer, quando vejo duas mãos erguidas em gestos chamativos. Fiz que não vi, mas não havia como fingir não ouvir o meu nome ecoado de tal forma que seria capaz de aniquilar facilmente qualquer decibelímetro que se metesse a besta.
Parei e conversei com aquele ser parado, separado dos dias
Desculpe-me, mas não freqüento tais orgias. “Então você continua o mesmo”, disse-me ele balançando a cabeça negativamente. Restou-me questioná-lo, o que fiz da seguinte forma: “E você, “companheiro”, mudou”? O silêncio deixou a resposta não somente desnudada como de pernas abertas. Em seguida, olhei para o rosto que se encontrava estampado na camiseta dele. Ganha um chaveiro “juvenílico” quem adivinhar quem era.
Então, não sabem? Era o comandante Chávez, o que por si só demonstra quão atrasado se encontra o meu interlocutor, que incrivelmente se diz, concomitantemente, socialista e democrata. Não vou discutir o antagonismo existente entre os termos (quem quiser se aprofundar neste ponto, basta ler “O Caminho da Servidão”, de Hayek), mas apenas questionar o lado democrata do retrógrado ser em tela.
Muitos começaram a dizer que Chávez é um expoente da democracia, especialmente após o presidente Lula da Silva considerá-lo como “democrata demais” (ah, caros amigos, o Lula também forma opinião. Que perdição!). Vejam que democracia demais faz mal, segundo o ilustre presidente da república. Respondam-me, caros juvenílicos, como considerar democrata um ser que coíbe a liberdade de imprensa, um aspecto imprescindível para que um país seja tido como depositário de uma democracia? Como considerar democrata um país em que cerca de 75% do eleitorado não comparecem às urnas? Como considerar democrata uma Venezuela onde o voto não é secreto e, por conseguinte, votar contra Chávez é suicídio? Quem precisa de tirania com uma democracia como esta?
Agora, por fim, me respondam como comemorar minha volta diante da situação exposta? Ah, quanto ao interlocutor, tive que fazer uso da educação herdada de meus ancestrais mais longínquos e assim, o deixei falando sozinho.