Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Infinita contramão

Desço as contorcidas escadas; As desço sem temer; À frente, pervertidas estradas; Todas me dão prazer; Tantos porcos a contar; Nenhuma palavra a dizer; Andorinhas a voar; Linhas imaginárias a percorrer; Apavorado, o destino se afasta; Com ele o perigo; Não pertenço às casta; É sozinho que sigo; Vou sem parar de voar; Desvio das nuvens de algodão vistas do teto solar; Me perco no risco da imensidão; Para além das repetidas paisagens, uma inédita visão: Tua imagem na infinita contramão.



:: Escrito por: Camus às 11h37
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De imatura vai ao chão

Que me perdoem os paulistanos, mas a prefeita Marta Suplicy é um show de pirotecnia chantagista. Nesta reta final da campanha, a sexóloga tem feito declarações que só atestam o seu destempero político. Primeiro elogiou o governador Geraldo Alckmin, depois o criticou. Agora, resolve dizer que sem ele, o candidato Serra não teria a menor chance, o que só constata a inconstância de suas posições, que fluem celeremente, desde que aparentemente favoráveis às suas pretensões; Segundo, numa tentativa de provocar um efeito eleitoral, chora e se diz perseguida pela mídia. Será que ela esqueceu que o Jornal Nacional, por vezes, se confunde com o jornal do PT? (Aliás, é válido dizer que quem falou isso foi uma das fundadoras do PT, a filósofa Marilena Chaui, em recente entrevista). Que o jornal global, no primeiro turno, simplesmente não divulgou (pelo menos em uma das pesquisas) o índice de rejeição dos candidatos, que aliás, em se tratando de Marta, era astronômico, já no caso de Serra, irrisório? Terceiro, tenta criar uma guerra de gênero, ao declarar que "é mais fácil bater em mulher", visando assim, desviar o embate político e tornar-se vítima das circunstâncias de sua autoria. Historicamente, a geração de ódio é uma característica marcante dos coletivistas. Marx já incitava o ódio dos proletários em relação aos burgueses. O PT, através do governo federal, estimula o ódio entre os que têm e os que não têm melanina, ao propor as famigeradas cotas raciais nas universidades tupiniquins. Agora, seria a hora de Marta tentar incitar o ódio, dessa vez, entre os gêneros? É bom lembrar que a campanha eleitoral não é uma guerra de sexo, mas sim, um embate de idéias, ou pelo menos deveria ser, tendo em vista que as últimas disputas eleitorais tem sido marcadas por candidatos com plataformas similares, o que reduz significativamente as alternativas, mas isso é uma outra discussão.

Marta ainda tem, lamentavelmente, feito terrorismo eleitoral em duas frentes. A primeira, ao vociferar, demonstrando todo o seu desespero, que se o PT não ganhar em São Paulo, a cidade enfrentará dificuldades em receber repasses do governo federal. A segunda se manifesta, ao ver que as críticas lançadas à Serra não surtiram o efeito desejado, o que a fez direcionar seu foguetório para o vice do tucano, o pefelista Gilberto Kassab, que segundo ela, provavelmente, assumirá a prefeitura, já que diz acreditar na possibilidade do ex- ministro da saúde desistir do cargo para pleitear outro, como o executivo estadual ou até mesmo à presidência. Afirma ainda, que uma vez na prefeitura, Kassab ressuscitaria o que designou de "turma do Pitta", já que foi secretário do ex prefeito Celso Pitta, tão conhecido de todos nós.

Agora imaginem vocês o que teria feito Marta, se o publicitário da campanha de José Serra, ou qualquer outro dirigente daquela, tivesse sido preso em flagrante numa rinha de galos e, consequentemente, sido indiciado por formação de quadrilha, apologia ao crime e maus-tratos contra animais. Certamente teria dado conotação política ao fato, não acham? Pois bem, os tucanos preferiram não utilizar o fato contra a prefeita. Ainda assim, a alcaidessa se considera injustiçada e vítima de abruptos preconceitos e ferrenhas perseguições. Por tudo isso, Marta tem demonstrado de forma visível, que é imatura para administrar uma cidade como São Paulo. Assim sendo, de imatura irá ao chão.



:: Escrito por: Camus às 14h40
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"Canção do Exílio"

Muitas são as versões dadas à Canção do Exílio, escrita em 1843 por Gonçalves Dias, quando este se encontrava exilado em Coimbra. Muitos de nós, sobretudo, na adolescência, época áurea da poesia, fizemos versões particulares do poema que abre o livro Primeiros Cantos. Eu não fui exceção. Por isso, peço, desde já, desculpas a Gonçalves Dias e a todos os seus leitores pelo que fiz ao 14 anos, idade em que a rebeldia corre às veias. Naquela época acreditava que poderia mudar o mundo, hoje, porém, sei que foi ele que me mudou.

É digno de nota, que a minha versão não foi escrita no exílio. Mas isso não diminuía a saudade que sentia do meu verdadeiro torrão, que me foi levado pela violência e pelo descaso dos nosso governantes miomorfos.

Minha terra tem pancadas,

Mas ninguém canta aqui.

Bêbado na calçada

Vejo a noite cair.

As vozes que aqui existiam,

Já deixaram de persistir.

 

No céu da esquina há meretrizes,

Nossas várzeas têm odores,

Nosso povo cicatrizes,

Nossas vidas muitas dores.

 

Em cismar, sozinho, à noite,

Sem prazer vou procurar,

Mas minha terra têm pancadas

E violência por todo lugar.

 

Minha terra tem horrores

E tragédia em todo lar.

Não me arrisco andar sozinho,

Pois temo não voltar.

 

Não tenho para onde ir,

Nem para onde voltar.

Estou sem rumo na vida,

Com destino a nenhum lugar.

 

Ofendo-me quando penso,

Que nada posso fazer

Para voltar a ver minha terra

Com muito prazer.



:: Escrito por: Camus às 11h27
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Quarto escuro

Uma vez cego, me pego e fujo do desatino da multidão, que fecha os olhos à luz da razão; Entro no meu quarto e parto, simplesmente sem rastros, para a complexa imensidão que há em mim; Fecho a porta e me deparo com o frio da penumbra aberta; As quatro paredes se contraem; O ensurdecedor silêncio me distrai; Inseguro, nada me atrai; Tudo sobe, nada cai; Num século de luz estou condenado a morrer no escuro e sem cruz; Num beco sem saída; Sem volta nem ida, sem morte nem vida; Num insípido labirinto onde ainda sinto o gosto do vinho tinto que me foi posto por alguém sem rosto; Num mar de mágoas e saradas feridas inseridas em águas passadas; Num universo sem prosa nem verso mas com direito a reverso; Sem partida nem regresso; Sem esperança, sem velho e sem criança; Contudo, sem nada, além de um quarto escuro.



:: Escrito por: Camus às 15h31
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Quatro...

Quatro são as folhas do trevo que carrego comigo; Os meus incontáveis e abnormes amigos; As primaveras em anos ofuscados e perdidos; Quatro são os achados de arqueólogos pervertidos, num passado esquecido; Os diabos que dizem amém; Os vagões de um mesmo trem a caminho do além; Os clichês da TV aberta que prende a todos na hora certa; Quatro são as ruas que corto sem grandes intenções, mas com algumas inclinações, à mercê de ladrões; As páginas que me faltam para terminar Os Sertões e assim, enviar Canudos para a clareza dos porões; Os contatos sobre o chão de uma cama gélida em chamas; As rodas lamaçais do seu carro derrapando na grama; Quatros são as paredes do seu quarto que aprisionam as lembranças do seu parto; As molduras do seu retrato, que foge da fama; Os ângulos de sua janela por onde se vê a fusão do céu com o mar, a coruja, a primavera, os seus olhos a brilhar ao final de uma era; Quadrado por onde se ouve o latido circular do cão ecoando na igreja em construção; Enfim, por onde entro em seu coração e a faço bailar sem vestes nem razão.



:: Escrito por: Camus às 10h05
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“Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”. Vamos, então, devagar!

Em entrevista concedida à revista Cult, a filósofa Marilena Chaui se disse afastada dos meios de comunicação, e que por isso, não teria como responder às perguntas referentes ao cenário político nacional. Trata-se de uma opção adotada por alguns que tentam fugir, sobretudo, de informações tendenciosas. É fato que a mídia, de maneira geral, contorce a realidade, mas seria o caso de abandoná-la completamente? Se considerarmos às declarações da aludida filósofa, a questão poderia ser posta da seguinte forma: ignoro a mídia por esta ser tendenciosa, mas acabo desprovido de informações ou noções sobre a realidade, o que me impede de avaliá-la. A lógica nos levaria a concluir que a mídia tem efetivamente, por sua abrangência, construído o pensamento das pessoas e conseqüentemente, os seus posicionamentos, o que é lamentável, especialmente, quando se considera a qualidade e má intenção dos meios de comunicação.

 

A filósofa disse ainda, que quando resolver entender o país vai conversar “... com o presidente da República, com os ministros, com os senadores, com a oposição, com as ONGs, com os movimentos sociais”. A Sra. Chaui pode fazer isso, já a maioria das pessoas.... De todo modo é válido ressaltar, que parte de tais personalidades tem se demonstrado tão tendenciosa quanto à mídia.

 

A única forma de superar o impasse em epígrafe é indo devagar, isto é, estabelecendo o meio termo, que poderia ser (i) buscar informações qualificadas, minoritárias, mas existentes; (ii) saber a procedência das informações e caso queira utilizá-las, citar a fonte, para não sermos, também, desvirtuadores da realidade. Dessa maneira, talvez não estaríamos totalmente ausentes das armadilhas da mídia, mas, certamente, correríamos menos risco. O problema é que majoritariamente às pessoas, por ignorância ou desinteresse, não agem assim, preferindo absorver todo tipo de informação sem ao menos ter o trabalho de questioná-las. Agora, infelizmente é difícil esperar tal postura de um país detentor de um alarmante índice de analfabetos.



:: Escrito por: Camus às 15h59
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Humanidade volver!?*

As praças teresinenses são indiscutivelmente um laboratório fértil, que convida os olhos mais atentos à pomposas e inusitadas análises. Por esses escoadouros humanos fluem inúmeros pensamentos e comportamentos. Ambulantes, mendigos, engraxates, transeuntes em geral, disputam de modo diferente o mesmo espaço. Trata-se de um local onde todos de alguma forma se manifestam, constituindo assim, um complexo de ocorrências, que seriam excêntricas, caso fossem notadas.

Há alguns dias, enquanto passava pela praça Landri Sales, vulgarmente conhecida como praça do Liceu, me deparei com cenas curiosas, que, por vezes, margeiam o inacreditável. Aparentemente, tratava-se de uma família de maltrapilhos que havia se alojado no referido logradouro, ou seja, um fato comum aos dias que correm, se não fosse pelo comportamento atípico das pessoas que atraiam o meu olhar. Hábitos não convencionais, diria até rudimentares perante a compreensão da sociedade norteava o que se via. O que achar de pessoas praticamente nuas, que se comunicavam mais por gestos que por palavras, que acasalavam e realizavam necessidades fisiológicas em plena luz do dia e sem nenhum pudor. No pequeno mundo da aludida família, tudo parecia permitido.

Diante de uma inesperada e avassaladora onda de abstração, resolvi comparar o que via ao hipotético Estado de natureza forjado pela doutrina jusnaturalista ou do direito natural. Sim, porque se fosse o caso de se recorrer à cadeia evolutiva, a referida família, guardadas as devidas proporções e para efeito de análise, não estaria tão distante dos homens pré estatais. Colocar a família em questão, num patamar pré estatal, corresponde a considerá-la como desprovida de Estado, livres e iguais mas sem o estabelecimento de normas comuns a todos. De onde, então, surgiria a necessidade da constituição do aparelho estatal?

Thomas Hobbes advogava que o Estado emerge para assegurar a vida, enquanto que John Locke, por sua vez, o considerava imprescindível para garantir a propriedade privada, ambos direitos fundamentais. Mas que vida? Que propriedade? Aquela família não dispõe de tais direitos. Ela na verdade vegeta. Que vida é essa, sem proteção, moradia, alimentação etc..? Definitivamente não se pode definir como vida, realidades tão díspares, como aquelas em que se encontram essas pessoas e alguém com um alto salário, uma residência, um automóvel, dentre outros elementos denunciadores do tipo de vida que se leva. E quanto a propriedade? Tanto não há, que eles estavam alojados numa praça. Tendo em vista que não há como garantir o inexistente, então, para que serviria o Estado?

Esqueça, caro leitor, brevemente a realidade exposta acima e raciocine sobre os seguintes questionamentos: nos dias em curso, em que há um Estado formado, os direitos acima são mantidos? A vida e a propriedade são efetivamente garantidas pelo Estado? A priori deveriam ser, já que, à luz da discussão em tela, é justamente por conta delas que o Estado surge. No entanto, invasões são comuns e incitadas por integrantes do atual governo e nada me garante que amanhã eu não seja alvejado por alguém, que por sua vez, terá penas brandas, caso as tenha.

Dizem os partidários da concepção aqui utilizada, que o Estado é uma associação voluntária criada mediante um suposto contrato. Não parece haver voluntarismo na gênese do Estado, mas sim imposição (há algum voluntarismo no pagamento de impostos?). É difícil acreditar que as pessoas aceitariam participar de um contrato unilateral em que uma parte, ou seja, o Estado, determinasse quanto a outra parte iria ter que pagar pela prestação de serviços, que na verdade não são cumpridos. Outra estranheza no famigerado contrato é a sua impossibilidade de revogação.

Após esta breve ressalva, voltamos, então, à realidade da família acima citada. Aos olhos dos homens, que se dizem civilizados, a vida dessa família não é ameaçada, mas sim, se constitui numa ameaça que deve ser cerceada. Prova disso é o aparato policial que chega à praça e a leva sobre a justificativa de deturpar a segurança e a ordem social. Assim sendo, é possível revisitar um passado remoto e estabelecer sem pretensões, algumas alterações. O Estado (pelo menos num sentido abrangente, de ser representado pela figura do mais forte, do mais rico, do mais poderoso, enfim, do dominador) já atuava mesmo no estado de natureza, ou seja, trata-se de uma instituição imposta, sobretudo pela violência, e não consensual, como pregam os contratualistas. A polícia estatal ao capturar a família "pré-estatal" a coloca sobre as mãos do Estado. Essa família pode até precisar do Estado, mas este não carece dela.

Enfim, os que viam na evolução um processo linear, enganaram-se com o seu simplismo exacerbado, embora hipotético. A sociedade é muito mais complexa e concomitantemente sempre irá contemplar atrasos e avanços, carências e abundâncias, "primitivos" e "civilizados". Somos, devido o secular fosso existente entre as pessoas e os fatores que concorrem para mantê-lo, seres condenados a revisitar permanentemente o passado, num eterno ciclo vicioso. Humanidade Volver!?

* Artigo de minha autoria escrito em um portal local, no dia 14/11/2003.



:: Escrito por: Camus às 10h45
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Viajante do tempo II

Para não fazer, com aquela que me ilumina, o que Machado de Assis fez com Capitu no célebre Dom Casmurro, ou seja, não lhe conceder a chance de demonstrar o seu ponto de vista sobre o relato de Bentinho, exponho a seguir, na íntegra, a versão, ou continuação (como ela, a luz que reveste a lua, prefere) do post denominado Viajante do tempo (08/10/2004). Aos que não se recordarem, sugiro que o leia novamente.

 

 

"Após a partida, segui meu caminho com a pequena. A luta foi grande, seguia quase que sem rumo pelos becos escuros, frios e malditos. Mas sempre com a pequena. Desesperada, te busquei em muitos olhares, e sem tuas retinas a me refletir, caí no mais obscuro dos inconscientes humanos. Vez por outra, em meio à escuridão, olhando para a pequena, detectava um raio de luz, da tua luz. Passaram-se anos e mais anos.

 

O mesmo vento que te recompôs me recompôs também. No ventre, a pequena, teu raio de luz gerado pela minha fertilidade trazida de outrora. Mas, por algum motivo, ainda não seria a nossa chance de presentearmos o presente, e sim somente a de vocês dois. Então ao dar a luz à pequena, me despeço, deixando-a para ti, para que pudesses de alguma forma encontrá-la, cuidando-a e iluminando-a.

 

Caminho agora pelos desejos dos deuses. Agora, na certeza do encontro desta busca incansável e desesperadora. Ando, ando tanto. Ando agora por becos escuros e malditos, mas seguindo a direção. Num lindo dia ensolarado, em meio a novos projetos, na sede de novos conhecimentos, nas ondas da superinformação, me deparo com o meu sedutor, aquele das grandes escritas, das grandes mudanças, meigo, voraz. Mas fico temerosa, talvez até em dúvidas. Seria realmente ele? Mas a pequena o reconhece e acalma meu coração. Novamente juntos, presenteados pelo presente. Ohana minha".



:: Escrito por: Camus às 15h43
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O tempo, artesão de mim

Tomo I

Não sabem onde me encontro, mas dizem, os senhores da razão, que não há volta, nem rota, que não a trilhada pelos ponteiros do relógio, que contorna o pulso da insignificância; Não entendem por qual motivo preferi o futuro incerto, em detrimento do passado seguro; Acontece que a segurança é a mais falsária das promessas; Quero ser lapidado pelo futuro e não ser uma escultura acabada nas profundezas de outrora.

Tomo II

Não sou compreendido pelo meu tempo; Não há tempo para compreensão; Sou um ser sem sentido perdido na imensidão dos gafanhotos sobre os laranjais; Mas vejo o destino estampado em mãos pessoais; Me olham e nada vêem; Mas por que olham? Talvez por não saberem, que nada sou, que não interrogações sem sabor; Abandono as estradas em prol dos matagais, eis o que me satisfaz, o ostracismo e não os jornais, os obstáculos e não os canais; Questiono a mim e a todos; Moro no futuro; Um dia perceberão isso; Só que já terei partido pela ponte que suplanta o muro... pelo ínterim das grades do presente prematuro.

Sou incompreensível, não me entendem; Sou incomensurável, não me medem; Sou estranho perante o espelho, não me refletem; Sou o que sou não importa a dor, que me vem, inclusive dos céus, sem cerimônias nem troféus.

 



:: Escrito por: Camus às 11h27
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Higiene mental

Há uma efetiva necessidade de realizarmos no país, um processo de higiene mental. Acredita-se em tudo que se diz na mídia, nas universidades, na burocracia estatal, na classe política e até mesmo no próprio meio empresarial. Tantos estão aprisionados às mentiras de escribas e fariseus, que dizer o contrário se tornou um absurdo.

Somos alvos certeiros de idéias estapafúrdias como as cotas raciais, a redução da idade penal, o desarmamento civil, dentre outras tantas (todas já discutidas no juvenília). Tratam-se de idéias que a história reprovou em outros países, mas insistimos em copiar o lixo achando ser luxo. Por favor, lavem os seus cérebros antes de os colocarem à disposição de problemas sérios. Caso contrário, continuaremos a ser um corpo desprovido de cabeça e sem direção definida.



:: Escrito por: Camus às 13h54
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7 X Violeta

Para variar, eis um escrito de tempos remotos.

 

Violões, violeta e violinos

Serenata à luz do luar

O soar dos sete sinos

Abafado pela quebra do mar

 

Me entrego à melodia

Sobrevôo por todos os lugares

De repente a noite vira dia

Me aprisiono aos sete mares

 

O que a faz assim

Tão próxima e distante de mim?

Ao entardecer, só me resta dizer:

Violeta 7 X você!

 

Imagens virtuais, sentimentos reais

Jogados numa roleta

Limites naturais, entraves sociais

Desejo sete vidas ao seu lado violeta

 

Profunda e inesperada ironia

A procurei do início ao fim

Até mesmo na sétima sinfonia

E você sempre esteve em mim.



:: Escrito por: Camus às 09h29
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Viajante do tempo

Manhã de .... de outubro de 1.88.... Chegamos à Estação após conseguirmos driblar os olhares atentos dos meus algozes, que insistentemente nos perseguiam. Diante da certeza que logo seríamos capturados, resolvo, contra sua vontade, enviá-la para longe, juntamente com a pequena. Lembro que a manhã estava gélida e nossos corpos trêmulos de medo. A fumaça da sua cigarrilha se confundia com a neblina que embaçava minhas retinas, refletoras de sua bela imagem. A abraço fortemente e estendo meus braços à pequena que se encontrava às suas costas. Seus longos cabelos negros surfavam nas ferozes ondas eólicas. Suas lágrimas contemplavam de forma sinuosa todos os labirintos da sua face entorpecida. Após o último beijo, as vejo partir, sem escalas, rumo ao futuro. A despedida parte em incontáveis partes o meu coração. Sofro, mas por vocês é válido o sacrifício, neste caso, condutor da felicidade. Num último flagrante, vejo um braço estendido soltando um lenço tinto, que voa rapidamente até minhas finas e paralisadas mãos. Eis o último momento que tive ao seu lado. Eis a minha única lembrança material. Sou capturado e por entre os gritos de um corredor humano, repleto da mais absurda cólera, sou levado ao cadafalso por subversão. Morro feliz por ter salvo minha ohana, por ter poupado minhas ciganas. Enfim, o meu sangue jorra como as larvas de um vulcão em erupção, enquanto a platéia atinge o ápice do delírio.

Passa-se o tempo e o vento leva o que sobrou de mim, como ao pólen de jasmim. Me recomponho, renasço e busco sua imagem em tudo que olho, mas só vejo miragens. Não encontro um só vestígio da sua fertilidade, apesar de ter vasculhado todas as ruas de todas as cidades por onde andei. Me restam lembranças da Estação, do seu semblante, da pequena, que pouco entendia o que acontecia ao seu redor. Talvez não me perdoe pelo que fiz, mas o faria novamente, desde que fosse por vocês. Aprisionado, morri triste para que vivessem livres e felizes. Nunca perdi as esperanças, embora estas já tenham me perdido, me deixado sem sentido... me ferido...

Há anos me pus a viajar pela imaginação dos deuses, numa busca desesperada por vocês. De porto a porto. De canto a canto, com ou sem pranto, lá estava alguém e este alguém era sempre eu, mesmo que sem a majestade do meu nome. Foi então, que num dia de sol intenso, por meio das ondas da superinformação, obtive notícias suas e da pequena, em terras venezianas... onde as pontes não tem nome e os muros não convém. Foi assim que nos cedemos de presente ao presente. Morreríamos se permanecêssemos aprisionados ao passado. Agora, vamos nos aproveitar sem tempo para olharmos para o tempo.



:: Escrito por: Camus às 11h23
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Vou passando

Vidas inseridas em corpos ambulantes; Destinos destruídos em fração de instantes; Feridas distribuídas democraticamente na epiderme do verme, que desesperado não espera e rasga a questão pelo cerne; Desatinos de homens tão cretinos; Lugares além dos radares, mas aquém dos sete mares; Vidas aprisionadas na TV aberta; Contornos comuns, traços singulares; Em néon, um filme baseado na obra de Verne; Tudo é exibido ao vivo, em telões amorfos, que expressam entre as constelações, várias fisionomias em preto e branco e uma falsa isonomia colorida, sem pranto, como um altar sem santo; É preciso fugir da resignação, que a muitos agridem e a poucos agradam, desoxigenando a respiração; Adeus radar captante de moscas tontas e foscas; Quem sabe um dia as lagartas humanas se tornarão borboletas divinas; Enquanto isso, vou passando.



:: Escrito por: Camus às 15h07
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