
Uma forma básica de sabermos se algo nos é vantajoso, é estabelecermos uma relação entre o custo empreendido e o benefício adquirido. Assim, a superação deste sobre aquele representa um bom negócio. Quem estaria disposto a fazer um bom negócio? A resposta é: poucos! Se não vejamos.
Caros juvenílicos, vocês sabem quanto nos custa mensalmente um deputado federal? Vocês têm idéia dos benefícios provenientes de ações parlamentares? Estariam os representantes populares proporcionando um bom negócio à sociedade?
Infelizmente, por desinteresse ou ignorância, é ínfima a quantidade de pessoas que sabem responder tais perguntas. Na verdade, parte significativa dos brasileiros não lembra em quem votou no último pleito, logo não há como acompanhar/fiscalizar as ações de seu representante. É preciso conceber que o exercício da cidadania não se resume ao ato de votar. Os que assim pensam são maus cidadãos.
Diante da impossibilidade de vos apresentar o desempenho de cada um dos 513 ilustres deputados, exponho abaixo quanto nos custa cada um deles. Talvez a cifra a seguir sirva de alerta, sobretudo, quando se considera a inoperância de vários parlamentares. Vamos aos números.
Salário: R$ 12.000,00;
Gabinete: R$ 44.000,00;
Auxílio Moradia: R$ 3.000,00;
Assessoria: R$ 3.800,00;
Combustível: R$ 15.000,00;
Transporte aéreo: 04 passagens mensais de ida e volta à Brasília;
Recesso: R$ 25.400,00;
Direito de contratar até 20 servidores;
Direito a 13º e 14º salários pagos, respectivamente, no fim e no início de cada ano;
Folga remunerada de 30 dias.
Vos resta então, procurar saber se os benefícios são ou não superiores ao aludido custo. Como pouco podemos fazer no sentido de diminuir os gastos, que façamos melhores escolhas, mas para tanto é imprescindível acompanharmos mais atentamente a atividade política, que muitos ignoram.
Por fim, se formos considerar a tendência corruptível da maior parte de nossos parlamentares, os números em tela podem ser ainda mais alarmantes. Assim, enquanto sofrermos de passividade mórbida estaremos condenados a tais descalabros. Enquanto poucos estiverem dispostos a fazer um bom negócio, continuaremos arcando com o prejuízo.
Fiquem com John Randolph: "O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros".
Nunca mais
Contudo, nada notastes? Não vês quão diferente me fiz? Me despi das formas que conhecestes nas linhas em que lestes; Resgatei minha alegre consciência, que eles diziam ser determinada por minha existência infeliz; Adquiri outras mãos que não aquelas que aparou teus hemáticos prantos, enquanto teus olhos miravam os apáticos santos; Faltei ao encontro da Revolução e me reencontrei na esquina dos fatos; Agora sei que não é possível ser tantos, nem viver sob mantos; Abandonei o semblante estampado em velhas fotos; Lembre-se que me prometeram um mundo melhor, mas não esqueça que me tornaram pior, enquanto 100 milhões viraram pó; Haviam me transformado num nada, contrário a tudo; Descobri que a tal causa não tem causa nobre, mas conseqüências miseráveis que atingem a todos em efeito dominó; Bêbado de azar, me diziam ser um sóbrio sortudo; Fui escudo de uma luta nua que ninguém detinha; Sei que há chagas em todo o corpo, mas pelo menos ainda tenho um; Saltei antes que a História chegasse ao fim da linha; Hoje sou uma aberração num lugar comum; Enfim, encontrei o que tanto procurei nos porcos das estradas, nos tais sinais, nas estrelas do céu, em seu lenço lilás; Quando penso que quase desisti de me encontrar e de reencontrá-la... Ah, minha direção... que bom que voltastes...
Meus escritos são espelhos quebrados: Te refletem em pedaços e te cortam por inteira.
Sempre que me ponho a refletir sobre a realidade tupiniquim, me vem à mente o Discurso sobre a Servidão voluntária (1548), de autoria de Etiene de La Boétie (1530 – 1563). Trata-se, apesar de sua simplicidade, de um dos melhores escritos sobre a liberdade que já tive oportunidade de ler. Etiene, então com 18 anos, considerou a servidão como algo irracional, uma espécie de vício, enfim, uma doença coletiva, responsável por envolver as pessoas numa patética situação de acomodação. É, portanto, um manifesto atual que nos serve de alerta. Com a palavra, o jovem Etiene:
"Que vício monstruoso então é este que se quer merece o nome vil de covardia? Que a natureza nega ter criado, a que a língua se recusa nomear?"
"Disponham-se de um lado cinqüenta homens armados e outros tantos de outro lado; ponham-se em ordem de batalha, prontos para o combate, sendo uns livres e lutando pela liberdade, enquanto os outros tentam arrebatá-la dos primeiros: a quais deles, por conjectura, se atribui a vitória? Quais deles irão para a luta com maior entusiasmo: os que, em recompensa deste trabalho receberão o prêmio de conservar a liberdade ou os que, dos golpes que derem ou receberem, esperam tão-somente a servidão?"
"Os primeiros têm constantemente diante dos olhos a felicidade de sua vida passada, a esperança de nos porvir a poderem conservar. Preocupa-os menos o que têm de sofrer no decurso da batalha do que tudo o que vão ter de suportar eles, os filhos e toda a posteridade. Os outros nada têm que os anime, a anão ser um pouco de cobiça que é insuficiente para protegê-los do perigo e tão pouco ardente que não tardará a extinguir-se logo que derramem as primeiras gotas de sangue."
"Ora o mais espantoso é sabermos que nem sequer é preciso combater esse tirano, não é preciso defendermos-nos dele."
"Ele será destruído no dia em que o país se recuse a servi-lo".
"Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma."
"Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio."
"A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá-la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter."
"Esse que tanto vos humilha tem só dois olhos e duas mãos, tem um só corpo e nada possui que o mais ínfimo entre os ínfimos habitantes das vossas cidade não possua também; uma só coisa ele tem mais do que vós e é do poder de vos destruir, poder que vós lhe concedestes".
"Onde iria ele buscar os olhos com que vos espia se vós não lhos désseis?"
Onde teria ele mãos para vos bater se não tivesse as vossas?"
"Os pés com que ele esmaga as vossas cidades de quem são senão vossos?"
"Que poder tem ele sobre vós que de vós não venha?"
"Como ousaria ele perseguir-vos sem a vossa própria conivência?"
"Que poderia ele fazer se vós não fôsseis encobridores daquele que vos rouba, cúmplices do assassino que vos mata e traidores de vós mesmos?"
"Não há dúvidas, pois, de que a liberdade é natural e que, pela mesma ordem e de idéias, todos nós nascemos não só senhores da nossa alforria mas também com condições para a defendermos".
"Só quem for surdo não ouve o que dizem os animais: viva a liberdade! Muitos deles morrem quando os apanham. Como o peixe que, fora da água, perde a vida, também outros animais se negam a viver sem a liberdade que lhes é natural".
"O que quer dizer o elefante que, depois de se defender até mais não poder, sentindo-se impotente e prestes a ser apanhado, espeta as presas nas árvores e as quebra, assim mostrando o grande desejo que tem de continuar livre com nasceu?"
"Assim dá a entender que deseja negociar com os caçadores, dando-lhes os dentes para que o soltem, entregando-lhes o marfim em penhor da liberdade".
Resta à parte significativa das pessoas, permanecer na mais doce acomodação ou travar uma amarga luta pela liberdade. Etienne admitia ser infinitamente mais cômodo continuar aceitando tudo da forma como foi passado, gerações após gerações, eis o motivo pelo qual muitos persistem em tal condição. Ademais, a luta pela liberdade é solitária e beira às raias da loucura, de modo que nem todos estão dispostos a pagar tal preço. Deixo, por fim, tais pessoas à vontade, como se tivessem vontade...
Em escrito publicado no site da revista Primeira Leitura, o deputado pernambucano Raul Jungmann* (PPS) defendeu o desarmamento e, por conseguinte, o referendo do dia 02 de outubro. Diante disso me senti incitado a comentar suas principais declarações, como se pode depreender abaixo. É válido afirmar que não cultivo a esperança de que o ilustre deputado leia o presente escrito, apenas utilizo suas declarações como forma de discutir uma vez mais o assunto.
O senhor diz que somente em 2003, "...foram 36 mil mortos a tiros — uma pessoa a cada 15 minutos". Trata-se, indiscutivelmente, de uma estatística terrível, que não será, como tantas vezes afirmei no juvenília, minimizada com o famigerado estatuto que o senhor vorazmente defende. Basta lançar o olhar para as experiências de outros países, embora saiba que como membro de um partido socialista, isso lhe seja pouco provável.
Diz ainda que "...pesquisas atestam que um cidadão armado tem 57% de chances a mais de ser assassinado do que os que não possuem armas de fogo — isso num país onde se morre mais por arma de fogo (27%) do que por acidente de trânsito (25%)". O óbvio nos diz o contrário deputado, isto é, ao restringir a possibilidade de defesa, aumenta-se a eficiência do ataque. Quantos aos dados questiono o seguinte: Já que a diferença é de apenas dois pontos percentuais, o que o senhor acha de o governo passar a confiscar os automóveis também? Diga-me, quantos desses 27% são homens de bem, ou seja, quantos poderiam teoricamente ter suas vidas preservadas pelo estatuto, já que este somente atinge aqueles?
O senhor prossegue afirmando que "...quem possui arma em casa tem quase três vezes mais possibilidades de morrer em um assalto do que quem não tem". Fico a pensar como um representante eleito pelo povo vem a público defender que as pessoas não tenham armas, nem reajam aos assaltos. Nos resta, portanto, entregar passivamente nossos bens, nossas vidas aos ladrões e assassinos. "Além do quê, possuir arma em casa multiplica por quatro a chance de assassinato, suicídio ou acidente. E, em definitivo, se, a cada ano, 11 mil armas legais são roubadas por criminosos em São Paulo, na Cidade Maravilhosa, pesquisa do Viva Rio constatou que, num universo de 70 mil armas apreendidas pela Polícia, 28% provinham de pessoas sem antecedentes criminais". E o que o senhor propõe que faça com a imensa maioria, isto é, 72% das armas, já que elas também não serão atingidas pelo estatuto? Juvenílicos, aproveito o ensejo para anunciar que oportunamente escreverei sobre a farsa que é o tal Viva Rio.
"Fala-se muito, e a imprensa repercute e amplifica, dos homicídios cometidos por arma de fogo de criminosos. Porém, as mortes por tiro resultantes de brigas entre vizinhos, acidente de trânsito, conflitos familiares e consumo de álcool são várias vezes superiores àquelas decorrentes da ação de bandidos e assaltantes". Isso é mentira deputado! Onde estão os benditos números que atestam a quantidade de pessoas mortas por armas legais, disparadas por cidadãos de bem? Mostre-me!
"No país, a cada sete horas, um cidadão é morto por arma de fogo. A cada 13 minutos, alguém é assassinado". E o senhor acha que desarmando as vítimas essa nefasta realidade cessará? Francamente, deputado.
"A cultura da violência e o seu subproduto — a resolução de conflitos privados por meio da força (com destaque para o recurso às armas e não às vias legais) — nos colocam no patamar da barbárie". Desde quando se combate a barbárie desarmando as vítimas, enquanto que os bárbaros permanecem fortemente armados? Vias legais senhor deputado? Encorajar as pessoas a entregarem suas vidas ao Estado, responsável por uma segurança pública falida é de uma irresponsabilidade e desfaçatez sem limites.
"Cientes disso, o "Partido da Bala" foca os bandidos, que, sem qualquer dúvida, devem ser desarmados, mas tira do foco a nossa sociedade e mesmo o Estado, que também são arraigadamente violentos e matam – e muito"! Quem mata não é a sociedade, mas as pessoas que a constituem. Chega de colocarmos culpa numa massa abstrata que não tem como ser punida. Sob a égide da sociedade muitos crimes ficaram impunes. É preciso culpar e punir os verdadeiros transgressores. Quanto ao referendo, deputado, pergunto-lhe, o que o senhor acha do Ministro da Justiça anunciar gastos da ordem de R$ 200 milhões com a propaganda (ou seria lavagem cerebral) favorável ao desarmamento, enquanto a segurança pública se encontra sucateada?
(*) Raul Jungmann, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, é deputado federal (PPS-PE)
Vícios de linguagem
(H. Gessinger)
tudo se resume a uma briga de torcidas
e a gente ali no meio, no meio das bandeiras
o jogo não importa, ninguém tá assistindo
e a gente ali no meio, no meio da cegueira
tudo se reduz a um campo de batalha
e a gente ali no meio
tudo se resume a disputa entre partidos
lama na imprensa, sangue nas bandeiras
a verdade passa ao largo, como se não existisse
e a gente ali no meio, como se não existisse
tudo se reduz a uma cruz e uma espada
tchê, de que lado tu estás?
ninguém pode agradar os dois lados
hey, it's time to make a choice
we all want to hear your voice (it's true)
faça a sua aposta, tome a sua decisão
tudo se produz na mesma linha de montagem
apogeu e decadência na mais nobre linhagem
votos de silêncio... vícios de linguagem
nada traduz
hey, don't you know that you are
in the middle of a war (yes, you are)
tchê, de que lado tu estás?
ninguém pode ficar no meio do tiroteio
now it's time to say whose side you're on
tudo se presume, se resume, se reduz
e o principal fica fora do resumo
Anteontem reencontrei um amigo de tempos perdidos. Diante desse feliz acaso, iniciamos uma conversa à base de doses generosas de enzima. O foco do diálogo foi o governo do presidente Lula da Silva, que parece me seguir, ou será que sou eu que o sigo? O aludido amigo, eleitor do Lula (por incrível que pareça, tenho uns dois amigos petistas, que por serem meus amigos, demonstram não serem tão petistas assim), me questionou se eu achava que o PT sofria de apeguismo ao poder. Apresentei a ele, a quantidade percentual de Ministérios sob a direção das siglas partidárias, durante os governos FHC e Lula. Coincidentemente colhi os dados momentos antes, num diário local.
Governo Lula:
PT – 52,9%
PMDB – 5,9%
PcdoB – 5,9%
PL – 5,9%
PTB – 2,9%
PPS – 2,9%
PSB – 2,9%
PV – 2,9%
Governo FHC:
PSDB – 23,8%
PFL – 19%
PP – 9,5%
PMDB – 9,5%
Mesmo que o PT perca, com a reforma ministerial em vista, cerca de duas pastas (como estimam alguns), como forma de manter sua base de apoio, ainda assim terá uma maior porcentagem de ministérios, que o governo anterior.
Dessa forma, sugeri ao aludido amigo que tirasse suas próprias conclusões. Me despedi e o deixei cair em tentação.
Tenho o hábito de escrever e concomitantemente ler as notícias do dia. Assim sendo, enquanto dava corpo ao presente post, me deparei com outros despautérios.
Ei-los:
Despesas com o palácio:
1995 (Fernando Henrique) - R$ 38,4 milhões.
2002 (Fernando Henrique) - R$ 76 milhões.
2003 (Lula) - R$ 318,6 milhões.
2004 (Lula) - R$ 372,8 milhões - R$ 1,5 milhão por dia útil trabalhado
Observem que FHC, em sete anos, aumentou em pouco mais de R$ 38 milhões, os gastos palatinos, enquanto que Lula, em apenas um ano, aumentou tais gastos na ordem de R$ 54.2 milhões, isto é, quase o dobro, num espaço de tempo expressivamente menor.
Vamos à quantidade de funcionário planálticos:
Itamar Franco: 1,8 mil.
Fernando Henrique: 1,1 mil.
Lula: 3,3 mil.
No que tange esse quesito, o presidente Lula triplicou o número atingido por seu antecessor. Para efeito de informação é digno de nota, que somente no Palácio da Alvorada existem atualmente 75 funcionários. A elefantíase não cessa por ai. Em 2004, Lula assinou o decreto 5.087, aumentando o número de seus assessores especiais diretos: de 27 para 55.
Segundo o Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo), os dispêndios do gabinete da Presidência com diárias, passagens e locomoção, cresceram 51,3% no atual governo, saltando de 11,3 milhões em 2002 para R$ 17,1 milhões em 2004. Na compra de equipamentos e material permanente, o gabinete gastou R$ 17,8 milhões em 2004, crescimento de 613% em dois anos de gestão. Já as despesas com o custeio da manutenção da máquina administrativa cresceram 186,7% no período 2002/2004 no gabinete da Presidência da República. Já os gastos com pessoal aumentaram 46,5% no período.
Diante dessa farra feita com o dinheiro público, me ponho a imaginar quantas medidas provisórias iguais a 232 serão necessárias.
Há mais cifras, mas como hoje comemora-se 20 anos de redemocratização, limito-me ao que já foi exposto, sob pena de manchar a data.
Parte às noites em busca da sorte e retorna às manhãs impregnado de azar; Some no obscurantismo de um vício incessante e reaparece entre os feixes de luzes de um sol a raiar; Desperta enquanto os outros dormem e adormece, quando os outros começam a acordar; Enche os bolsos de cifras e esvazia o coração de ar; Ganha sua perdição e perde o seu ganha pão; Fala em liberdade mas se encontra numa prisão; Tapa os ouvidos para os conselhos e nos aconselha a parar de falar; Vai parecendo não voltar, volta parecendo não ficar; Números, dinheiro, mulheres, bebidas, o que há de melhor para levá-lo ao pior; O que tu és para além disso, só regresso e convés? Prazer, assalto, feridas; Que vivas disso, mas que não morras disso!; Não o queremos puro, apenas o queremos; Não desejamos sua volta, mas sua ida, aonde quem sabe, tua vida não se resuma à voltas e partidas; Que tu não sejas o que sempre foi, mas que passe a ser o que nunca serás.
Madrugada quente e atordoante, sangue gélido e demente; O suor faz curvas perigosas num semblante reto; Sobrevôo, após noves meses de sentinela, o mundo dos sonhos, onde não há grades nem leis; Capturado pelo clamor de minha mãe, regresso de profundezas rasantes ao sui generis 11 de março de 2003; A dor lhe é patente, porém palatável, vorazmente imposta mas docilmente desejável; Ela chora, sorrir, nos faz chorar, nos faz sorrir; Os segundos se surpreendem com a velocidade de meu desespero previsivelmente instável; Acordo o pai, aviso a médica, a quem vamos encontrar na maternidade; Chegamos há tempo de o garoto ainda não ter chegado; Passa-se o sufoco mas o nervosismo fica, ocupando assim, a vaga privativa da tranqüilidade que um dia houve em mim; A razão perde-se em disparada numa estrada sem direção e se choca com a paixão sem freios, ficando ambas gravemente feridas e contidas; Finalmente ele chega e o que eu era até então, parte sem regresso; Acabara de nascer, mas já aplicava lições às minhas quase três décadas de existência; Tão pequeno, quando olhado do espaço, tão imenso quando sentido nos braços. Obrigado irmão, já não me suportava mais. O seu nascimento é o meu renascimento.
Dedico o presente post, especialmente, à minha mãe, minhas irmãs, minhas amigas, minha Luz, às mulheres que acessam o Juvenília, mas também a todas as demais mulheres. Não se trata de uma homenagem atrasada ao que se convencionou designar Dia Internacional da Mulher, mas de um repúdio às mais recentes declarações do presidente Lula da Silva.
Quero, caros juvenílicos, contrariando o ilustre senhor acima mencionado, vos dizer de minha satisfação em me deparar com um número crescente de mulheres que assumem, não por "desaforo" (como disse o infeliz presidente) mas por competência, o poder. Não me venham afirmar, como muitos assim já o fazem, que o presidente quis descontrair os que o ouviam com um humor que lhe é inerente. Aliás, por mais absurdas que sejam as declarações deste senhor, inúmeros são os que defendem seu caráter imaculado. Chamá-lo de despreparado (o que é uma verdade indubitável), por exemplo, é motivo suficiente para que seus asseclas saiam a publico e declarem se tratar de um preconceito da elite intelectual do país, como se esta não estivesse ao lado do ex-metalúrgico.
Lendo as declarações proferidas no Rio Grande do Norte, não tenho dúvida, trata-se de mais um deboche, nada mais. As mulheres não precisam dos discursos improvisados nem das piadas de péssima qualidade deste senhor, que se absteve de respeitar, inclusive, a primeira-dama, a quem chama de "galega", que o ladeava. Sim, aquela a quem ele disse ter engravidado "...logo no primeiro dia. Porque pernambucano macho não deixa por menos".
E agora mulheres, o que fazer? Não adianta exigir retratação por parte do presidente, ele fala o que quer, quando e onde quer e qualquer possibilidade de retratação é engavetada perante todos, em troca de benesses estatais. Sugiro que enquanto maioria eleitoral, não votem neste senhor, que lhes pedem para que não sejam "desaforadas" a ponto de começarem a "... pensar logo na Presidência da República...". Tal declaração, além de preconceituosa, é dununciadora de um apeguismo ao poder, indigno de um messias da esperança.
Não obstante ao fato de as mulheres historicamente sempre estarem em desvantagem em relação aos homens, o presidente vem propor que elas não tenham "pressa". Estaria ele sugerindo que fiquem um pouco mais desfrutando de sua condição lamentavelmente inferior?
O que pretendeu o presidente com o lançamento de um programa de crédito para a igualdade (?) das mulheres rurais, no assentamento de Apodi, onde vinte e seis famílias vivem da agricultura, apicultura e criação de porcos? Dizer que mulher não precisa chegar à Presidência, basta ter um trocado para cultivar mandioca, colher mel ou criar suínos? Segundo ele o motivo seria o de demonstrar que "... política não é feita de palavras, nem apenas de atos administrativos", mas sim de "gestos". Que gesto, senhor presidente! As mulheres agradecem vossa palaciana generosidade.
Você pagaria cada vez mais por algo, que lhe proporciona cada vez menos benefícios? Os que disserem NÃO estão mentindo ou desconhecem o Estado.
Vários foram os post, aqui publicados, contrários ao famigerado Estatuto do Desarmamento. Em tais oportunidades tentei reiteradamente demonstrar o quanto era absurdo, por várias razões, empreender o desarmamento civil. Pois bem, como forma de ratificar o que já havia dito, vamos à pesquisa do Instituto Sensus/CNT, do dia 22 de fevereiro, sobre a questão em tela.
Segundo a mencionada sondagem, caso o referendo (que deverá ocorrer em outubro) sobre o fim do comércio de armas fosse realizado agora, 48,8% da população diria NÃO à proibição da venda de armas. É digno de nota o fato de que há um ano, este percentual correspondia a 23,4%, isto é, mais que dobrou o índice de pessoas que, diante da falência da segurança pública, acreditam que cabe a elas, a defesa de si e de suas famílias.
Foi constatado ainda que 80,2% dos entrevistados disseram que, após 15 meses do Estatuto do Desarmamento ser sancionado pelo atual governo, a violência aumentou (algo por demais óbvio, já que o estatuto lhe serve como incitador, como havia dito). O povo se põe agora a indagar o por que de o governo se empenhar tanto em desarmá-lo, enquanto os marginais estão cada vez mais bem armados e articulados (tal motivo também já foi aqui denunciado, mas isso é assunto para outros posts).
Dessa forma, mais uma vez, os fatos demonstraram que nem mesmo uma milionária campanha, que tinha como fim incutir nas pessoas a mentira de que o desarmamento reduziria os índices de criminalidade, é capaz de superá-los, apesar das exaustivas matérias diárias originárias principalmente das Organizações Globo. A mídia não se interessou em ouvir as opiniões daqueles que se posicionaram contrários ao famigerado estatuto, mas os fatos acabaram por demonstrar que eram eles que estavam com a razão.
Apesar disso o Ministério da Justiça, baseado na máxima de que uma mentira repetida várias vezes se torna verdade, continua afirmando que a campanha de desarmamento tem o apoio popular e estaria reduzindo a violência em algumas localidades. Algumas? Gastam milhões e depois nos dizem que o índice de criminalidade foi reduzido em "algumas localidades"? Francamente! Esqueçamos isso, nos diga então, em quais localidades o índice foi reduzido. Nos apresentem os dados estatísticos que comprovam sua afirmação, bem como suas fontes. Eles não farão isso, pois não há dados nem fontes. Eis uma grande mistificação constituída por bestialogias, nada mais.
Felizmente, a mentira teve pernas curtas...
seguir viagem
Em escritos pretéritos teci críticas acerca do bombardeio doutrinário sofrido diariamente pelos estudantes das escolas brasileiras. Tal afirmação é patente nos livros do secundarismo e nas ementas das disciplinas ofertadas pelos mais variados cursos universitários, por exemplo. Contudo, muitos são os que, por desinteresse ou ignorância, mantêm-se alheios à realidade que os cercam e dessa forma, permanecem calados como se nada acontecesse. O problema é que no silêncio os despautérios se propagam e se consolidam de forma mais rápida, já que, relembrando o velho ditado, quem cala consente.
Me ponho a indagar, até quando os atuais cegos assim permanecerão, uma vez que as evidências são crescentes? Até quando os nossos jovens serão obstruídos de qualquer intenção de pensamento livre? Até quando eles serão meros fantoches guiados por mãos irresponsáveis?
O MST – Movimento dos Sem-Terra inaugurou em Guararema (SP) a Escola Nacional Florestan Fernandes. Trata-se de uma escola política que almeja treinar militantes para criar quadros a serem utilizados nas invasões de terras e na implantação do regime que levou tantos países à miséria. Para efeito de informação, a referida escola custou 1,3 milhão e foi bancada por um fundo social da União Européia, pelo próprio MST e pelas ONGs cristãs Caritas, da Alemanha, e Frères Des Hommes, da França. É lamentável a constatação de que as instituições ditas cristãs financiam movimentos que levam países à bancarrota, porém é compreensível, já que a miséria é terreno profícuo para sua atuação. O fato é que o investimento em ensino superior será cada vez maior, já que a educação é a forma mais eficaz de doutrinação.
À guisa de conclusão, a guerrilha já tem escolas, docentes, grades curriculares e aulas regulares, o que nos dirão agora, os Josés que insistem em defender a inexistência de uma absurda e nefasta ideologia reinante? Como aceitar escolas formadoras de guerrilhas e que, desde cedo, fomentam nas crianças o ódio doentio pelos valores ocidentais? Os Josés só me fazem crer que na situação em que se encontra o Brasil, já não adianta mais meramente expor o mal para poder erradicá-lo.
Numa remota noite, enquanto surfava nas ondas eólicas de meu pensamento, me deparei com uma alucinação (alucinação?). Tratava-se daquela que por pouco não me fez refém prematuro e indefeso de seu tenebroso ofício: a senhora de certezas incertas, a quem, prontamente, me dirigi da seguinte forma:
Senhora, o que tu fizeste para merecer tal sorte? Como podes ser frágil e concomitantemente forte? Algo de mau tu deves ter empreendido para ser digna de similar destino. Por favor, confie em mim, diga-me algo, talvez um sim! Não chore, suas lágrimas nada podem contra o imponderável. Não, não, por favor não se vá... Tu não tens para onde fugir, já que és por demais notável!
Ela, no cume de sua inalcançável eternidade, se foi de maneira fugaz como o deslizar da areia fina por entre as fendas dos dedos! Me pus a refletir o ocorrido, enquanto percorria inquietamente o trajeto de minha sombra tranqüila. Precisava, como forma de satisfazer uma aguçada curiosidade cultivada desde tempos imemoriais, decifrar aquele tenebroso enigma, responsável pela efemeridade de tantas vidas e pela perenidade da morte. O que terá feito aquela senhora para que lhe fosse negada a visão, a juventude, a beleza e ter se tornado uma voraz devoradora das vidas inseridas nas entrelinhas de vossas trêmulas mãos. Sei que ela não exerce sua incumbência de bom grado, já que a cada golpe mortal é o seu sangue gélido que jorra na vitrine da vida. Que és forçada não tenho dúvidas, mas por quem e por quê? Ah, se ela me surgisse novamente... certamente ouviria dela a sua preferência em ser efêmera sem matar, que ser eterna matando...
Não a culpem por isso, muitos de vocês, talvez todos, não desejariam o seu lugar...