Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






Juvenilidade Senílica:
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Acessos Juvenílicos:






Metamorfose introspectiva

Por vezes acreditamos, com uma certa veemência, que as pessoas que nos circundam, se encontram diferentes conosco. Suas manifestações, em certos momentos, parecem mais afáveis que outrora. Reticentes com a benevolência humana, ficamos desconfiados diante do suposto fato novo. Há algo estranho, mas não sabemos exatamente o quê. Depois de algum tempo descobrimos que nós mudamos muito mais em relação às pessoas, que elas em relação a nós. Constatamos que na tentativa de mudar o mundo foi ele que nos mudou, embora tenha sofrido algumas alterações. Nos tornamos sensíveis e passamos, diante da aquisição espontânea de um olhar clínico, a visualizar o que antes nos era recôndito. É então que percebemos, que as pessoas são praticamente as mesmas, nós não. O que mudou foi a nossa forma de vê-las, não quem víamos. Uma nova descoberta nos faz ir além dos nossos usuais campos de percepção, levando luz e esperança aonde só haviam escuridão e decepção. Por mais que busquemos mudanças em todas as partes, elas se encontram em nós. Faça já a sua! É preciso mudar para que os outros mudem e não esperar que os outros mudem para somente depois você mudar. A mudança do todo começa pelas partes. Para transformar a existência é preciso modificar a consciência.



:: Escrito por: Camus às 14h12
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Verdade Triste

Sonhei um dia poder te ofertar toda minha alegria, mas no coração só há tristezas; Te ofertar todas as flores colhidas durante a caminhada, mas só trago espinhos; Te ofertar o frescor da pele macia e perfeita, mas a poeira tapou os meus poros e ela envelheceu; À beleza que teus olhos imaginam, mas as cicatrizes deformaram meu semblante; Às letras que matam tua sede, mas não houve oportunidades para tais; Enfim, trago nada para ti e busco tanto para mim.

By Luz



:: Escrito por: Camus às 09h55
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Um reencontro com o desencontro (continuação)

O "marxista" em questão afirma ainda que "A escola contribui decisivamente para a manutenção das injustiças" e que "A ideologia reinante nos impede de mudar a realidade ao nos alienar". Questiono-lhe então: Qual a ideologia reinante? Folheie um livro escolar e verá que é comum a existência do vocabulário marxista. Luta de classes, demonização do capitalismo e exploração internacional são termos que constam em abundância nos livros do secundarismo. Ademais, Marx ocupa mais espaço que outros pensadores de igual ou maior envergadura. Smith, Tocqueville e Weber são quase sempre ignorados. Você os consideram, irrestritos defensores do capitalismo. Sendo assim, você não acha que eles deveriam ter uma presença mais freqüente nos livros, já que são alienadores? Por que são menos explorados nas universidades que Marx? Eles deveriam ser mais citados que os marxistas, por exemplo, já que são à sua luz, teóricos conservadores. Que forma esquisita de ideologizar as pessoas. A não ser que essa ideologia tenha efeito contrário. A propósito caro marxista, você defende veementemente idéias que por mais absurdas que sejam, continuam sendo verdades para você. Onde as aprendeu? Na escola! Pois saiba que as escolas e universidades brasileiras são em grande parte, centros de propagação do marxismo. O produto de tais centros são pessoas como você, inteiramente ideologizadas e alienadas. Ademais, é justamente nas universidades onde se encontra a elite intelectual do país, responsável por modelos e pensamentos que influenciam o cotidiano, imprimindo sua marca na cultura do povo. Então, por quais pensadores as pessoas são influenciadas? Quem são os ideólogos responsáveis pela "alienação" das pessoas? Quais os pensadores que normalmente têm seus nomes rabiscados em muros? Quais são as personalidades históricas encontradas estampadas nas camisas dos estudantes, sejam eles secundaristas ou universitários? Quais os autores predominantemente defendidos pela intelligentzia tupiniquim?

No curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí, por exemplo, dentre as disciplinas obrigatórias, encontra-se a "Teoria Sociológica I", que é dedicada à Marx. Já a "Teoria Sociológica III", destina-se ao estudo dos escritos de Weber. Essa por sua vez é optativa. No curso de Ciências Econômicas da mesma universidade, existem duas disciplinas: Economia Marxista I e II, que refletem bem quem continua sendo o pensador da vez. Caro "marxista" me responda então, por que não há uma disciplina intitulada Economia Smithiana? Tal pensador não merece uma disciplina própria? Assim, importantes obras continuam não sendo lidas. O índex universitário-marxista dificulta o acesso a tais leituras. Questiona-se mais uma vez, que autores estão sendo utilizados no processo de ideologização? Garanto que não são os autores que você, caro marxista, considera defensores do capitalismo.

Por fim, nenhum conjunto de idéias é suficientemente capaz de responder às complexas questões existentes nas sociedades. Engana-se quem pensa ser portador da verdade absoluta. As correntes que assim se proclamam são tirânicas e estão condenadas ao contínuo fracasso. Fornecer alternativas ao alunado é o método mais adequado. Obrigá-lo a certas idéias não é ensinar mas sim impor a vontade do mais forte sobre o mais frágil, reproduzindo no ensino, o que o próprio Marx tanto condenou na produção, ou seja, as relações de exploração. É preciso ser tolerante frente a outras opiniões, sobretudo nas escolas, berço do conhecimento. O jovem deverá ser exposto aos mais variados argumentos das mais díspares matizes de pensamento, o que o dotará de uma visão pluralista, coerente e mais próxima da realidade. Não se trata de defender a isenção do professor, mas minimamente apresentar alternativas ao alunado, mesmo que as convicções pessoais do docente não as aceitem. Como ressalva é válido dizer que os ensinamentos de Marx são em parte importantes, mas não são os únicos. O marxismo precisa ser encarado como uma teoria passível de críticas e não como uma doutrina intocável. Acerca do proposto pelo marxismo, a história demonstrou se tratar em sua grande parte de uma série de equívocos. Não é salutar repeti-los.



:: Escrito por: Camus às 13h25
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Um reencontro com o desencontro

Ao rever uma pessoa com quem estudei na Universidade, me lembrei de um episódio, que devo expor a seguir. Há alguns anos, em meio a uma aula sobre educação política, e enquanto manifestava minha opinião acerca da importância do professor ofertar alternativas aos alunos de como ver o mundo e como nele atuar, fui interrompido por um dos discentes que em tom incomum ao até então adotado, disse-me: "O que diz é um absurdo! O professor tem que alertar ao aluno o certo, dizer-lhe quem é quem na sociedade. Não podemos continuar reproduzindo indivíduos passivos que não têm poder de manifestação. Os governantes são sempre os mesmos e as injustiças permanecem intactas por conta de tal passividade. A escola contribui decisivamente para a manutenção das injustiças. A ideologia reinante nos impede de mudar a realidade ao nos alienar. Discurso como esse só contribui para a manutenção da ordem vigente". Sinto-me então, instigado a comentar tal acusação, utilizando predominantemente respostas semelhantes às que usei naquela oportunidade.

Antes porém, permita-me leitor contextualizar o ocorrido. A maioria dos discentes que freqüentavam a disciplina eram acadêmicos de história e partidários dos ideais de Karl Marx, inclusive se proclamavam "marxistas". Nesse ambiente sempre fui tratado como estranho, talvez por não concordar com as idéias dos fiéis seguidores do ilustre pensador. Fui, por vezes, taxado de "defensor do sistema", "neoliberal", "reacionário", "anti-marxista", dentre tantos outros rótulos. Sendo assim, sempre que pedia um aparte à docente, lá estavam os mesmos "marxistas" para criticarem com as mesmas palavras ou gestos o que dizia. Sempre gostei de debater idéias, bem como de renová-las após cada embate, retificando alguns pontos e ratificando outros, ao contrário dos aludidos discentes que em dias correntes ainda permanecem impregnados de idéias estapafúrdias e fracassadas oriundas de décadas pueris.

Reporto-me agora ao que disse ao "revolucionário" que me interrompeu. Parece-me muita petulância de quem quer que seja, achar que é dotado de um dom, que o capacita a dizer sempre o que é certo. O que seria o certo? Fomentar dentre os alunos a necessidade das lutas entre as classes? Odiar as pessoas que são dotadas de uma condição de existência diferente? Se tornar partidário de um esquema conflitivo e maniqueista não me parece ser o certo. Estimular o ódio na sociedade tem gerado ao longo da história inúmeros infortúnios e regressões irreparáveis. O que seria "indivíduos passivos"? Aqueles que condenam o vandalismo? Que se recusam a promover badernas? Que predominantemente são guiados pela ética da responsabilidade e não pela ética da convicção para utilizar categorias weberianas? O ativismo marxista levou muitas gerações a becos sem saída. Existem várias maneiras de intervir na realidade, a forma marxista não é a única nem a mais adequada para os dias que correm. Esse foi o encontro, vamos agora ao reencontro.

Os governantes são outros! O que dizer agora, caro "marxista"? Disse-me em nosso reencontro, que esses governantes estão contaminados pelo capital. Então, o problema não está, como queria nosso marxista, na simples mudança de governantes, quiçá neles mesmos. As injustiças serão combatidas ou permanecerão "intactas"? Isso só o tempo dirá, mas não espere uma revolução ela não virá, faltará novamente ao encontro por puro constrangimento. A escola é um dos Aparelhos Ideológicos do Estado, como são os partidos, os sindicatos, dentre outros. Mas não restam dúvidas que no socialismo a escola é muito mais ideologizante que no capitalismo. Se você caro "marxista" é contra o papel da escola na manutenção de um determinado Estado, deixe imediatamente de ser partidário do socialismo que, por sua vez, utiliza a ideologia de forma exacerbada, impondo sua doutrina pretextando ensinar, justamente como você faz em suas aulas. Basta, a história já está repleta de exemplos como Lenin, Castro e Mao. Ocorre que todo discurso que não seja próximo ao que defende, sempre será à luz desse "marxista", equivocado e por conseguinte, censurado. Que mania a sua de acreditar ser portador de uma verdade absoluta. Isso só reforça a tendência marxista de impor o impossível.

No que tange especificamente à forma de ministrar aulas, sou contrário a postura do professor militante, muitas vezes fanático, que se aproveita de sua posição hierárquica, enquanto mestre, portador do saber, para covardemente inculcar em adolescentes indefesos suas opiniões e posicionamentos, taxando-os de certos e de responsáveis pela constituição de uma nova sociedade. Adolescentes são tratados como homens bombas que explodem em prol de uma causa imaginando serem enviados para um harém repleto de odaliscas e bom vinho. Trata-se de uma doutrinação que visa produzir cobaias humanas. Pior, nessas condições não há alternativa à esse tipo de injunção. A liberdade de escolha é rigorosamente abolida. Não há como formar cidadãos críticos diante de uma tirania do saber e do fazer, do pensar e do agir. O alvo preferido dos ideólogos é constituído pelo segmento jovem, por ser mais vulnerável. Roberto Arlt disse no início do século passado que a revolução seria feita com os jovens, por serem estúpidos e entusiastas. A imposição de idéias a alguém é uma violação grave que, por vezes, repercute durante toda à vida do violado. A ideologia é em alguns casos mais impetuosa que a violência física.

Continua no próximo post...



:: Escrito por: Camus às 10h19
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Dois rios, um destino

Outrora em terras venezianas, onde as pontes não têm nomes e os muros não convêm; Agora em terras cajuínas de rios clones, margeados por velhos armazéns; Ontem à luz do dia refugiava-me de vorazes olhares em chamas, como às verdades nas tramas; Hoje, porém, apresento-me sob uma noite pacífica que me faz inquilina da sina que te clamas, como tradições ciganas; Teresa e Cristina entoam uma melodia que me faz sobrevoar os virgens campos da contemplação; No alto, a minha Lua Cheia Linda saudava o nosso reencontro após séculos de separação; À frente, minha reduzida imagem refletida nas amplas retinas de quem tanto busquei; Em mim a felicidade que incessantemente cultivei; Eis o cenário onde, sob um atento olhar azul, ecoava o canto sedutor das sereias, que em bancos de areias presenciavam a dança de águas paralelas em direção ao mar, onde íamos desembocar.

By Luz & Camus



:: Escrito por: Camus às 16h52
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Pra não dizer que não falei dos fatos...

segunda-feira blues I
(H. Gessinger/C. Maltz)

? onde estão os caras que lutavam dia-a-dia sem perder a ternura jamais?
? onde estão os caras que desmaterializavam moedas de dez mil reais?
? onde estão os caras que desconheciam limites ... universal e singular?
? onde estão os caras que desenhavam novas cidades
em guardanapos na mesa de um bar?

? onde estão as provas, onde estão os fatos?
? as boas novas eram só boatos?
? onde estão os atos de bravura e rebeldia (ternura guerreada dia-a-dia)?
? será que estamos sós?

? onde estão os caras que pregavam no deserto?
(o deserto continua lá)
? onde estão os caras que deixavam as portas abertas para a vida poder circular?
? onde está o teatro mágico só para iniciados?
? onde está o espaço não privatizado?
? onde estão os caras que acenavam com a mão invisível um mercado para todos nós?

? onde estão as provas, onde estão os fatos?
? as boas novas eram só boatos?
? onde estão os caras que lutavam e cantavam?
( por um mundo ideal eles gritavam : ! não estamos sós!)

? onde estão os caras que diziam que a guerra ia acabar?
? onde estão os caras que diziam que a maré ia virar?
? onde estão os caras que espalharam o vírus, prometeram a cura e viraram as costas?
? onde está o outro ? onde está o diferente ? onde está o comum a toda gente?

? onde estão as provas, onde estão os fatos?
? as boas novas eram só boatos?
? onde estão as provas, onde estão os fatos?



:: Escrito por: Camus às 10h04
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Triângulo das bermudas

Conforme anunciado no post anterior, o presente escrito visa apresentar três mentiras que são propaladas como verdades inquestionáveis. Antes porém, quero comunicá-los que irei a partir de então, modificar sensivelmente a postura do juvenília no que tange aos descalabros que ele tanto denuncia. O fim continua sendo a verdade, mas o meio para expô-la não mais será tão abrupto. Explico: Me propus, sem falsa modéstia, a tirar alguns das "trevas" e apresentá-los à "luz", sem, no entanto, me atentar para a possibilidade de que eles pudessem ficar permanentemente cegos, já que o contato imediato com a realidade, isto é, com a "luz", poderia roubar-lhes a visão, tamanha a sua sensibilidade. Feito o devido esclarecimento, vamos às três hipóteses falaciosas.

Indiscutivelmente o fosso existente entre os mais ricos e os mais pobres é um grande obstáculo ao desenvolvimento de um país e não é por acaso, que muitos teóricos irresponsáveis o utilizam como forma de justificar suas teorias estapafúrdias. Dessa forma, afirmam que a causa está na distorção provocada pelo mercado e a solução na ação do Estado, quando na verdade é justamente este último que provoca tais deformações. É simples constatar tal fato, basta observar que em países com maior intervenção estatal a população é mais miserável (É a intervenção que gera a miséria, não o contrário), já que o Estado extrai recursos de quem produz, via impostos, e os repassam a muitos parasitas. Um exemplo emblemático é o que ocorre com as gratuidades nos transportes públicos. O direito de uns corresponde ao dever de outros. Assim, o passe livre ofertado a uns corresponde ao aumento tarifário que prejudica outros. Quem são os "outros"? São os usuários do referido setor! E quem são tais usuários? A população que não tem condições de ter um veículo particular e por isso, usa o transporte coletivo. Apesar da intensa exclusão que tal processo acarreta, fala-se em justiça social.

A segunda falácia diz respeito a teoria rousseauniana do bom selvagem. Esta reza que o homem nasce bom e a sociedade capitalista o corrompe. Tal idéia é influente na constituição dos projetos de reengenharia social que desembocam em formas de sociedades totalitárias, responsáveis por inúmeros crimes. Essa maneira de pensar transfere a responsabilidade moral das ações, do indivíduo para o complexo social. Assim, quando alguém comete, por exemplo, um crime, a culpa recai sobre a sociedade que, segundo o referido ponto de vista, corrompeu o assassino. Como não há como a sociedade pagar pelo crime cometido, por ser abstrata, o criminoso fica impune e a impunidade é a maior responsável pelos índices crescentes de violência.

A última lorota é a supremacia do ideal de igualdade em relação ao ideal de liberdade. Os defensores deste pensamento ignoram a condição aristocrática da natureza, isto é, não há nem nunca haverá igualdade entre os seres humanos já que sempre existirá uma hierarquia natural, se não pelo poder aquisitivo, pelo porte físico, pela inteligência, dentre tantos outros. Ademais, para que se obtenha as liberdades econômica (individual) e política (coletiva) é preciso acabar com a excessiva carga de intervenção do Estado na economia e se implantar a única igualdade possível, isto é, a de direitos e oportunidades, que está gradativamente sendo castrada, especialmente, em nossa pindorama. Enfim, a igualdade é uma impossibilidade lógica e sua busca sempre desembocará na escravidão.

À guisa de conclusão é válido afirmar, como resposta a um questionamento de um leitor, que não sou dono da verdade, até porque ela não tem dono. Vos deixo com o que disse Brecht a seus camaradas em Die Massnahme: "Quem luta pelo comunismo tem de poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade; manter a palavra e não cumprir a palavra, etc., etc., etc".



:: Escrito por: Camus às 14h13
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Eis a questão: fato ou cultura pop?

Se quiséssemos sintetizar em dois os caminhos que nos são cotidianamente apresentados, poderíamos sugerir os seguintes: os fatos e a cultura pop. Aqueles são verdadeiros, embora, por vezes, difíceis de serem assumidos, mas imprescindíveis. Esta, porém, se apega às ideologias e, por conseguinte, à distorção da realidade em favor de determinados interesses falsamente coletivos. Trata-se de mentiras propositais, omissões e erros grosseiros em prol da manipulação das massas. Diante disso é óbvio o fosso entre os dois caminhos, mas ainda assim os desavisados os tratam como se fossem um só.

Infelizmente, não é um absurdo afirmar que se encontra em curso, na nossa pindorama, uma espécie de revolução cultural nos moldes gramsciano, em que a multidão segue cega às mentiras, sem, no entanto, questionar a veracidade das informações. A massa se julga livre, quando na verdade a sua consciência encontra-se capturada. Contribuem para isso, uma mídia majoritariamente analfabeta, um grupo de políticos demagogos, um rol de intelectuais irresponsáveis e uma população neurótica, no sentido de Carl Jung, isto é, que "...escuta e não ouve; vê e é cega; sabe e é ignorante ao mesmo tempo". O pior é que ainda papagueia sem saber o que ecoa. Bebem veneno pensando ser vinho.

A mentira quando introduzida numa sociedade inculta, como a nossa, se propaga facilmente. Os nossos mentirosos são tão exímios em seus empreendimentos que, por vezes, parecem até desconhecerem que estão lorotando. Dessa forma, assassinos são heróis e fatos são escárnios, o que desvirtua, sobremaneira, os valores estabelecidos, muitas vezes, à duras penas.

Enquanto as pessoas acreditam em tudo que lêem nos jornais e vêem nas revistas, os editoriais selecionam notícias, baseados num critério absurdo que exclui os teores negativos em relação a determinados propósitos, bombardeando ideologicamente os inocentes. Assim, há um exitoso processo de mentira sistematizada, capaz de camuflar, através de mecanismos como a mídia e as escolas, (autênticos aparelhos ideológicos) por exemplo, a verdade sobre as coisas. A prostituição da mídia é absurda e beira às raias do estopim da alucinação, já a educação, lamentavelmente, irá contar com a abertura de universidades norteadas pelos princípios do MST, que, por sinal, foi convidado para prestar assessoria ao Ministro da Educação, o marxista Tarso Genro. Se a educação é a base de uma sociedade, nos encontramos pairando no ar.

O tema é por demais importante para se limitar, meramente, a um discurso, logo irei, no próximo post, apontar três exemplos práticos de mentiras desvairadas e prejudiciais, resultado de ideologias fajutas e irresponsáveis, que, caso se mantenham, nos serão dispendiosas.

Espero que vocês, caros leitores, sejam o que Antonio Gramsci denominou de "aberrações": indivíduos que preferem enxergar com seus próprios olhos, pensar com seus próprios cérebros, ouvir com seus próprios ouvidos e falar com sua própria boca.



:: Escrito por: Camus às 15h55
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Aqui jaz o épico

Um vento gélido transporta minha imaginação a um épico que não há mais, que não nas linhas imaginárias e temporais; Vejo os sinais finais de um templo sem tempo nem espaço; Ouço o aço das magníficas espadas tinindo em embates dignos e capitais; Sinto a troca de olhares persuasivos sobre o ágil bailar dos passos; Vários homens, um só destino: a luta franca, a dominação; A ação de guerreiros que respeitam o adversário; Ao contrário do realismo abrupto e hodierno, que agride a encenação; Antes deuses e céus, hoje bestas e infernos, onde se mata multidões sem expressões e destroem os pilares do cenário; Dignidade e respeito foram extraídos das lutas; Nas disputas não mais se ver o suor dos atores; Todos são massas incolores com semblantes vestidos e faces ocultas; Me ponho saudoso a visualizar os contatos, a valentia, os olhares e temores; Hoje, o bom combate se encontra nos calcanhares da história sem memória, sem face, sem corpo, sem sobra, inculta...

Antes procurava-se saber quem era o adversário para depois enfrentá-lo. Hoje, porém, o suposto inimigo é destruído para somente depois saber de quem se trata. Tantas guerras poderiam ser evitadas se os confrontadores buscassem se conhecer.



:: Escrito por: Camus às 09h50
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> que nós

Claro que a distância nos é um estorvo, mas convenhamos, pior seria se não o fosse; O incômodo é a soma de um gostar doloroso com um agir ocioso; Na penumbra demolimos as barreiras derradeiras, mas com o raiar do astro rei, elas se recompõem e nos são apresentadas como às primeiras; Estamos num sisifismo: rolamos uma imensa pedra morro acima e ao chegarmos ao cume, ela despenca, de maneira que temos que reprisar a árdua e interminável tarefa, como se faz no teatro com as peças de um autor criterioso mas com pressa; Não sei se percebes, mas o nosso todo está gradativamente vigoroso e as nossas partes refletidas nas retinas dos anjos; Sei do coro dos descontentes, mas também sei do contentamento sinfônico que há em nós e que nos é jocoso; Em cada preconceito ruidoso, há um harmônico violino submergido em nossos corações; Não há o que estranhar, tendo em vista que sempre respiramos rarefeitamente na ausência de ar, nadamos num mar de ondas imaginárias, enfim, remamos contra a maré e voamos contra as ventanias sanguinárias; Sei dos seus fantasmas, das suas decepções e overdoses de temores, mas nos cabe exorcizá-los, enfrentando-os e não nos afugentando em nossas perfiladas sombras; Não fuja do passado, pois assim, ele nunca passará; Rabisque com lápis de tinta lilás, meu nome na concha de prata lunar, enquanto me ponho a pescar as estrelas no céu do mar; Pegue as coisas nossas e vamos contemplar o que já é maior que nós.



:: Escrito por: Camus às 16h36
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Salve-se quem puder...

Duas missivas recebidas por e-mail me deixaram por demais preocupado. Ambas, em decorrência de uma das minhas afirmações – em que lamentava o fato de parte significativa das pessoas, por ignorância ou por desinteresse, não fazer uso (correto) das informações que tinha à disposição – questionam, em síntese, se o saber é efetivamente "melhor" que a ignorância. Eis o que diz uma delas: "Do que nos adianta saber se pouco podemos fazer? O saber só nos faz sofrer!". A outra, de maneira complementar arremata que, "Viveríamos melhor se não tivéssemos conhecimento da realidade em que vivemos!". As duas acreditam veementemente que as pessoas que se encontram aquém de suas realidades, vivem de maneira mais prazerosa ou menos problemática. Trata-se, por fim, de uma verdadeira apologia à alienação, à acomodação e à inércia, além de um retrocesso descomunal.

Vamos à primeira. Se ao sabermos algo pouco fazemos, o que aconteceria se nada soubéssemos? Nada faríamos! Nossas vidas seriam regadas a acasos e viveríamos entregues ao mais perfeito estado de alienação (superior ao que ai se encontra). Não poderíamos evitar nem potencializar algo, que não através de meras casualidades. Alguém sofre por saber? Talvez sim, mas pode vir a sofrer muito mais por nada ter feito para evitar ou tornar possível um determinado evento, necessário, inclusive, à nossa existência. Ademais, o "pouco" que a missivista diz ser possível fazer, já salvou incontáveis vidas. Tantas doenças que, outrora, mataram exércitos, hoje foram dizimadas, ou já têm cura. Logo, é no mínimo injusto afirmar que o saber só nos faz sofrer.

A segunda missivista parece advogar a bestificação da espécie humana. O que nos tornam diferentes das demais espécies é justamente termos consciência e podermos alterar nossa existência, afinal, somos atores e agentes e não espectadores e pacientes. Usar o instinto em detrimento do saber é tornar o homem um animal comum. Quantas mazelas foram e podem ser eliminadas em decorrência do saber?

Considero um infeliz regresso abdicar da gama de saber que detemos atualmente, em favor da ignorância. Historicamente, tantos morreram enquanto buscavam o saber, hoje, porém, me vêm duas leitoras afirmar que viveriam melhor sem ele. De forma que, para elas, nada adiantou às empreitadas daqueles que, por tornarem suas descobertas conhecidas, sofreram os mais tenebrosos infortúnios. Ignorar a ciência, a arte e a literatura, por exemplo, enfim o saber, é desumanizar o homem, tornando-o um símio.

O grave é que o pensamento em questão, também é cultivado por inúmeras pessoas, que baseadas nos inabaláveis resquícios do romantismo de Rousseau, acreditam que o homem nasce puro (bom selvagem) e a sociedade o corrompe. Esse falacioso argumento tem sido reiteradamente utilizado para, irresponsavelmente, alardear que os criminosos não são culpados de seus atos, mas sim a sociedade. Enquanto isso, novos crimes acontecem sem que seus responsáveis sejam efetivamente punidos, já que se escondem sob à égide da sociedade. Como não há como puni-la, por ser algo sem forma, o crime fica impune. O meio tem influência sobre nós, mas nós também a temos sobre ele.

A responsabilidade moral é do indivíduo e não da sociedade, embora esta tenha a sua eminente interferência, mas não a ponto de justificar as atrocidades de alguns. Cabe ao Estado controlar e reprimir os excessos e assim, garantir a paz social. Foi baseado no contrário que surgiu todos os perigosos projetos de engenharia social que se têm notícia e que desembocaram em regimes totalitários, responsáveis pelos maiores crimes de todos os tempos. Por isso, é preciso ter cuidado com a forma de pensar das missivistas em tela.

É no saber que se encontra a possibilidade de transformação não na ignorância. Ignorar o saber é impedir a vida!



:: Escrito por: Camus às 16h40
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Diferentes cenas de uma mesma trama

Respeitáveis leitores, o singelo juvenília tem a desonra e o desprazer de vos apresentar o espetáculo da insanidade. Ei-lo:

1ª cena – O presidente da república do Brasil ignora os fatos e começa a confiscar as armas das vítimas, agredindo o direito de propriedade, bem como o de se defender;

2ª cena – O aludido presidente compra um milionário avião na França, (e torna as informações referentes a tal, sigilosas por dez anos) dotado de escudo antimíssil. Dessa forma, se por um lado o governo extrai da população a possibilidade de defesa, por outro, reforça sua autodefesa. Detalhe, o país é desprovido de qualquer tradição bélica;

3ª cena – Fala-se na criação de uma universidade do terror que se norteará nos princípios invasivos e deteriorantes do MST, aquele movimento tão elogiado pelo presidente Lula da Silva;

4ª cena – Cuba é eleita pelos onze representantes da América Latina como partícipe de um tribunal da Comissão de Direitos Humanos da ONU, apesar da ilha-prisão de Castro descumprir 25 dos 30 direitos humanos;

5ª cena – Torna-se cada vez mais evidente a conexão entre Colômbia, Cháves, Castro, China e Rússia. Enquanto isso, todos preferem vociferar sobre um tal de imperialismo ianque em detrimento da comunização em marcha.

Lamentavelmente, diante de tais cenas assistidas e aplaudidas de pé por milhões de cegos, a platéia vai de encontro a um esquizofrênico delírio. O problema é que ao contrário do teatro, isso é a mais pura realidade, embora muitos irresponsáveis tentem camuflá-la, através da propagação de mentiras desvairadas.

Não precisa ser profeta para imaginar quais serão as próximas cenas...



:: Escrito por: Camus às 10h35
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