Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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A, E, I, O, Uga-uga

A tempestade de despautérios provocada pelo governo tupiniquim não cessa. E segundo a sua meteorologia não há previsão de dias melhores. Dessa vez fala-se em usar o método cubano de alfabetização de jovens e adultos no programa Brasil A(na)lfabetizado. Advinha qual lugar escolheram para servir de laboratório dessa insanidade? Claro, o Piauí. Depois de ter se tornado o palco do barraco encenado pelo Fome Zero, agora o referido Estado é novamente lembrado para servir de cobaia dessa engenhosa iniciativa. É como se a região pudesse se dá ao luxo de uma experiência como essa.

 

Segundo o secretário de Educação do MEC, Ricardo Henriques, o método é um sucesso em outros países. Teria ele razão? Não me parece que Venezuela, Nicarágua e Haiti são exemplos a serem seguidos, tendo em vista que tais nações estão inseridas no rol das mais miseráveis do continente americano.

 

Na própria Cuba não se pode ler nada além do único jornal em veiculação na ilha, que, inclusive, pertence ao governo ditatorial. Para que se tenha uma idéia do sucesso da metodologia em questão, basta saber que um reles artigo como esse condicionaria seus leitores às sanções costumeiras do facínora Castro. Os professores são verdadeiros ideólogos a serviço da ditadura, nada mais. Acreditar que a educação sem a liberdade obtém êxito é uma irresponsabilidade ou uma ignorância sem limites.

 

Enquanto isso o Brasil ocupa o vergonhoso 72º lugar na classificação de Desenvolvimento da Educação, segundo a avaliação da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. Trata-se de um ensino visivelmente ineficaz e exorbitantemente burocratizado, digno dos piores resultados nos testes internacionais. Diante disso o que fazer? Seguir um modelo educacional de um país miserável onde inexiste oposição política e livre manifestação ou por outro lado, aplicar uma metodologia oriunda de uma nação livre, que considere o pluralismo acadêmico e a liberdade de expressão?

 

É criminoso simplificar o processo educacional a um ideário específico. Por que não atentar para a eficácia do modelo de desenvolvimento educacional aplicado pela Coréia do Sul, por exemplo, que outrora era uma nação subdesenvolvida e agrária, e hoje desponta com representativos resultados na área educacional? É triste ver que ao invés disso, os nossos governantes tentam nos impor um modelo advindo de uma nação totalitária. Por que essa obsessão em fazer a pior escolha? Em copiar o que a história já demonstrou ser errôneo?

 

Ao tempo em que Coréia do Sul prepara seus jovens para competirem em um mundo capitalista, na terra brasilis nossos catedráticos declaram guerra à ordem econômica mundial, ao receituário do FMI, ao Bush, dentre tantos outros. Enquanto eles falam a língua do desenvolvimento, nós pronunciamos reiteradamente Uga-uga. Uma vez aplicada a metodologia em tela, ficaremos ainda mais longe do recomendável para progredirmos no campo da educação, imprescindível a qualquer país que almeje um dia suplantar o atraso.



:: Escrito por: Camus às 09h43
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Um último brinde aos "maus costumes" (continuação)

É insustentável o argumento que contraria a prostituição por considerá-la uma relação de exploração. Tente, caro leitor, listar algumas relações que não seja em algum momento dotada de um caráter exploratório, se conseguir, por favor, as enviem para mim. Considerando o argumento em questão, alguns professores seriam presos e as empresas não teriam mais patrões e seriam transformadas em cooperativas. É notório que há muitos professores que usam a sua superioridade hierárquica para impor aos alunos certas "verdades", portanto, exploram o desprovimento dos discentes, tornando-os presas fáceis. Dessa maneira, configura-se a relação entre os favorecidos e os desfavorecidos de saber. Do mesmo modo, os empresários impõem metas a serem alcançadas por seus empregados, que nessa condição, têm que cumpri-las, caso contrário, serão demitidos e voltarão para o vasto mundo dos desempregados. Não há como o empregado negar a imposição feita pelo patrão e esse a faz justamente por ser superior aquele, que por necessitar do emprego cumpre.

Certa vez, vi um pedinte se aproximar de uma senhora e dizer: "por favor me dê uma ajuda, minha filha estar doente", imediatamente a senhora disse: "você aceitaria limpar o meu jardim? Em troca lhe daria alimentação e dinheiro". O maltrapilho rejeitou a proposta. O fato é que, caso aceitasse estaria estabelecida uma relação de exploração, já que muitos poderiam considerar que a aludida senhora se aproveitou da situação em que se encontrava o pedinte para explorar a sua força de trabalho. Logo, a senhora estaria cometendo um crime, certo?

Se algum estudioso resolver transformar uma prostituta num objeto de estudo estará, baseado no argumento exposto, explorando-a, e por isso mesmo, seria um criminoso. Assim sendo, quem não seria um fora da lei? O presidente Lula poderia ser preso, já que explorou a esperança das pessoas. Prometeu aos desfavorecidos um futuro melhor. Ao agir assim, explorou as condições existenciais de tais pessoas e por isso também seria um criminoso? Extrapolar conceitos gera a incompreensão do real.

As prostitutas são humilhadas e exploradas? Sim! Só que a proibição da prostituição não eliminará tal situação, até por que não tem esse fim. A proibição tem meramente uma motivação moral. Se a exploração fosse a causa da coibição, tantas outras práticas seriam banidas e na verdade são ignoradas. Ademais, o aluno, o empregado e o pedinte também são muitas vezes humilhados e explorados e nem por isso, tais práticas são consideradas crimes. Trata-se evidentemente de um falso moralismo que começa a se alastrar e dificultar cada vez mais as relações entre as pessoas. O ideal seria a inexistência de exploração, mas, como disse, tal perspectiva trata-se de um ideal. Há evidentemente imperfeições que, por vezes, são supridas por atividades consideradas agravantes à falsa moral. Assim sendo, é mister meditar sobre a seguinte questão: Em prol dessa moral é válido subtrair das pessoas a forma que encontraram para se manter, simplesmente por caprichos dos falsos moralistas? Curiosamente os que falam em purificação são os mais "sujos".

Ao continuar assim, o indivíduo será isolado celeremente, como já vem acontecendo por conta de outros motivos. Estão nos atando cada vez mais. Garçom, por favor, traga-me outra cerveja e convide aquela loura para vir sentar-se à mesa. Vamos então, brindar os "maus costumes", enquanto é tempo.



:: Escrito por: Camus às 15h24
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Um último brinde aos "maus costumes"*

Alguns elementos irresponsáveis contribuíram decisivamente para transformar uma das mais interessantes conclusões de Karl Marx, que dava conta da existência de uma relação de exploração entre a burguesia e o proletariado, em uma das mais nefastas práticas, qual seja, exasperar a exploração em toda relação social, obstaculizando assim, a existência das relações. Nesses moldes os favorecidos em riqueza, poder e saber, tiram sistematicamente proveito dos desfavorecidos. Banalizaram, portanto, a idéia de relação de exploração, a ponto de considerar os mais variados contatos, dotados de um caráter exploratório e que por isso, devem ser execrados. O que fazer então? Evitar se relacionar com as pessoas, por conta da fatalidade da exploração? Odiá-las e cerceá-las? Tal postura torna-se mais agravante quando utilizada por falsos moralistas para banir certas relações em prol da preservação da moral e dos bons costumes.

Há duas semanas estive num bordel. Aliás, não tenho nenhum pudor em admitir isso. Enquanto bebia uma cerveja, observava as garotas que por lá passavam. Altas, baixas, morenas, negras, louras, tristes, felizes, acompanhadas ou solitárias. Lembrei-me então da discussão acerca da criminalização da prostituição. Recentemente alguns países europeus passaram a considerar a prostituição um total despudor que precisa ser severamente coibido. Essa interpretação gradativamente foi importada para o Brasil a exemplo da idéia de pedofilia, que antes de se tornar destaque na imprensa mundial inexistia nesse torrão. O mesmo ocorre com a prostituição, que um dia foi reivindicação social e hoje é criticada pelas autoridades. É incrível a capacidade tupiniquim de reproduzir pessimamente o ruim. Esse país é especialista em conceder uma versão piorada ao medíocre. Muitas vezes, consideramos luxo o lixo dos outros.

Existem predominantemente dois posicionamento em relação a prostituição na Europa. Um, é totalmente contrário. O outro, é moderadamente favorável, desde que haja uma regularização da atividade. A partir de janeiro de 1999, a Suécia, considerada até pouco tempo, uma espécie de reino do sexo, passou a punir severamente até mesmo, a tentativa de contratação de um serviço sexual. A pena varia de multas à possibilidade de reclusão durante seis meses. Inversamente, a Alemanha regularizou a prostituição em dezembro de 2001. Com isso, os bordéis se tornaram empresas e as prostitutas passaram a assinar contratos de trabalho com seus empregadores, além de terem direito a seguro desemprego e aposentadoria. A realidade demonstrou que os dois casos não obtiveram êxito. A exemplo dos cassinos, a proibição da prostituição não impediu a sua continuidade e a regularização não a tornou administrável, já que muitos foram os casos de prostitutas e bordéis irregulares.

Se a proibição não obteve êxito na Europa, por que então implementá-la no Brasil? Parte significativa dos que condenam a prostituição, utiliza como alicerce para tal posicionamento, a idéia de que há uma relação de exploração por parte dos que contratam o serviço oferecido pelas prostitutas. A mulher aluga o seu corpo, portanto, é explorada. Por que será que ela aluga o corpo? Certamente, porque precisa do dinheiro para diminuir suas privações, ocasionadas pela sua condição social. Em síntese: se vende para se manter. Os arautos do falso moralismo vão além e defendem que os consumidores de tal serviço sejam rigorosamente punidos pela lei.

Continua amanhã.

*Artigo originariamente publicado em 2003 num portal local.



:: Escrito por: Camus às 13h57
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Uma vez mais Lua

Tu és concha rara; Por onde bebo minha luz; O liquido que me sara; A vontade que me induz; Cheia ou minguante, aparente ou oculta não a perco por um ínfimo instante, mesmo quando cortada pelo mirante; A luz que admiro feliz com dotes de realeza; Na obscuridade ou na pureza; Fascina-me pela eminente beleza que emite a olhos deleitados e nus; Que me faz sonhar acordado com as mãos em teus cabelos entrelaçados, que ao seu sublime brilho reluz; Torno-me súdito do teu amor e servo da tua serenidade; Sinto falta do teu moderado calor que me protege da rispidez fluida do frio da sólida solidão e da instância distância que nos separa; Se tu me deres o privilégio do teu coração povoar não se arrependerás e viveremos na luxúria da noite, você a me iluminar e eu a refletir a tua luz lunar.



:: Escrito por: Camus às 10h45
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Somente lembranças

Logo, logo, serei no máximo uma ínfima lembrança; Uma ausência de logos festejada por fogos coloridos de uma desesperança incolor; Mera cobaia de estudos, que não dizem nada, além de um "óbvio ululante"; Azaro de sortudos com figas investidas nos calcanhares do acaso; Onda sem ventos, praia sem mar; Caule suspenso num suspeito ar rarefeito; Pensamento sem matizes em cabeças infelizes; Catarina sem força, guilhotina sem forca; Fluxos que correm sem sentido; Pingo que cai despido de água; É preciso lembrar que não há permanência num mundo passageiro nem paisagens ininterruptas; Não há pontos, só cinzas em forma de vírgulas no cinzeiro; Preciso esquecer da corrente descontínua que se quebra nas esquina do além; Das tonalidades que se tornam plúmbeas, quando os anjos dizem "amém"; Das epidermes que são povoadas por vermes famintos; Da insistência que fragilmente desiste; Enfim, da fraqueza que fortemente resiste; Então, caio onde todos tombaram, embora supere a ponte onde todos pularam; O que me resta, se não resquícios pueris daquela interminável festa? Só lembranças em forma de faces inexpressivas e corpos vazios! Dança sem música; Movimento parado; Paralelas cruzadas; Timbre sem voz; Mensageiro sem alma; Guerra sem paz; Canção de amor sem violinos; Camus sem A Peste; Dorian Gray sem a sua efígie; Ao amanhecer minha composição se decompõe diante de olhos atentos a qualquer movimento; Me quebro e me corto, não mas suporto a monotonia do momento; Jorra o sangue lilás e o equilíbrio dos anais que contempla o desequilíbrio dos facínoras; Me enferrujo e me desfaço no ar que respiro com dificuldade nas ruas da cidade em chamas; Rasgo as vestes de um sentimento nu, que vai pra nenhum lugar, aqui e alhures do radar, captante de moscas tontas e toscas; Gradativamente me torno um fantasma visível; Um ser risível como os amores de Kundera; O que me resta? Talvez só lembranças... Mais que lembranças!... Mas que lembranças? Preciso de uma consoante entre duas vogais para dizer o que sinto, mas ela se encontra na escuridão de uma inexistência ofuscante e palpável.



:: Escrito por: Camus às 13h34
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Lobo sob pele de cordeiro

Foto: Reuters (Handout)

 

É por demais preocupante a inversão de valores difundida pela mídia nos dias que correm. Os assassinos são heróis, os ateus são santos, enfim, os maus são os bons. Não somente a imprensa brasileira, (Jornal Nacional, Folha de São Paulo e Estadão para citar apenas três) mas a latina, a européia, especialmente a francesa (Le Monde, Le Figaro, Liberátion...) estão apresentando de forma irresponsável e cruel a mentira e a falsidade como expedientes permanentes. Objetivam transformar o terrorista Arafat em herói. Vejam só, querem tornar mártir, um facínora.

Seria Arafat um herói? Diante de uma visão panorâmica da sua biografia, constata-se facilmente que não. Muitos já esqueceram, mas Mohammed Abdel-Raouf Arafat Al-Qudwa Al-Hussein, também conhecido como (vejam bem) Pai Construtor, foi o responsável por alguns assassinatos históricos, dentre os quais se destacam, o massacre de atletas judeus nas Olimpíadas de Munique em 1972, o morticínio na escola de Maalot, que culminou com 28 mortes, sendo a maioria criança e o assassinato em massa de cristãos no Líbano. Pergunta-se então, Arafat é mesmo um herói? Se for, o que será de nós?

O fundador das organizações terroristas Al-Fatah e da OLP – Organização para a Libertação da Palestina não pode ser considerado um ícone da paz, como muitos querem, já que é responsável por várias desgraças ocorridas não só ao povo de Israel, mas também a outros povos. Se Arafat for considerado herói, o que achar de Adolf Hitler? Este, por sua vez, repugnava os judeus, a exemplo de Arafat com os israelense. O líder nazista aclamava a raça ariana, isto é, o mesmo que o Pai Construtor fazia com os palestinos. Dessa forma, Hitler mereceria ter se tornado um herói tanto quanto Arafat, quem sabe até, por que não, ser condecorado com o Prêmio Nobel da Paz. Para efeito de informação é pertinente lembrar que a Fundação Nobel nasceu da herança do sueco Alfred Nobel, que em testamento manifestou que a sua fortuna fosse utilizada na concessão de prêmios anuais aos que "produzissem os maiores benefícios para humanidade". As áreas especificadas por ele foram as seguintes: física, química, medicina (ou psicologia), literatura e "para a pessoa que tiver feito o maior ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, ou pela abolição ou redução dos exércitos e forças armadas". Arafat se enquadra mesmo neste pré-requisito?

Num mundo em que Guevara é santo e Arafat herói é provável que Lula seja Deus. Bin Laden (caso já não tenha morrido) e Castro também serão louvados, como tantos outros facínoras que consequentemente serão absurdamente imortalizados.

Premiar os piores é incitar o pior. Infelizmente para ser herói basta ser assassino, terrorista, corrupto... Vamos, não é tão difícil assim.

Nos dias de hoje paz é guerra.



:: Escrito por: Camus às 14h10
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Legado

Após alguns minutos de estrada incerta, chegamos à praia deserta; A noite se encontra em sintonia com o sopro gélido da ventania; Digo o que sinto no ínterim de doses prazerosas de vinho tinto; Observo suas mãos deslizarem em curvas perigosas e ociosas de sensações deleitosamente nuas; Nossos corpos se percorrem sem parar de se encontrarem; Registramos o grande momento em pequenos e cambaleantes escritos; Como ritos de passagens, os lançamos, dentro da garrafa vazia de néctar, ao mar cheio de interrogações e imagens de profetas; No universo paralelo, os receptores constatarão o quanto é possível um sentimento impossível. Hoje sei, que as vidas inseridas naquele frasco, se encontram nas mãos lilases do calmo mensageiro das almas ritmadas.



:: Escrito por: Camus às 13h05
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Infinito fim

Onde tu estás que não vem a mim? Não fuja do sim; Eu a sinto, mas no recinto, não a vejo; Não sou digno do teu desejo? Não me abandone antes do memorável fim; Mergulhe no mar que há em mim; O mundo derrotado parece empolgar-se com as batalhas sem ínterim, que anunciam a queda das célebres estatuetas de marfim; Talvez se esteja acabando o que não tem fim; O que será do fim sem mim? O que será de mim sem fim? O que será de vós sem voz? Poeira atmosférica? Luz divina? Diva carnal? Da esperança me surge uma lembrança de tê-la visto dançando no silêncio e chorando no carnaval.



:: Escrito por: Camus às 09h07
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O que achar do extremismo?*

As formas de pensar a realidade oscilam entre dois extremos convencionalmente conhecidos por revolucionário e reacionário. O fato é que entre os dois pólos existe um continum de formas intermediárias, normalmente negligenciadas ou sintetizadas em torno do conservadorismo, que na verdade é apenas uma das suas inúmeras manifestações. Entre o despotismo e a democracia, ambos em seu "estado puro", existem diversas formas mais ou menos democráticas ou despóticas. À presente introdução, emergem alguns problemas cruciais que favorecem a ineficiência da análise do real. Os partidários dos extremos, independente de qual seja, sofrem de uma espécie de atraso em perceber as transformações que nos circundam. Parafraseando Norberto Bobbio, é impossível, por exemplo, ser um bom marxista, quando se é apenas marxista, mas infelizmente uma expressiva parcela dos que o são, apresentam uma tendência irresistível de ser somente marxista.

É mister compreendermos que as teorias provenientes das mais variadas escolas de pensamento, resultante dos mais díspares pensadores, se complementam em busca da aproximação da verdade. Não se iludam, uma só forma de pensar não preenche os pré-requisitos necessários, que de fato nos auxilie na compreensão da realidade em que estamos inseridos. Não adianta sermos apenas meros críticos implacáveis, a crítica nada é sem argumentos, que devem ser compostos de um conjunto de idéias plurais, e não ideais unificadores que por si só se isolam, diminuindo seu poder de explicação.

Mais uma vez recorro ao pensamento marxista, por ser em alguns casos, um clássico representante deste procedimento. A história mostrou que o marxismo perdeu muito ao se ocupar inúmeras vezes da extinção irremediável do estado em geral, desconsiderando os mecanismos de constituição e funcionamento de um estado socialista – predecessor necessário do fim do estado – como se não houvesse uma relação entre a conquista e manutenção do poder. Verifica-se atualmente no Brasil, que dirigentes extremistas deixam de dizer o que pensam sobre temas essenciais para os rumos do país, como a política econômica em seus aspectos fiscal, monetário e cambial. Esta constante onda de denuncismo muitas vezes vago, deixa a impressão que a referida cúpula extremista com raras exceções, torce pelo pior, visando um triunfo inestimável na disputa sucessória.

Por outro lado, existe a parte intermediária entre os extremos, que representa mais do que se supõe. Estar nesta posição, não é, ao contrário do que muitos pensam, concordar com o status quo por completo, mas sim não discordar incoerentemente de tudo, enfatizando uma análise meticulosa da realidade e propondo assim, reformas necessárias no cotidiano. O fato de alguém se colocar nesta situação, não quer dizer que não possua posições definidas, pelo contrário, esta forma de analisar a sociedade é tão legítima quanto as demais. É necessário ter a coragem de estar aberto – ao contrário, sobretudo do extremo revolucionário, causa de grandes derrotas – a possíveis alianças com outras posições, pois embora seja visível a importância dos extremos, eles não podem ser considerados em si mesmos, suficientes.

Por fim, é primordial nos munir da capacidade de oscilar entre os espectros, independente do seu conteúdo ideológico, e poder colher o que cada um tem de mais sensato e plausível, para assim tornar possível o projeto de construção de uma sociedade mais justa e liberta, no sentido de reconhecer a importância das ações individuais e coletivas, enquanto impulsionadoras de transformações. A melhor forma de possibilitar esta realidade é constatar fatos sem idéias preconcebidas, inalteráveis e isoladas, portanto, sem muitas ilusões e dogmatismo. Nas palavras de Néon Chomski, pensador de esquerda norte americano – Segredos mentiras e democracia – "Ninguém consegue nada só (...) se você se unir a outra pessoa (outras idéias) poderá provocar essas mudanças. Muitas coisas são possíveis, dependendo do esforço ( e dos meios) empregados para consegui-las.

*Artigo publicado no Jornal Meio Norte. Domingo, 17 de junho de 2001. p. 02.



:: Escrito por: Camus às 08h32
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Lição de Liberdade II

No dia seguinte fui até D. Sá, que já me esperava à porta do estabelecimento onde estava hospedado. Fomos a um dos terrenos da minha vó e armamos as sete arapucas, uma distante da outra. Era manhã quando as deixamos à espera das vítimas. Voltamos ao final da tarde e para minha surpresa, três arapucas tinham logrado êxito. D. Sá pegou as três sabiás e colocou numa gaiola que havia levado para este fim. Ao chegarmos, felizes, no local onde ficava D. Sá, este me surpreendeu ao dizer:

- Fique com duas e eu ficarei com uma.

Não acreditando, lhe perguntei o seguinte:

- Você vai me dá?

- Claro que sim! São suas! Pegue-as. Ele tirou a dele e colocou numa gaiola à parte, e me deu as duas que me pertenciam. As levei para casa. A felicidade era total. Lá, segui o conselho de D. Sá e separei as sabiás em gaiolas diferentes.

Eis o meu passatempo de memoráveis dias. Alimentava as sabiás e ficava encantado ouvindo-as expor seus deleitosos acordes. Duas cantoras fantásticas, que me enchiam de orgulho e me faziam relaxar. Acreditava eu, que os pássaros tinham optado por uma vida cômoda, sem esforço. O tempo passou e com ele a minha admiração pelas sabiás, que se tornaram comuns, tão comuns, que não as via mais. Embora elas continuassem cantando, eu também não mais as ouvia. As esqueci, quase que completamente.

Certo dia, ao chegar em casa, observei a visível tristeza em que as sabiás se encontravam. Era de dar dó. Pareciam doentes, tamanho o visível desânimo que as domavam e que ficava explícito nas suas feições. De todo modo, julguei que era algo passageiro e esqueci repentinamente o fato.

Sempre fui caseiro, ao contrário dos amigos de infância. Certa vez um deles me persuadiu a ir jogar futebol, algo que a minha mãe já tinha terminantemente proibido, por conta dos constantes hematomas que eu trazia após as partidas que disputava, sobretudo quando atuava como goleiro. O resultado é que minha mãe descobriu e me deixou em regime de castigo por dois intermináveis dias. Na ausência de alternativas me pus a pensar sobre os esquecidos pássaros, que a exemplo de mim, estavam aprisionados. Observei que estava tão triste quanto as sabiás. No segundo dia, já não suportava mais as quatro paredes do me quarto, cada vez menor. Ao final da pena, pensei então: "se estou desesperado por ter passado dois dias enclausurado, imagine aquelas sabiás, que já se encontram na gaiola há meses". Foi neste momento que me deparei com a valia da liberdade. Infelizmente, só valorizamos algo, quando o perdemos.

Ao final do castigo, não hesitei, soltei as sabiás, devolvendo-as à necessária liberdade. A felicidade estava estampada nos seus semblantes e no meu também. Procurei D. Sá para justificar o que havia ocorrido, mas este tinha, como já havia prenunciado, sido transferido para outra cidade. Diante de uma gaiola vazia perguntei então, ao Reginaldo, amigo de D. Sá, onde estava a sabiá. Ele me disse "D. Sá a soltou". Diante disso, fiquei imensamente feliz. De lá pra cá cultivo a liberdade como o mais sublime valor da vida. Nunca mais vi o D. Sá, nem muito menos as sabiás. Imagino que eles estejam se deleitando com a liberdade. Aprendi tal lição ainda criança, mas tantos se tornaram velhos e morreram, sem, no entanto, nunca terem aprendido o aludido ensinamento. Espero que agora eles estejam voando em liberdade.



:: Escrito por: Camus às 09h28
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Lição de Liberdade I

Na profícua e remota década de 1980, conheci um homem, cujo nome era D. Sá. Infelizmente não tive à época, a curiosidade que cultivo hoje sobre o que significaria o tal "D". O referido homem era policial e foi transferido para a pequena Oran, juntamente com dois amigos de profissão. A pacatez da referida cidade os deixavam em estado de plenitude ociosa. Eles passavam a maior parte do tempo tocando violão e eu ouvindo-os da minha casa, que era vizinha ao local onde ficavam. Foi naqueles dias que conheci parte das canções de Vandré.

Quase sempre, ficava eu a observar o movimento daqueles homens. D. Sá era o mais quieto e, justamente, o que me chamava a atenção, não somente pelo seu comportamento, mas também pelo fato de usar os famigerados fundos de garrafas como forma de amenizar sua voraz miopia. Certo dia, D. Sá resolveu me chamar:

- Vem cá garoto.

Olhei para todos os lados possíveis e embora não tenha visto ninguém, perguntei:

- Eu?

Prontamente, o policial balançou a cabeça afirmativamente. Nervoso, pouco me restou, além de ir até ele.

- Como você se chama garoto?

- Camus!

- Onde você mora?

- Aqui ao lado. – Neste instante, trêmulo, apontei para minha casa.

- Bem, eu me chamo D. Sá e sou policial. Você gosta de brincar de policial?

- Não. Prefiro brincar de bandidos. É mais emocionante.

D. Sá se pôs a sorrir. Estava claro que eu o havia conquistado. O encontro se prolongou. Conversamos horas, até que nos despedimos. Aproximadamente uma semana depois, D. Sá me viu do outro lado da rua e resolveu me chamar, agora pelo nome.

- Camus, venha cá.

Dessa vez, não tive dúvidas que era comigo. Fui rapidamente até ele:

- Sim!?

- Você gosta de pássaros?

- Eu os acho bonitos.

- Você conhece o sabiá?

- Sim! No terreno da minha vó têm vários.

- Sério?

- Sim!

- Você sabia que os pássaros sabem ler?

- Não!

- Pois eles sabem. Você conhece arapuca?

- Sim, já vi algumas.

- O que você acha de fazermos algumas para aprisionar sabiás?

- Pode ser.

- Então, vamos lá. Primeiro vou escrever algo para os pássaros. - Neste instante, D. Sá pegou uma caneta e um caderno e se pôs a rabiscar algo em forma de símbolos incompreensíveis. Repetiu a mesma mensagem sete vezes. Me perguntou então:

- Você sabe o que está escrito aqui?

- Não.

- Pois bem. Aqui são códigos que somente os pássaros entendem e quer dizer o seguinte: "Sabiá se tu queres passar tua vida inteira sem trabalhar, entre nesta arapuca. Nesta arapuca não há de entrar outro tipo de pássaro, somente o pássaro sabiá". Vamos agora fazer as arapucas e depois pregaremos estas mensagens em cada uma delas.

Achei aquilo um absurdo, mas apesar disso acompanhei o policial em busca de pedaços de paus para confeccionarmos as arapucas. Nesse dia, D. Sá passou a tarde inteira fazendo as armadilhas, enquanto eu o observava atentamente. Terminado as arapuca, já estava escuro. Assim sendo, D. Sá propôs que no dia seguinte nós fossemos "armá-las". Passei parte significativa da noite pensando naquelas pirâmides de pau e é claro, nas sabiás que elas poderiam capturar.

Continua amanhã...



:: Escrito por: Camus às 08h13
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Ao amigo Charles

Caro Charles, por favor, não me questione, novamente, o motivo pelo qual resolvi escrever sobre assuntos tão "desatinados" e aleatórios. Sei que tu és um declarado apreciador dos meus escritos políticos e sociológicos, mas o juvenília, definitivamente, não tem este fim. O aludido espaço corresponde a uma forma que encontrei para, repito, escrever o que não escreveria em jornais e portais locais. Quero me aventurar por novos caminhos e visualizar horizontes, que não os habituais. Almejo, por fim, tornar externo a minha parte recôndita. Uma vez mais, agradeço o seu apreço pelos meus escritos, diria técnicos, mas este não é o lugar de encontrá-los, pelo menos com a frequência que deseja.

Estou preparando alguns artigos que serão propalados no jornal em que sempre publico. Quanto a minha impressão sobre o que tenho escrito no juvenília, diria que se trata de uma prosa em verso, por mais paradoxal que isso possa ser. O conteúdo me vem à mente e eu o transformo em caracteres. Trata-se de um mergulho em mim mesmo, mesclado de algumas contradições e críticas, que me são costumeiras. Por fim, torno público como você me pediu, a minha aceitação ao seu convite de reeditarmos os debates e a ágora alcóolica. Afinal, tais mecanismos são exitosos em proporcionar o surgimento de idéias pouco usuais.

Aos demais leitores, caso queiram me ajudar, pediria que, por favor, convençam o Sr. Charles a parar de, através de e-mail´s e telefonemas, me solicitar escritos com temáticas técnicas.

Abraços a todos.



:: Escrito por: Camus às 08h28
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A caminho do paraíso

No meio da restrita vida, me perco numa vasta avenida; De repente, a salvação à frente; A montanha que a todos vêem, sem que seja vista, me retira da infinita pista; Feliz vou em sua direção; Mas os carnívoros não me dão permissão; Ei-los: um leopardo, uma loba e um leão; Me resta voltar às agressivas feras e pacatas eras; Ao seu chamado, me surge o velho safado, que irá me guiar na expedição; Inferno, purgatório e céu; Pedra, tesoura e papel; Perdi o jogo, vamos ao fogo; Nove círculos, sete pecados e incontáveis condenados ridículos; Ao passar pelo escritório de Lúcifer nos dirigimos ao famigerado purgatório; Transposta à estranha terra, voltamos a visualizar a dantesca montanha; Ao transitar para o paraíso, me disperso do velho sem juízo; Em seu lugar, um anjo a me acompanhar; De repente, a vejo consumindo doses cavalares de desejo urgente; Me purifico nas águas quentes do rio, que me deixam com frio; Sinto-me leve como a pluma e branco como a neve; De mãos dadas ultrapassamos, de forma breve, a barra azul do céu incolor; Os santos me sabatinam com ar reprovativo, mas me aceitam de modo retroativo; Sigo em frente por curvas que parecem uma serpente; Os deuses não me dão opção, se não soltar sua mão e me entregar sem querer a imensidão do saber; Instável, ando sobre estáveis esteiras, que me fazem descobrir, finalmente, "o amor que move o sol e as outras estrelas".



:: Escrito por: Camus às 09h10
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Os recados das urnas

Sei que parte dos leitores do juvenília tem uma certa ojeriza à política, mas não posso me furtar de, por vezes, comentar os desdobramentos desta importante área para os dias que correm, sobretudo, considerando o recente resultado advindo das urnas.

 

Quais seriam então, os principais recados emitidos pelos eleitores brasileiros na edição 2004 das eleições municipais? Em síntese, diria que se trata de dois recados: (i) A negação em torno da constituição de um partido hegemônico e (ii) A rejeição do PT, por parte da classe média e da elite empresarial.

 

O equilíbrio do poder já havia sido observado na eleição anterior, quando o PT elegeu o presidente da república e somente três governadores, enquanto que o PSDB, principal partido de oposição, emplacou sete, estabelecendo assim, um visível equilíbrio de forças. Ainda em relação à eleição anterior, é pertinente afirmar que o PT não venceu em nenhum dos três principais Estados da federação: SP (PSDB), RJ (PDT, mas agora se encontra com o PMDB) e MG (PSDB).

 

No que tange à recente eleição municipal a mesma ocorrência foi novamente verificada, quando o PSDB, especialmente no segundo turno, atingiu resultados exitosos. Olhando para o novo mapa político eleitoral é possível constatar que do RJ para baixo, o PT sofreu uma acachapante derrota, apesar do referido reduto ser, há tempos, dominado pela sigla.

 

O segundo recado é por demais problemático às intenções do PT em se manter na presidência, tendo em vista que a classe média é imprescindível para se ganhar eleição. Sem ela a vitória torna-se inviável. Esta classe investiu suas esperanças no governo Lula, que por sua vez, a decepcionou. O PT sacrificou os segmentos superiores da pirâmide social, ao aplicar uma política tributária e um intervencionismo econômico, que tendem a diminuir drasticamente as oportunidades de prosperidade e a empobrecer tal extrato social. Diante disso, restou à classe média voltar a apostar majoritariamente nos tucanos.

 

O exposto no parágrafo anterior é corroborado da seguinte forma: o PSDB venceu nos municípios mais ricos, sendo que em São Paulo, a cidade mais rica do país, os tucanos venceram com folga nos bairros detentores da maior concentração de população de renda superior. Diante disso, resta ao PT repensar suas ações, enquanto é tempo. Um dado curioso é que historicamente os partidos tradicionais dominavam a região norte do país, enquanto que os partidos ditos de esquerda ou centro-esquerda, dominavam o sul. Diziam que as regiões mais desenvolvidas não votavam em partidos retrógrados, dentre outros motivos, por terem um maior grau de instrução e por conseqüência, terem um voto mais consciente. Agora, observa-se o inverso, já que o PT e sua ideologia socialista, foram varridos do sul desenvolvido e enviados ao norte subdesenvolvido. Se tal tese for verdadeira, é mister questionar o seguinte: o sul mergulhou no atraso ou o PT se tornou um partido tradicional? Com a palavra o eleitor.

 

Em tempo é válido acrescentar que o PT venceu a eleição presidencial com uma máxima maquiaveliana “os fins justificam os meios” e agora, começa a sentir o efeito de uma segunda máxima do florentino Maquiavel, que em síntese reza que o difícil não é conquistar o poder, mas sim mantê-lo. 



:: Escrito por: Camus às 11h10
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Belos ou malditos?

- O verdadeiro sentido da vida é a beleza!

- Como assim?

- O que é belo é supremo! Nos guiamos pela beleza. A buscamos sempre!

- Se for verdade estamos diante de algo terrível.

- Você está dizendo que a beleza é terrível? Não lhe parece contraditório?

- Aparentemente sim, mas só aparentemente.

- Desculpe-me, mas não o entendi.

- Tornar a beleza o sentido da vida é tornar a vida superficial e bem mais vulnerável e repentina do que realmente é...

- Pelo contrário, é tornar a vida mais agradável. Rápida, mas satisfatória. Quem em suas escolhas não opta pelo mais belo?

- Eis um dos grandes erros em que a humanidade incorre: escolher a alternativa mais bela, mesmo que não se trate da melhor. Do que me adianta um frasco com contornos perfeitos, mas desprovido de conteúdo. Talvez, nos serviria apenas como adorno a ser posto numa sala de visita. A beleza não tem utilidade duradoura.

- Nada que é bom dura, mas a beleza é satisfatória enquanto perdura.

- Do que lhe adianta se prender a algo que o tempo lhe tirará?

- O que o tempo não nos furta?

- A experiência, o saber!

- Pois saiba que eu trocaria a perenidade do saber pela temporalidade da beleza.

- Não diga isso.

- Digo sim! Eis o meu veredicto.

- Assim caminha a humanidade: aparentemente baseada na essência e essencialmente baseada na aparência. Deixe-me ir. Tenha uma boa noite.

- Uma bela noite para todos nós.



:: Escrito por: Camus às 12h38
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Um certo lorde

Vos deixo, por hoje, com algumas frases emitidas pelo mais fantástico personagem de Oscar Wilde em sua obra O Retrato de Dorian Gray. Trata-se de Lorde Henry Wotton. O cenário é a moralista Inglaterra do final do século XIX. Eis o motivo da maestria do Sr. Wotton. As questões atingem a moral estabelecida e fomentam os mais diversos paradoxos.

"Aprovar e reprovar são atitudes absurdas para com a vida".

"...Sempre é possível sermos bons com as pessoas que não nos inspiram o menor interesse..."

"O único encanto do passado é ser o passado".

"Todo crime é vulgar, como toda vulgaridade é crime".

"Os livros que o mundo tacha de imorais são os que mostram ao mundo a sua imoralidade".

"...Somente o segredo é capaz de nos tornar misteriosa ou maravilhosa a vida dos nossos dias".

" A coisa mais comum, se a ocultarmos, é um deleite".

"Peque o corpo uma vez, e estará livre do pecado, porque a ação tem um bom purificador".

"Só os espíritos fúteis não julgam pelas aparências".

"O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível".

"O caminho dos paradoxos é o caminho da verdade".

"É quando as verdades se tornam acrobatas que podemos julgá-las".

"A pontualidade é ladra de tempo".

"A fidelidade é para a vida emotiva o que a coerência é para a vida intelectual: simplesmente uma confissão de insucesso".

"...Naturalmente a vida de casado é apenas um hábito... um mau hábito. Mas é difícil perder um mau hábito, mesmo o pior".

"Os que são fiéis conhecem só o lado trivial do amor".

"A infidelidade é que sabe das tragédias do amor".

"O verdadeiro inconveniente do casamento é que ele extingue em nós o egoísmo. E os seres sem egoísmo são incolores. Carecem de personalidade".



:: Escrito por: Camus às 13h35
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