
Considero que não há especialistas em amor, logo sinto-me credenciado a tecer alguns comentários sumários acerca do mesmo. Eis algumas indagações que no meu entender são por demais pertinentes: Por que as pessoas insistem em definir o amor? Por qual motivo reiteradamente falam na constituição de uma suposta fórmula ou conjunto de regras que condicionariam à felicidade amorosa?
Digo-lhes de já, que tais empreendimentos não atingem o seu fim, visto que não há definição (tamanha a diversidade dos significados contidos até mesmo nos mais completos dicionários) nem fórmula para o amor (embora existam tipologias: amor platônico, amor carnal, que por si só demonstram a vastidão deste sentimento). A grandeza e complexidade do aludido sentimento impedem que tais fins sejam alcançados.
Os estudiosos tentam tornar inteligível todos os acontecimentos que nos cercam, mas no caso do amor, vêem suas teorias se desmancharem no ar sempre que alguém ama. Também é comum nos complexos sociais o estabelecimento de regras que visam determinar o comportamento das pessoas, mas no que se refere ao amor as regras não se sustentam à menor prova. Os que tentam tornar o amor inteligível fazem sucesso não por consegui-lo, mas por falarem de algo envolvente. O amor é uma manifestação espontânea e não condicionada, voluntária e não impositiva.
Os que insistem em moldar o amor fecham os olhos para duas constatações ululantes: (i) Definir o amor é limitá-lo, é impedir que ele se manifeste de outra forma que não a exposta e (ii) determinar fórmulas ou regras é desconsiderar as particularidades de cada caso. Não nos cabe, diante da existência do amor, torná-lo inteligível mas sim apreciá-lo, já que ele se encontra fora de um patamar racional. Não é aconselhável racionalizar o sentimento, nem sentimentalizar a razão.
O amor é um sentimento, logo é pra ser simplesmente sentido e não compreendido. É pra ser vivenciado em sua plenitude e não analisado de maneira meticulosa. É pra ser gozado numa cama ou mesmo no chão, como diria Drummond, e não ser relatado num divã, para alguém que não consegue explicar nem mesmo o que se passa consigo, imagine com os outros.
Enganam-se os que visando conquistar ou manter o amor estabelecem intervenções, sejam elas quais forem. Se houver, no que você sente por alguém, qualquer tipo de determinação, saiba que não se trata de amor. O amor é por natureza livre, de modo que toda medida "artificial" o prejudica, mesmo que a intenção seja intensificá-lo. De boas intenções o mundo está repleto e, no entanto, vejam como ele se encontra.
Digo, portanto, aos que amam ou desejam amar, que o amor não requer nenhum tipo de medida lógica para sua manifestação (excetuando é claro, a necessidade da busca de contatos, visto que não amamos o que desconhecemos completamente, isto é, não se ama o que se é completamente anônimo) já que ele é ilógico. É possível amar, por exemplo, um admirador ou admiradora secreto(a), já que se sabe que ele ou ela existe.
Olhando para o presente escrito concluo que abandonei minha condição de "rocha", como vociferam os que se dizem meus amigos. No mais, trata-se de mais um escrito que pertence mais ao juvenília que a mim. Espero com isso ter deixado alguma mensagem sobre o tão propalado e pouco vivenciado sentimento. Sei que não fui o primeiro, nem tampouco serei o último a confabular sobre o amor, mas sou a partir de então, alguém que também teceu comentários a respeito deste vultoso sentimento.
À guisa de conclusão é válido afirmar que por mais que se busque saber sobre o amor, sempre seremos leigos. Em se tratando deste sentimento mais valem dez segundos de atenção do que dez anos de estudos. Aos que têm o privilégio de senti-lo: sintam-no verdadeiramente sem preocupações com o que ele venha a ser.
O post anterior apresentou à luz de estudos empíricos desenvolvidos em outros lugares, especialmente nos EUA, o cenário que possivelmente se constituirá, caso o sistema de cotas raciais seja consolidado no Brasil. Agora pretende-se pontuar algumas questões pertinentes sobre a temática em tela.
A principal justificativa utilizada pelos defensores das cotas raciais para implementá-las no Brasil, passa por uma suposta dívida social para com os negros, que deve ser paga através da correção de efeitos presentes decorrentes de atitudes pretéritas. Assim, as cotas seriam uma forma de corrigir as injustiças cometidas aos negros no Brasil. Mas será justo os atuais constituintes das sociedades pagarem pelos possíveis erros cometidos pelos seus predecessores? Dito de outra forma, seria correto um filho pagar uma dívida contraída pelo seu genitor? Constata-se sem muito esforço que a justificativa para adoção das cotas não se sustenta a menor prova. De todo modo, mesmo que haja a implementação de um sistema preferencial de raças no Brasil, ainda assim será possível observar duas ordens de ocorrências, sendo uma a curto e outra a médio prazo: a fomentação do ódio e o insucesso das cotas.
O Brasil dispõe de uma bem sucedida forma de integração racial, em que pesem os esforços divisionistas fomentados pelos patrocinadores da "affirmative action" no país. Gilberto Freyre já chamava a atenção para a prevalência do fator cultural em detrimento do apego ao sentimento de raça, motivo do sucesso brasileiro, que deveria ser exportado a outros países. É óbvio que há discriminação, mas não se compara com a existente nos EUA, onde existiram Ku Klux Klan e que até em 1960 negros não podiam freqüentar lugares exclusivos para brancos. Ademais, as cotas ao invés de combater, fomentam a discriminação. A partir do momento que se tornar corrente pessoas com melhores desempenhos perderem suas vagas em universidades e empresas para outras com performance inferior, simplesmente por estas terem mais melanina no corpo, a fábrica de ódio será instalada e funcionará em pleno vapor.
As cotas raciais também não tornam a situação social dos negros melhor, como é comumente propalado por seus defensores. Na verdade as ações afirmativas beneficiam os membros mais ricos das minorias. Nos Estados Unidos, entre as décadas de 1960 e 1990 (maior parte desse período pertencente a era das ações afirmativas), estatísticas apontam que os vinte por cento de negros mais ricos tiveram suas rendas acrescidas em taxas similares aos dos vinte por cento de brancos mais ricos. Por outro lado, os vinte por cento de negros mais pobres se depararam com uma queda em suas rendas para menos da metade da renda dos vinte por cento de brancos mais pobres.
Antes as ações eram indiscutivelmente legítimas, uma vez que tinham o propósito de combater o preconceito racial, hoje elas servem apenas para criar um novo tipo de discriminação, já que edificam uma rede de preferências étnicas e raciais. Outros grupos tidos como minorias conseguiram ascender socialmente sem a necessidade de cotas, logo os negros também podem.
Se não barrarem essa insanidade, logo chegaremos ao dia em que os negros terão vergonha de ser negros, pois a cor de sua cútis será vista como atestado de incompetência.
O Brasil é um país especialista em reproduzir (sem reciclar) o lixo dos outros, sobretudo o norte-americano, achando ser luxo. Ademais, os homens desse torrão conseguem burlar o improvável e ofertar uma versão piorada ao que já é medíocre. As propaladas ações afirmativas se enquadram perfeitamente no exposto.
O que seriam as ações afirmativas, além de uma terminologia da moda? Tratam-se, na pertinente definição de Marcelo M. Coelho, de "políticas públicas e privadas, de caráter temporário e especial, tomadas ou determinadas pelo Estado com o intuito de combater as discriminações raciais, de gênero e de origem nacional". Sua finalidade medular é, em síntese, implementar uma maior igualdade material.
Baseado em estudos empíricos desenvolvidos em lugares onde as ações afirmativas já foram empreendidas é possível se antecipar aos acontecimentos que nos avizinham, já que o país caminha para a aplicação de um sistema de preferências raciais. Diante disso será possível observar a distância que há entre a realidade dos fatos e o que comumente é propalado pelos defensores das cotas raciais, objeto do presente post.
Embora as cotas sejam por definição temporárias e especiais, na prática elas se tornarão permanentes e beneficiarão grupos cada vez maiores, como se constata no livro "Ação Afirmativa ao Redor do Mundo: Um Estudo Empírico de autoria, de Thomas Sowell. As universidades, ou os professores diminuirão o nível de dificuldade das provas, ou ainda atribuirão aos alunos beneficiados com cotas, notas superiores às que eles merecerão. Muitos estudantes negros, como fazem os do M. I. T. nos EUA, constatarão que os demais discentes irão rejeitá-los como parceiros de trabalho ou de grupos de estudos, já que serão tratados como inferiores, por carecerem de um benefício para ingressarem na faculdade. Assim, mesmo que alguém seja capaz de obter resultados satisfatórios em seus empreendimentos, a simples existência de melanina em sua pele fará com que ele seja estigmatizado como um medíocre.
As pessoas que se enquadrarem no perfil beneficiado tenderão a acomodação, uma vez que não será necessário empreenderem esforços para obterem uma melhor qualificação, preferindo esperar serem presenteadas por algum tipo de ação afirmativa. Caso o governo resolva, por exemplo, conceder incentivos fiscais ou vantagens em licitações às empresas pertencentes ou que contratem negros, os proprietários de empresas que não se enquadrarem no rol dos beneficiários colocarão negros como proprietários de fachada (laranja), visando assim fechar contratos governamentais.
A população negra irá aumentar assustadoramente, já que muitos irão se declarar negros para serem beneficiados pelas cotas. Thomas Sowell afirma que em 1960 havia nos EUA cinqüenta mil índios com idade entre 15 a 19 anos. Já em 1980 havia oitenta mil índios com idade entre 35 a 39 anos, ou seja, trinta mil pessoas que não se declararam indígenas em 1960, passaram a fazer isso em 1980, visando serem contempladas com algum subsídio estatal.
Conclui-se o óbvio, isto é, da mesma forma que o desarmamento civil (um outro lixo) aumenta o índice de homicídio ao invés de reduzí-lo, as ações afirmativas em forma de cotas raciais aumentam a discriminação e incitam o ódio ao invés de combatê-los. Trata-se de algo por demais perigoso e retrógrado, capaz, inclusive, de gerar desarmonia onde as diferenças convivem relativamente bem, sobretudo, quando comparadas com outros casos. O próximo post voltará ao assunto.
Diga-me como encontrá-la, tão pequena, num mundo tão vasto? Como derrapar em suas sinuosas curvas em épocas de retidão? Enfim, como visualizar sua simplicidade de menina, na complexa caduquice dos costumes? Restava-me andar aleatoriamente, mesmo que, por vezes, em reiterados ciclos. Em cada tímida tentativa uma voraz frustração. De longe autenticidade, de perto nada mais que encenação. Em tantos olhos me vi refletido, mas nenhum refletia minha alma. Em tantos corpos me vi aquecido, mas nenhum aquecia minha essência. Tantas foram as vezes em que estive entre uma afiada espada e uma pesada cruz. Carreguei nos pés o pó de tantos lugares. Na roupa o sal de tantos mares. Perdi a conta dos porcos que contei e dos corpos que deitei. Doravante, o óbvio não fazia sentido, as nuvens não constituíam formas e os ventos não mais sopravam sinfonia. As pessoas falavam mas não as ouvia. Os pássaros cantavam uma desnudada melancolia. A agradei ao dizer que a reencontraria, para depois me agredir diante de intransponíveis dificuldades. Sem êxito em minhas incansáveis buscas o tempo se esvaiu por entre os dedos das mãos, como se areia fina fosse. Desculpe-me pela demora, mas nunca consegui chegar na hora. Porém sei que por detrás de nossos traços enrijecidos somos os mesmos de outrora. Vamos vivenciar intensamente os dias e compensar minha demora.
Desde criança tenho a nítida impressão que uma força oculta se empenha, sem motivos aparentes, em me derrubar do mundo. Já vos contei dos vários embates que travei com a velha senhora de certezas incertas, que insiste em querer me tornar vítima prematura e indefesa de seu tenebroso ofício, logo vocês já têm uma idéia do que vos falo. Se não, basta terem em mente que uma Kombi já me arremessou contra um meio fio; que, em decorrência de complicações na garganta, já passei quase onze meses numa cama sendo agredido por vorazes antibióticos e mais recentemente, por pouco não perdi a perna direita após uma disputa de futebol (mais de três meses sem andar).
Ontem, ao final de mais um dia literalmente idêntico aos últimos cem dias, cheguei em casa e logo à porta encontrei minha irmã, a quem perguntei sobre a situação clínica do meu avô (o personagem central dos posts Vovô na fita I e II), que havia tido uma pequena síncope, pela manhã, mas já estava sendo devidamente acompanhado por algumas enfermeiras. Já o ouvi definindo situação semelhante como "abelhas no mel". Minha irmã alheia a tudo e a todos, disse-me, saindo de casa, não saber "das últimas".
Após passar pelo meu quarto, onde troquei de vestes, fui à cozinha e me deparei com uma fôrma contendo algumas unidades do que minha mãe chama de micro pizzas, uma de suas especialidades. Os aludidos botões de massa, revestidos de queijo, presunto e outras coisas que não sei precisar o que é, tinham chegado, um dia antes, de Oran, onde minha mãe os preparou. Quando começo comê-los não paro até acabar. Sou viciado naquilo.
Após cometer o pecado da gula, peguei minha toalha e fui ao banheiro. Estava me barbeando quando me deparei com uma vontade inadiável de espirrar. O espirro veio e me fez crer que havia trazido com ele, os pulmões. Cerca de quinze segundo depois, tudo se escureceu e fui atingido por uma intensa dor concentrada ao final das costas. As pernas se desfaleceram e fui a nocaute, ou melhor ao chão, não sem antes me segurar no trinco da porta do banheiro e no suporte da toalha de rosto, de modo que caí lentamente, como uma folha seca no outono.
Não há como precisar o tempo que passei na mais ínfima escuridão. A dor não se limitou ao seu epicentro e começou a se estender insuportavelmente por todo o corpo. Sem forças para resistir comecei a me despedir do mundo. A senhora de certezas incertas parecia que, finalmente, venceria a batalha. Não tinha a quem recorrer, de modo que entreguei-me, já que a morte não poderia ser pior que aquela dor.
Lembrei-me de meu epitáfio feito aos onze anos: Nasci velho, morri jovem. A dor diminuiu e eu pude sair do banheiro. Me arrastei até o corredor, onde fiquei estirado por cerca de 30 minutos, talvez menos. Ouvi o celular tocar o som personalizado da Luz, mas não conseguia me levantar para atender. Onde estaria a Luz? Queria me despedir e pedir desculpas por partir tão repentinamente, mas não havia tempo para despedidas.
Após algum tempo acreditando que talvez tivesse morrido, a escuridão, felizmente, se esvaiu e a dor diminuiu ainda mais. Pude então voltar a respirar sem o excessivo esforço, até então empreendido. Consegui me livrar pela segunda vez daquele tipo de dor. Lembro-me que em 1991 sofri algo parecido. Hoje me encontro todo dolorido e andando como um robô retardado, além é claro de ter dificuldades ao sentar, devido as ainda existentes dores na coluna.
Fico a pensar o que teria me levado a sentir tamanha dor? A aproximação da sexta-feira 13, as micro pizzas de minha mãe, a separação do Ronaldinho e da Cicarelli, a derrocada da Ferrari, a síncope do vovô Camus ou o teor político de meus escritos? Melhor mesmo é ir ao médico.
Abraços senhora de certezas incertas. Não foi dessa vez.
De fé
...eu só quero estar com você...
(ficar com você)
quando o tempo fecha e o céu quer desabar
perto do limite, difícil de aguentar
eu volto pra casa, te peço pra ficar...
...em silêncio..só ficar...
eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros
mas quando eu mais preciso...eu só tenho você
tenho sorte e juízo
cartão de crédito e um imenso disco rígido
mas quando eu mais preciso...eu só tenho você
...quando eu mais preciso...
tenho a consciência em paz (só tenho você)
tenho mais do que preciso (só tenho você)
mas, se eu preciso de paz, eu só tenho você
tenho muito mais dúvidas do que certezas
hoje, com certeza, eu só tenho você
tenho medo de cobras...já tive medo do escuro
tenho medo de te perder
Quem faz a cabeça dos brasileiros, embora muitos não percebam, é alguém que nunca esteve no Brasil e que morreu há mais de meio século. Trata-se do marxista italiano Antonio Gramsci. O partid(ã)o que se encontra à frente do governo é o PT, que aliás, se confunde com o próprio governo, fazendo jus ao que o próprio Gramsci chamou de Moderno Príncipe. Castro é venerado e Cuba é o exemplo a ser seguido. O infante Guevara é um ícone do heroísmo e se encontra estampado nas camisas de milhares de jovens. O socialismo continua sendo o meio para se alcançar o paraíso. Apesar das principais referências brasileiras serem de esquerda, os esquerdistas tupiniquins pousam de vítimas, quando são algozes.
Semana passada mais uma prova do excessivo poderio da esquerda tupiniquim veio à baila. Alguém ouviu falar no Fórum da Liberdade? Certamente não. Mas ele ocorreu no começo do mês em vigência. Ao contrário do Fórum Social Mundial, divulgado maciçamente, o Fórum da Liberdade passou lamentavelmente despercebido.
Os motivos pelos quais o tal fórum é desconhecido do grande público são evidentes. O Fórum da Liberdade é independente e não tem o apoio, inclusive estatal, que o Fórum Social Mundial tem. Ademais, o Fórum da Liberdade tem criticado a elefantíase do Estado brasileiro, à carga tributária que expropria cerca de 40% da renda nacional, à burocracia estatal anacrônica e ineficiente, enfim, tem denunciado que o Estado é o grande responsável pela falta de empregos no país, embora os esquerdistas o apontem como a solução. Se a mídia é prostituída pelas benesses estatais, é claro que ela não irá divulgar nem apoiar um evento cético em relação ao papel do Estado.
O desconhecido Fórum da Liberdade é promovido anualmente pelo Instituto de Estudos Empresariais – IEE. Nesse ano o aludido encontro, que é o maior espaço de debates sobre questões econômicas, políticas e sociais da América Latina, foi realizado nos dias 02 e 03 de Maio, na PUCRS em Porto Alegre. A temática central foi o futuro do trabalho. Dentre os participantes estavam Eduardo Gianneti da Fonseca, Jorge Gerdau Johannpeter, Suri Ratnapala, Walter Block e Olavo de Carvalho.
Os esquerdistas falam em democracia, porém, não me consta que os liberais sejam convidados a participarem do Fórum Social Mundial, onde se é politicamente incorreto beber uma Coca-Cola. Por outro lado, o Fórum da Liberdade tem como característica receber oponentes ao pensamento liberal. Na edição desse ano o Fórum da Liberdade recepcionou, dentre outros nomes de esquerda, ninguém menos que o fundador do Fórum Social Mundial, o empresário e ex-assessor de Lula, Oded Grajew.
Grajew pôde expor suas idéias num ambiente privilegiado, pena que após o término de sua exposição primária, acerca das desigualdades sociais no Brasil e de como os capitalistas deveriam minimizar os efeitos de seu mal, ele resolveu abandonar a mesa antes que Olavo de Carvalho, o outro debatedor, fizesse sua exposição. É incrível como os mentirosos fogem de Olavo como o diabo foge da cruz. É óbvio que distinto filósofo não iria deixar esta cena passar despercebida, a exemplo do fórum ao qual fez parte: "é uma pena que o Sr. Oded não esteja presente fisicamente, se bem que seria inútil, pois percebi que o homem é impenetrável".
Na semana em que ocorreu o Fórum da Liberdade, houve, por outro lado, a divulgação da "cartilha do politicamente correto", lançada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão com status de ministério no governo Lula, relacionando vocábulos e expressões desaconselháveis em conversas, jornais, revistas e na mídia em geral por serem "preconceituosas". Assim, enquanto um evento que defende a liberdade de expressão e pensamento ficou no ostracismo, os meios de comunicação divulgaram fartamente mais uma atitude totalitária do atual governo. Mais uma vez a liberdade ficou sem vez e sem voz.
Amanhã, dia 7, é o seu aniversário, diante disso, resolvemos, eu e o juvenília (apesar da "rebeldia" dos últimos dias) relembrar sinteticamente parte de nossa estória. Ei-la:
Naquela gélida manhã de insensatez, aguardávamos, na velha Estação, a chegada da locomotiva que a levaria a outras paragens. Era evidente que em breve eu seria mais uma vítima indefesa das circunstâncias daqueles dias horrendos, de modo que queria poupar parte de mim e esta parte era você. Seu semblante estava carregado de uma dor antecipada que se opunha a minha satisfação em evitar que tu tivesses fim similar ao que me esperava de braços abertos. Seu soluço ecoava no ensurdecedor silêncio, enquanto que suas lágrimas rolavam face abaixo, abrindo pequenas crateras no chão de areia. Infelizmente, ainda era tarde demais para vivenciarmos o que havíamos sonhado. Tu tinhas que partir.
Abraçados, ouvimos o estardalhaço da locomotiva que quebrou bruscamente a calmaria e abafou facilmente seu soluço. Após alguns minutos estacionada, a velha máquina teve seu apito de partida acionado. Tinha chegada a hora de você ir embora para um futuro mais próximo de outrora. Prometi que a veria novamente, apesar de saber o quão difícil seria a concretização daquelas palavras. A intensidade do último beijo me fez lembrar a timidez do primeiro. Suas olheiras desfiguravam sua face de tal forma que agredia seus traços de menina, enquanto que suas batidas cardíacas balançavam seu corpo de mulher. Um forte abraço, por um momento, me levou à épocas passadas quando éramos felizes. Você então, se afastou lentamente de mim sem, no entanto, tirar seu olhar de mim. Enfim a locomotiva partiu, partindo-me em insignificantes pedaços. Lembro-me da última cena, quando tu lançou no ar um lenço lilás, que o vento tratou que chegasse às minhas trêmulas mãos repletas de fuligem.
Esperava que toda a distância que a locomotiva ia gradativamente imprimindo, um dia seria desfeita no ar, a exemplo dos tufos de fumaça negra que ela emitia naquela manhã acinzentada. Olhando o lenço molhado de lágrimas, desejava um dia devolvê-lo a você, igualmente molhado com o suor da procura. Me pus a pensar se os meus lábios ainda teriam os teus contrapostos. Se a retidão de minhas mãos ainda deslizariam sobre suas sinuosas e aveludadas curvas. Se eu ainda me veria em seus olhos negros. Se ainda seríamos um do outro.
Virei as costas e parti na direção contrária a da máquina. Vaguei, vaguei na vaguidão do que me sobrou. Sentia o cheiro do fim se aproximando avassaladoramente de mim. Naquele instante tive uma certeza proveniente não sei de onde: eu iria reencontrá-la.
Trilhamos caminhos distintos e vivenciamos sofrimentos semelhantes. Todas as noites fitava a lua com a certeza de que ela também era o alvo de seu olhar. Era nela que nos encontrávamos, ou pelo menos nossos olhares se cruzavam. Em noites alegres sonhava com você, ao passo que nas manhãs tristes não conseguia encontrar nenhuma pista de sua existência tão viva em mim, mas tão moribunda nas estradas onde andei. A busquei em tantas faces, todas elas inexpressivas. Em tantos corpos, todos eles vulgares. Cheirei tantas flores, mas nenhuma tinha sua fragrância. Estava à deriva num mar de decepções...
Foi em terras venezianas, onde as pontes não têm nomes e os rios não convém, que, finalmente, a reencontrei. Teu corpo tinha marcas do seu diário confronto com o tempo, já sua face de menina continuava sendo regada por lágrimas perenes. Seus vestes eram outros, mas os antigos estavam guardados em minha imaginação. A sua cigarrilha, companheira dos momentos difíceis, estava gasta atestando a frequência de tais momentos. Enfim, o que sentíamos um pelo outro viajou gerações até nos reencontrar. Hoje nos temos de novo! E fico a me perguntar quem realmente proporcionou isso? O anjo? O senhor de olhos azuis? Talvez um conjunto de combinações divinas.
É bem verdade que momentaneamente estamos separados por 1000 Km, mas é válido lembrar que já estivemos mais distantes. Mais uma vez não estarei com você em seu natalício, mas terei uma vida inteira ao seu lado. Sei que nunca chego na hora, que nunca acompanho os ponteiros do relógio, mas o tempo é uma mera convenção humana, nada mais. Sei que minha maneira de pensar agride muitos e agrada ninguém, deixando-a preocupada com a repetição da história, quando fui punido por vociferar o que nem as paredes queriam ouvir, mas alguém tem que falar. Sei que minhas promessas parecem sonhos irrealizáveis, mas já fomos um sonho e hoje somos reais. Que tenho defeitos elementares, dignos do mais covarde dos homens, mas alguns covardes empreenderam atos heróicos. Que já menti pra você, mas não há como dizer o que sinto somente com verdades. Enfim, é esse quem a ama, quem a clama, quem a deixa em chamas, que és parte de tua ohana cigana. Eis a nossa estória que só parece melhorar, embora ainda me encontre sentado sobre as mãos, logo começarei a andar em sua direção...
Deixo-a então, com um fragmento (O Período) de Um conto de duas cidades, de autoria de Charles Dickens, por relatar de maneira fidedigna e impressionante a época que vivenciamos.
"Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez; foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos diretos no sentido contrário – em suma, o período era em tal medida semelhante ao presente que algumas de suas mais ruidosas autoridades insistiram em seu recebimento, para o bem ou para o mal, apenas no grau superlativo de comparação".
Parabéns minha Luz e obrigado por iluminar o caminho desse ser obscuro. A amo por todas as gerações: passadas e vindouras!
O último século foi marcado, dentre outros fatores, pelos massacres de homens por homens, numa escala sem precedentes. O nazismo de tipo hitlerista e o comunismo de tipo leninista sacrificaram milhões de pessoas. Não obstante, é lugar comum o ataque ao nazismo, o que é, indiscutivelmente, louvável, dadas suas atrocidades, mas não se ouve, praticamente, críticas ao comunismo, apesar de ser tão ou mais homicida que aquele.
Os campos de concentração são sempre relacionados ao nazismo, apesar de também existirem no comunismo, sob a denominação de gulags. É comum se ouvir falar em Auchwitz (campo de concentração nazista), já em relação a Kolyma (campo de concentração comunista) não se pode afirmar o mesmo. Qual o motivo dessa disparidade de tratamento entre os regimes ditatoriais da Rússia soviética e da Alemanha nazista?
Comunismo e nazismo, apesar de serem originários de histórias distintas e inimigos declarados, têm várias caraterísticas em comum, portanto, estão mais próximos do que se imagina. Se não vejamos: objetivam chegar a uma sociedade perfeita, destruindo todos os obstáculos que os impedem de atingirem seus fins; Ambos são filantrópicos, isto é, um diz querer o bem de toda a humanidade e o outro, o do povo alemão; Os meios utilizados por eles perpassam pela destruição física, moral e política. Dessa forma, o que levou o nazismo a sofrer uma superexposição crítica, sendo apresentado como uma das maiores maldades provocadas pelos homens, enquanto o regime soviético ficou parcialmente a salvo de condenações gerais?
Essa resposta foi dada pelo francês Alain Besançon, estudioso e profundo conhecedor do comunismo, em sua obra "Le malheur du siècle – sur le communisme le nazisme et l´unicité de la shoah" (1998). Segundo Besançon, na Alemanha do pós-guerra os nazistas foram implacavelmente perseguidos e julgados ao passo que na Rússia, os comunistas não tiveram o mesmo destino com a derrocada da União Soviética, continuando inclusive na cena política e em alguns casos retornando ao poder. O autor apresenta alguns fatores responsáveis pela construção dessa disparidade de tratamento entre os dois regimes políticos mais sanguinários do século XX.
Eis alguns deles: 1 – Os cadáveres do nazismo foram bem mais expostos, enquanto isso, os campos de concentração soviéticos são praticamente desconhecidos. É comum visitações aos campos de concentração nazistas, mas o mesmo não ocorre na Rússia; 2 – Classificaram equivocadamente nazismo e comunismo, respectivamente, como de "direita" e de "esquerda". Assim, mesmo que ambos tenham origens comuns, a intelectualidade socialista disseminou a relação entre o nazismo e a direita; 3 – A aliança que a União Soviética firmou com o Ocidente na Segunda Grande Guerra, a protegeu de muitas críticas; 4 – Os soviéticos obtiveram êxito ao classificar todos os seus opositores num mesmo grupo, apesar de toda heterogeneidade entre os regimes liberais, social-democratas, fascistas e nazistas, por exemplo.
A semelhança entre os aludidos regimes foi visualizada por Pierre Chaunu, que os designou de "gêmeos heterozigotos". O ato de criticar o nazismo e proteger o comunismo, quando ambos deveriam ser atacados, faz com que este fique impune, apesar de ter cometido os mesmos crimes daquele. Ademais, ignorar os malefícios de um regime totalitário e sanguinário é um desserviço à humanidade e uma injustiça com os milhões de vidas que foram brutalmente devoradas. Chega de protegermos assassinos!
Por fim é válido relembrar as fórmulas utilizadas por Raymond Aron ao se reportar ao comunismo e ao nazismo, respectivamente: "quem quer se passar por anjo, passa por animal" e, "o homem erraria ao se colocar como objetivo assemelhar-se a um animal de rapina, porque ele o conseguiria perfeitamente".