Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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A mentira é um meio que nos levará ao FIM!

Os socialistas e comunistas tentam de todo modo se dissociarem do nazismo de Hitler, apesar de comunismo e nazismo serem coirmãos. Aliás, o partido ao qual Adolf pertencia se chamava Nacional Socialista. Há, porém, uma outra semelhança entre os mencionados irmãos, a saber, o uso constante da mentira como forma de atingir seus objetivos.

Joseph Paul Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, afirmou que "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade". Já o comunista Bertold Brecht disse "Quem luta pelo comunismo tem poder de lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade...". Vejam que ambos fizeram apologia à mentira e a utilizaram como meio para favorecer as causas pelas quais lutaram.

Pois bem, as mentiras propaladas no Brasil por admiradores e seguidores de tais correntes estão gradativamente adquirindo status de verdade. Tal ocorrência é por demais grave, uma vez que possibilita a inversão de valores proposta pelo ideólogo italiano Gramsci. Dessa forma, o que é inverdade passa a ser visto como verdadeiro e o que é nefasto como imprescindível. Quando uma sociedade tem seus valores invertidos ela fica desnorteada. Não é a toa que constantemente testemunhamos os mais variados absurdos.

Os detratores da verdade estão utilizando com freqüência nomes históricos para justificar suas sandices. Foi dito, por exemplo, que Martin Luther King era favorável às quotas raciais e que Mahatma Ghandi era um líder entorpecido diante de uma agressão, logo era por demais pacifista e, por conseguinte, favorável ao desarmamento. Muitos acreditaram e passaram a reproduzir tais absurdos, de tal modo que eles adquiriram a condição de verdades indubitáveis.

Enganam-se aqueles que pensam que Ghandi não reagia diante de agressões e que ele era totalmente desarmamentista. Reproduzo abaixo algumas frases extraídas de sua autobiografia e traduzidas por Percival Puggina em artigo recente. "Entre as muitas coisas malfeitas durante a dominação inglesa na Índia, a história apontará o ato de impedir uma nação inteira o acesso às armas como a pior". Ao seu amigo Sardar Patel, disse Ghandi "Quando a operação em Kashmir começou, eu me senti orgulhoso, e a cada aeronave que partia com materiais, armamentos e munições para o exército, eu me sentia assim". A estas palavras ele acrescentou o seguinte: "Qualquer injustiça ou intromissão em nossa terra deve ser defendida com violência, se não com não-violência...". E então, seria Ghandi um defensor voraz do desarmamento?

É sabido que Martin Luther King empreendeu incessante luta contra o racismo. Diante disso, os mentirosos de plantão reiteradamente relacionam King com a defesa das quotas raciais, algo que ele condenou veementemente em seu famoso discurso "My Dream". Lembremos então o que consta, em síntese, neste discurso. King começa enaltecendo a Constituição americana, que prega o tratamento isonômico das pessoas, considerando-as iguais perante a lei. Em seguida condena os atos de violência contra os negros. Para que se tenha uma idéia, foi necessária uma tropa de choque e alterações na Constituição americana para que os negros tivessem acesso às universidades na década de 1960. Observe que nada disso confere a King à condição de defensor das quotas. Por fim, King apresenta a passagem mais famosa e importante, ao dizer que tinha um sonho de que seus quatro filhos iriam um dia viver em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo do caráter. Dessa forma, King demonstrou claramente ser contrário as quotas e não a favor, uma vez que ele priorizou o mérito e não a cor. Espero, caros leitores, que vocês tirem suas próprias conclusões acerca do exposto. Não se deixem enganar por especialistas em mentiras. Duvidem daqueles que mentem para vocês, bem como das suas intenções e causas.



:: Escrito por: Camus às 17h33
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Desculpas para que te quero?

Mal passou o resultado do referendo que evidenciou a acachapante derrota dos desarmamentista, estes, tentando justificar a ausência de êxito, começaram a lançar ao vento, pelos mesmos canais em que foram lançadas as mentiras pró-desarmamento, desculpas esfarrapadas que só convencem pessoas com excesso de ingenuidade ou escassez de inteligência. Segue abaixo duas das desculpas reiteradamente utilizadas nos últimos dias, bem como uma breve análise sobre cada uma delas.

A primeira desculpa é a de que a campanha do "SIM" não tinha dinheiro, ao contrário da campanha do "NÃO". É necessário perguntar: aonde foi parar o apoio das fundações Rockfeller e Ford e do Open Society Institute? E o auxílio multimídia das Organizações Globo, tão evidenciado pela jornalista Glória Maria ao anunciar o resultado do referendo? A maior parte dos elementos persuasivos desse país, intelectuais, artistas, mídia, dentre outros, estava ao lado da campanha do "SIM", logo, não há como se queixar de apoio logístico. Em favor do "NÃO" estavam, basicamente, veículos independentes como os blogs. Foi, indiscutivelmente, uma luta de Davi contra Golias. O que determinou a vitória do "NÃO", apesar de todo o apoio à campanha do "SIM", foi o fato das pessoas não confiarem suas vidas ao estado.

A segunda desculpa, por seu turno, advogou que a pergunta do referendo incitava as pessoas a votarem "NÃO", mesmo intencionando votar "SIM". O curioso é que essa alegação somente veio à tona após o resultado do referendo, embora a aludida pergunta tenha sido elaborada há meses. Se o "SIM" tivesse ganho a consulta popular é de se duvidar que houvesse tal pretexto. De todo modo, vamos à pergunta: "O comércio de armas e munição deve ser proibido no Brasil?" Se de fato houve uma incitação foi justamente para que as pessoas votassem "SIM" e não o contrário. Vamos destacar os verbos da pergunta e observarmos que sensação nos ocorrerá: O comércio de armas e munição deve ser proibido no Brasil? Para que a oração evidencie uma tendência imperativa basta extrairmos o sinal de interrogação e adicionarmos um sinal de exclamação: O comércio de armas e munição deve ser proibido no Brasil! O contrário disso e, por conseguinte, a incitação ao "NÃO" seria: O comércio de armas e munição não deve ser proibido no Brasil! Portanto, a pergunta leva às pessoas a ter como resposta o "SIM", ao contrário do que foi alegado, de modo que os enganos deve-se muito mais a má interpretação da pergunta. Se investíssemos, por exemplo, corretamente em educação não teríamos espaço para as supostas incompreensões. Ademais, para os que acham que o "SIM" foi prejudicado por ser a opção de número dois e não a de número um é pertinente afirmar que houve, na presença de representantes do SIM e do NÃO, sorteio para a definição da ordem das opções.

Por fim, quero lembrar que os proponentes do referendo são os mesmos que votaram o Estatuto do Desarmamento e que fizeram parte da campanha do "SIM". A avassaladora frustração dos participantes da campanha do "SIM" deve-se à certeza que tinham da vitória, tanto é que aprovaram o referendo. Se algo os fizesse acreditar que o resultado do referendo seria esse, eles nunca teriam ouvido o povo.

Os defensores do desarmamento das vítimas estão querendo desqualificar o resultado do referendo, embora tenham sido eles os criadores, simplesmente por este não ter atendido aos seus anseios. Você pode até discordar das pessoas que votaram na opção contrária à sua, mas designá-las de idiotas, como fez Luís Fernando Veríssimo, é uma atitude baixa e antidemocrática, já que não respeita a opinião alheia.



:: Escrito por: Camus às 17h09
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“Entre um pingo e outro a chuva não molha”

Mesmo num país detentor de índices cavalares de atraso e repleto de idéias estapafúrdias, a saber, por exemplo, o desarmamento civil (ou melhor das vítimas), as quotas raciais e o método cubano (guerrilheiro) de alfabetização, é possível acreditar em dias melhores, embora saibamos que entre acreditar e acontecer há um fosso maior que o existente entre os mais ricos e os mais pobres.

Nos últimos dias fui testemunha ocular de três acontecimentos que regaram a pequena flor de esperança que ainda há em mim. E isso, como é por demais previsível, não partiu de nenhum governo, mas de pessoas simples; de nenhum governante, intelectual ou ator, mas de pessoas que talvez nem votem, que nem sabem o que significa a palavra intelectual e, por fim, que não encenam, apenas vivenciam a realidade.

Um mendigo lia um livro em voz alta, enquanto um cinegrafista flagrava a cena, posteriormente divulgada na TV. Num país detentor de um astronômico índice de analfabetismo, que atinge até o presidente, presenciar um mendigo lendo é no mínimo surpreendente. É de se indagar: se o mendigo, apesar de todas as suas dificuldades, consegue atingir a instrução, a melhoria, a satisfação, por que o país não pode? Não fosse o imenso domínio de uma classe política viciada e retrógrada sobre os destinos da nação, eu diria que o país poderia nos ofertar boas lições, a exemplo desse mendigo, mas infelizmente o podre acaba por sucumbir o límpido.

Também presenciei um grupo de maltrapilhos amontoados numa calçada. Havia um casal ligeiramente afastado dos demais integrantes do grupo. O homem recitava uma poesia à mulher. Ao fim da exposição daquelas palavras, disse o romântico maltrapilho: "Eu te amo minha nega (só faltou algum idiota acusá-lo de racismo). Tá vendo aqueles pontinhos piscando no céu? É tudim pra tu!". Apesar da fome, sede, total ausência de perspectivas, ainda é possível demonstrar o que se sente por alguém. Isso é impagável, especialmente num mundo insensível, num país vendido a interesses absurdos. É nessas horas que o realismo é substituído por um otimismo, mesmo que cambaleante.

Por fim, presenciei a vitória do "NÃO" no referendo realizado no último domingo. Apesar da visível distorção dos fatos em favor do "SIM", todos os estados da federação foram unânimes em defender o seu direito à autodefesa. O que demonstra que o "gado" pode sim se livrar do cabresto.

No próximo post comentarei as desculpas esfarrapadas que estão sendo utilizadas pelos derrotados, inclusive àquelas emitidas por um desses escritores da moda: Luís Fernando Veríssimo, tão influente quanto intelectualmente desonesto.



:: Escrito por: Camus às 13h33
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Se as análises fossem imparciais...

Quando se busca analisar o real deve-se ter como norte a imparcialidade. Mas é possível ser rigorosamente imparcial? Os centros de informação têm buscado tal intento? As opiniões emitidas são conseqüências de uma investigação dos fatos?

A parcialidade se encontra alojada inconscientemente em nossa forma de pensar, de modo que costuma respingar em nossas análises, tornando-as viciadas. Se me disserem que a neutralidade é inatingível, eu digo que cabe ao analista se aproximar ao máximo dela.

Vamos a um exemplo ilustrativo. Quando alguém escolhe um objeto de estudo a ser explorado numa monografia, o simples ato de escolher já sugere uma certa parcialidade, uma vez que foi exposto uma predileção por um determinado assunto. Mas ao contrário do que se pode imaginar é possível se fazer uma escolha imparcial. Quando, por exemplo, digo-lhes que sou favorável a permanência do comércio legal de armas e munição no Brasil, estou opinando de maneira imparcial, tendo em vista que não teria motivos, que não a visualização dos fatos, de me colocar desta forma. O que estou advogando é que, normalmente, as escolhas se baseiam em valores, paixões, ideologias e assim, por conseguinte, tendem à parcialidade, o que compromete deveras a análise. Por isso, ao se emitir uma opinião, o analista precisa obrigatoriamente se basear em fatos e não em interesses particulares.

É sabido que no próximo domingo haverá o referendo que definirá se o comércio de armas e munição vai ou não ser coibido. A autodefesa é um imprescindível direito, inclusive garantido pela carta magna brasileira. Portanto, trata-se de uma discussão importante que requer o máximo de imparcialidade. Mas, infelizmente, não é o que se observa. O que tem acontecido até então, é uma guerra de interesses, de modo que a maior parte das análises concernentes ao desarmamento se encontra viciada.

As informações apresentadas às pessoas são muito menos científicas que ideológicas e emocionais. Os meios de comunicação não estão preocupados em expor a realidade, mas meramente em defender determinados interesses. Quem, ao invés de verificar os fatos, advoga interesses sempre estará apresentando uma versão distante da realidade.

Por um lado há a indústria de armas que, indiscutivelmente, tem o desejo de continuar vendendo suas armas, como o padeiro tem interesse em vender pães e farmacêutico em vender remédios. Mas, quais seriam os interesses dos defensores do desarmamento? Aliás, quais são os interessados? As pessoas não podem votar sem elaborar estes questionamentos. É preciso que os eleitores saibam que grandes empresas de mídia, planejadores sociais da ONU, ONGs bilionárias a serviço de George Soros e fábricas estrangeiras de armamentos interessadas em desmantelar a indústria nacional de armas, algumas planejando tornar-se detentoras monopolítisticas do ramo da segurança privada, não estão apoiando a campanha do "SIM" gratuitamente.

É necessário entender que ideologia política e interesses econômicos apoiam a proibição. É de se perguntar o que governos como o da Grã Bretanha, institutos como o Open Society Institute e Fundações como a Rockfeller e a Ford estão querendo ao apoiar o desarmamento. Não pensem, caros leitores, que essas instituições estão investindo gratuitamente, baseada num mundo melhor, pacífico. Não sejamos tão ingênuos.

Eu, por exemplo, não tenho a menor intenção em adquirir uma arma. Não vivo da venda de armas nem sequer conheço alguém que dependa disso. Por isso, ao me decidir pelo "NÃO", estou sendo imparcial, ao contrário de intelectuais, atores, meios de comunicação, dentre tantos outros. Durante mais de um ano tenho escrito posts sobre o desarmamento, sendo que em nenhum defendi interesses escusos, pelo contrário, me baseei na realidade dos fatos.

Perder tempo discutindo algo tão óbvio, como a autodefesa, é um luxo que nos leva ao lixo. Milhões serão gastos com o referendo, quando deveriam ser investidos em segurança. Mas o país nunca investiu o dinheiro público de maneira correta, como o faria agora?



:: Escrito por: Camus às 16h18
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Sempre Sim

(Thedy Corrêa)

Eu quero te pedir um tempo
Sem afastamento
Na verdade eu quero um tempo pra nós dois
Vamos sair pra dançar
Sair para conversar
Quem sabe caminhar e o resto a gente vê depois

O que te faz pensar que eu quero tanto assim?
Será que eu vou sentir saudade?
Saudade que não tem mais fim

Sim, é sempre sim
A resposta é sim
Sempre sim
E sendo assim
Eu quero ser para você
O que você é para mim

É sempre sim
A resposta é sim
Sempre sim
E sendo assim
Eu quero ser para você
O que você é para mim

Eu quero te pedir que deixe a porta aberta
Eu quero entrar em sua vida
Entrar em seus lençóis
Vamos começar de novo
Sem ressentimentos
Faz de conta que já desatamos os nós



:: Escrito por: Camus às 10h06
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Quando você acontece

Em cada passo noturno há um salto de luz; Em cada leve olhar há um morada dos deuses; Entre uma e outra paisagem escura há uma límpida lembrança; Ando quando os ponteiros estão inertes; Ergo-me da prisão quando as folhas se lançam em queda livre; A velha noite me lembra de esquecer as mágoas de um dia de infantilidades; Descubro que não é acelerando os passos que se alcança os calcanhares do futuro, mas qualificando-os; Busco respostas, mas elas se afugentam em teus cabelos azuladamente negros; Encontro saídas no olhar cego dos guias, que guiam a inspiração de um ser improdutivo; Confuso, sou mastigado pela boca desdentada de um túnel; E assim, quando pareço encontrá-la, me perco na esquina das tuas pernas; Minha morosidade soprou tuas pegadas para debaixo do tapete do tempo; Mas na noite tudo acontece, inclusive você.



:: Escrito por: Camus às 16h40
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Seria o referendo democrático?

Uma das principais armas utilizadas pelos desarmamentistas (o aparente antagonismo é proposital) é a reiterada alegação que confere ao referendo do dia 23 de outubro, um caráter democrático. Sinto muito desapontar aos que assim pensam, mas evidências contrárias saltam aos olhos.

Comecemos pela pergunta do referendo: "O comércio de armas e munições deve ser proibido no Brasil?". Por que não perguntar, por exemplo: A segurança deve ser destinada somente aos detentores de alto poder aquisitivo? Sei que as pessoas que comprovarem a necessidade de portar arma poderão adquiri-la, mas tenho dúvidas se alguém conseguirá romper a barreira burocrática para tal, especialmente, os menos favorecidos que, certamente, não terão como custear o processo aquisitivo. Observem que a pergunta é por demais capciosa, logo nada tem de democrática, uma vez que incuti as pessoas a um determinado posicionamento, ao invés de deixá-las livres para tomarem suas próprias decisões.

Caso o resultado do referendo seja favorável ao fim do comércio de armas e munições, o brasileiro terá o seu direito de autodefesa caçado, apesar deste ser garantido pela carta magna tupiniquim. Como conferir ao referendo a condição de democrático, uma vez que ele possibilita e até incita a cassação de um direito garantido pelo documento máximo de uma nação? Democracia não consiste em extrair direitos, mas em garanti-los.

Os senhores deputados continuarão com seus seguranças, os criminosos permanecerão armados, já o povo dependerá exclusivamente da proteção dos céus. Assim, o fosso entre os detentores de segurança e os que não a tem será absurdamente ampliado. Um referendo que desembocará num corte social perverso como este pode ser considerado democrático? Fico a pensar por que os desarmamentistas não dão um bom exemplo à nação e abdicam de seus seguranças armados. Por que a Globo e os nossos excelentíssimos representantes, para ficar somente em dois exemplos, não abrem mão de seus seguranças particulares? Se as armas são tão nefastas à sociedade, os desarmamentistas não deveriam se livrar delas?

O povo decidirá somente sobre o artigo 35, da Lei 10.826 de 2003, enquanto que os demais artigos já foram definidos por aqueles que se dizem nossos representantes. Então, é democrático um processo que permite ao povo definir um artigo de uma lei, enquanto que os demais já foram definidos pelos políticos?

Em tempo vos afirmo não ser contrário a consultas populares. Aliás, tais consultas são cada vez mais comuns nos países culturalmente maduros e têm contribuído para o fortalecimento da democracia. Na Austrália se decidiu a idade mínima do Serviço Militar, enquanto que na Suíça decidiram o horário de fechar as portas de hotéis. Agora, sinceramente, acho que se for para fazer consultas populares deveríamos começar discutindo assuntos mais relevantes: o salário dos professores, os serviços públicos, a corrupção, dentre outros igualmente importantes, e não aceitar que o estado, através de uma inteligente manobra de massas, venda ao povo a falsa idéia de que são as armas de fogo as responsáveis pela violência e assim, demonstre estar adotando providências contra a criminalidade, quando na verdade esconde sua incapacidade de lidar com o problema da violência.

O estado ao afastar de si a responsabilidade, a transfere para as vítimas, por intermédio de uma pergunta capciosa. No futuro, quando a violência e a criminalidade não diminuírem, sempre será dito que a vontade do povo foi cumprida.

Num país em que o presidente da república afirma que a Venezuela é democrática, ou melhor, é excessivamente democrática, conceder a tal referendo o caráter de democrático é fichinha.



:: Escrito por: Camus às 14h23
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E se eu tivesse indeciso?

Há pouco mais de uma semana teve início a propaganda eleitoral destinada ao referendo, que definirá se o comércio LEGAL de armas e munições será proibido no Brasil. Todos sabem qual a minha opinião, exaustivamente justificada neste blog. Todavia, assistindo aos programas, me submeti a um exercício, a saber, me fiz (ou tentei) passar por indeciso para verificar até que ponto os argumentos de ambos os lados me levariam. Resultado: não me levaram a lugar algum, que não ao que eu já me encontrava.

Enquanto a campanha do "NÃO" apresentou justificativas condizentes com a realidade, a campanha do "SIM", por sua vez, pareceu-me se referir a uma realidade lunar, tamanha a distância em que se encontra do nosso cotidiano. Os defendentes do "SIM", ao atirarem mentiras para todos os lados, como se fossem balas perdidas, me convenceram ainda mais a votar "NÃO", e é provável que a outras pessoas também, desde que não sejam seres lunáticos.

Trata-se de uma campanha absurdamente mentirosa, que irresponsavelmente distorce dados sem dó nem piedade. Aliás, tal distorção é tão exacerbada que tem desembocado em contradições primárias. Culpar o cidadão de bem pela maior parte das mortes ocasionadas e atribuir às mortes motivos fúteis é abusar da ingenuidade das pessoas. Eu, sinceramente, esperava me deparar com mentiras, mas não com um bombardeio de cinismo. Os argumentos apresentados pela campanha do "SIM" não se sustentam diante da menor prova, basta para tanto, olhar em volta e verificar o que ora afirmo.

Outro motivo que reforçou ainda mais a minha posição em votar "NÃO" foi saber que os artistas irão votar "SIM". Nunca vi classe tão imbecil, logo, não merece que eu a siga. Talvez seja boa em encenar, compor, pintar, cantar, mas, definitivamente, quase sempre se encontra orquestrada, de modo a defender interesses pueris e que fazem mal a sociedade, como a eleição do Lula, por exemplo. É triste conceber que um homem como Chico Buarque, capaz de palavras formidáveis, seja defensor de absurdos já reprovados pela história. O mesmo ocorre com Bertolt Brecht, autor de palavras que atingem o coração, mas também capaz de afirmar o seguinte: "Quem luta pelo comunismo tem de poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade" Eis a lógica da campanha do "SIM": "dizer a verdade e não dizer a verdade". Enfim, sempre segui rumos contrários aos da esquerda, aos dos artistas, aos do MST e PT, aos do Lula, dentre tantos outros, uma vez que duvido da intenção dessa gente.

Bem, se eu tivesse indeciso teria me decidido pelo "NÃO", tamanho os despautérios anunciados pelo "SIM". Os promovedores desta campanha, pelo que vi, não estão satisfeitos em caçar somente o nosso direito de autodefesa, querem também, nos privar de inteligência ao anunciar tantas falácias.



:: Escrito por: Camus às 15h07
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Amor Quente

Cazuza / Humberto Gessinger / Renato Ladeira

Preto no branco
Amarelo, um pouco de azul
Noite estrelada
Peito feliz

Olho no olho
Pintura a quatro mãos
Tintas claras
O mesmo cigarro
Isso é amor
Amor quente

Água de coco pra dois
Porta do carro aberta
Vento morno da areia
Palavras mentirosas
Isso é amor
Amor quente

Cama de casal
Luz bem baixinha pra ver
Gemidos de dor e alegria
Sair de si por três minutos
Isso é amor
Amor quente

Supermercado, escolher iogurte
Fazer compras juntos
Brigar por besteiras
Isso é amor
Amor quente

Tomar café, banho, brisa
Champanhe, tristeza, beleza
Cremes, músicas, sucos, água
Drogas, fumo, passar perfume
Isso é amor
Amor quente



:: Escrito por: Camus às 11h49
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O joio e o trigo

Dentre os comentários feitos ao post anterior, encontra-se um assinado pela Dri, a eterna responsável pelo blog Tabor. Ela elaborou basicamente duas indagações, quais sejam, "o que é filósofo" e "o que é intelectual?" O presente escrito versará sobre tais pontos por considerá-los importantes à discussão introduzida.

Penso que já respondi a primeira pergunta, uma vez que expus, ainda que em forma de sinopse, o que é a filosofia e o que muitos dizem sê-la. De todo modo, parece-me válido acrescentar o seguinte, utilizando as palavras do jornalista Janer Cristaldo: "Para mim, filósofos foram os homens que criaram sistemas filosóficos, Platão, Sócrates, Aristóteles, Kant, Hume, Descartes, Hegel, Schopenhauer...". "No Brasil a moda pegou e hoje qualquer professorzinho de Filosofia já se intitula filósofo ao assinar um artigo", conclui Cristaldo. Por fim, banalizaram o sentido da filosofia.

Ao longo da história vários teóricos discutiram o conceito e, especialmente, o papel dos intelectuais na sociedade. Eu, para tanto, tomarei como base o ideólogo italiano Antonio Gramsci. Este personagem nunca esteve no Brasil e partiu desta, certamente, para uma pior há mais de cinqüenta anos. A maioria dos brasileiros se quer o conhece, mas segue inconscientemente seus ensinamentos (espero voltar a este ponto, num post futuro).

Os intelectuais, segundo Gramsci, ocupam um papel expressivo na sociedade. Para Gramsci, o que caracteriza um intelectual é o seu posicionamento em relação à causa revolucionária. Haveria, portanto, intelectuais proletários e burgueses, respectivamente, favoráveis e contrários à revolução.

Gramsci classificou os intelectuais em dois tipos. São eles: orgânicos e inorgânicos. Estes são caracterizados como desprovidos de uma ideologia de classe, emissores de idéias ignoradas pelas massas, de modo que não exercem influência no processo histórico, culminando assim, no ostracismo a não ser que venham a aderir a uma das correntes orgânicas. Aqueles, por seu turno, são detentores das seguintes características: são conscientes, independente de terem ou não vinculação formal com movimentos políticos, de sua posição de classe e buscam elaborar, esclarecer e defender sua ideologia de classe.

Considerando que para Gramsci a tarefa do intelectual é elaborar e difundir uma ideologia, é possível afirmar, por exemplo, que artistas globais e dançarinas famosas que, por pouco não expõem o sexo, desde que propalem uma ideologia, são mais intelectuais que qualquer intelectual sério, que observa e analisa os fatos, ao invés de moldá-los com o fim de satisfazer uma causa. Eu, se me fosse dada a chance de ser um intelectual, não tenho dúvida, seria um intelectual inorgânico com o maior prazer.

Enfim, e respondendo à segunda pergunta, caberia ao intelectual observar os fatos com o olhar clínico que é inerente à sua condição e, diante disso, compreendê-los e interpretá-los, sem, como já exposto, o uso de ideologias, que só distorcem a realidade em favor de ideais estapafúrdios. Infelizmente, os "intelectuais" brasileiros são cada vez mais orgânicos, no sentido ofertado por Gramsci ao termo. Os que se dizem intelectuais no Brasil, nada mais são que elaboradores e difusores de ideais já reprovados pela história. Não vou aqui divulgá-los, para evitar possíveis decepções, mas vos deixo uma pista, qual seja, os falsos intelectuais, normalmente, são os que vendem mais livros, os que são mais cortejados. Espero, porém, que vocês, caros juvenílicos, passem, se já não o fazem, a distinguir o joio do trigo.



:: Escrito por: Camus às 14h34
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