Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Acessos Juvenílicos:






Rainha da noite

Ontem à noite, como sempre, lá estava ela, intensamente soberana, simplesmente bela; Sua serena luminosidade ofuscava a naturalidade do brilho das estrelas e a artificialidade das luzes da cidade; O céu tenro misturava-se com o mar bravio, as nuvens de algodão com as ondas de espumas, enquanto pingos ferviam no asfalto sombrio; Ela convergia os nossos olhares eqüidistantes, felicitando os semblantes que a flagrava de forma cintilante; Sua imagem cortada ao meio pela ponte que suplantava os muros, que nos dividia naquele interminável instante; De repente, a sua solidez se desfaz na aurora silenciosamente sonora; Eis o amanhecer, que liquida o encanto, mas não caio em prantos, pois logo a veremos renascer contra a vontade de tantos demônios em forma de santos; Torço para que fique tarde mais cedo, quando mais uma vez iremos, do sexto andar do San Benito, contemplar e venerar a majestosa rainha da noite.



:: Escrito por: Camus às 07h40
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Tina

Duas são elas; Um sou eu; Brilham como pérolas aos olhos de um ateu; Uma se vai, a outra também; Fico na companhia de ninguém; Tento te encontrar na escuridão, que se perde no trottoir de plantão; Ando tanto; Tanto ando até você; Ando tonto; Tonto ando em busca do prazer; Ultrapasso os sinais paralisados na imensidão do ar rarefeito; Me perco ao percorrer seus traços perfeitos; Em pontos vitais quero te ter; Vou às alturas; Vôo na eminência; Lá a vejo menina, mulher, musa... nada de sobriedade, apenas loucura; Eis a minha sina, mergulhar numa tina.



:: Escrito por: Camus às 09h27
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À deriva

Ao lado, um vazio outrora ocupado; À frente, um caminho nunca trilhado; Abandono a evidência da sua premente ausência e parto em busca do desconhecido; Largo o que vejo e me lanço ao que sinto, com doses incitantes de vinho tinto; Afasto-me do porto e vou de encontro à deriva; Quebro as correntes do dia e mergulho feliz na noite fria; Desejo asas e não amarras; Voar e não pousar; Quero ir sem voltar; Adeus a todo lugar.



:: Escrito por: Camus às 13h45
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Parabólica

Em homenagem ao aniversário da PN (uma descomunal amiga), vos deixo com uma letra (que ela simplesmente adora) de Humberto Gessinger musicada por Augusto Licks.

"Ela pára e fica ali parada

Olha-se para nada (Paraná)

Fica parecida (paraguaia) pára-raios em dia de sol para mim

Prenda minha parabólica

Princesinha parabólica

O pecado mora ao lado o paraíso... paira no ar ...

Pecados no paraíso ...

Se a TV estiver fora do ar quando passarem os melhores momentos da sua vida pela janela alguém estará de olho em você (paranóica)

Prenda minha parabólica

Princesinha parabólica

Paralelas que se cruzam em Belém do Pará

Longe, longe, longe (aqui do lado) (paradoxo: nada nos separa)

Eu paro e fico aqui parado olho-me para longe a distância não separabólica".

Os meus sinceros parabéns.



:: Escrito por: Camus às 09h58
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Jaz

O frio da noite é a única coisa que sinto; Minto, há ainda uma profunda dor seguida de uma cegueira não menos profunda; Agora sim, não mais me sinto, apenas guardo comigo a sua lembrança em forma de um véu tinto; Uma densa pasta negra antecipa um ensurdecedor silêncio, que explode em torno de mim, carbonizando-me, enfim; Assustadoramente, levito rumo ao infinito; Antes, porém, do alto, vejo, apesar do tenaz obscurantismo, meu corpo estendido ao chão, sem nada, nem ninguém ao seu redor, nem na sua rejeitada direção; Sempre fui apegado aquele monte de epiderme, que agora abandono na companhia dos vermes roedores do nada, sobre uma velha estrada estragada, onde tanto passei. Aqui jaz Camus: Nasceu velho, morreu jovem. Vejam um exemplo do que me ocorre quando mergulho noturnamente nas palavras de Augusto dos Anjos.



:: Escrito por: Camus às 12h49
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Culpados ou Inocentes?

É sabido que o atual governo foi eleito mediante doses cavalares de expectativa. Todos achavam ter finalmente encontrado o tão desejado elixir para síndrome do subdesenvolvimento, como se houvesse uma cura simples para os problemas do país, tal como a vacina contra a poliomielite.

Os jornais internacionais noticiavam um cenário dotado do aval popular e da perspectiva de uma nova página na política nacional. Um torneiro mecânico no poder de um país dominado pelas elites tradicionais era sem dúvida um fato inacreditável. Falava-se em mobilidade social, em fortalecimento da democracia, em esperança de dias melhores. Após a Lula de mel, de repente o primeiro impasse: como praticar o impraticável, ou seja, parte das promessas de campanha? O casamento foi ótimo, mas os dias que se seguiram foram realisticamente pesados.

O governo logo tratou de substituir as bravatas pelo discurso da responsabilidade. O romantismo se desfez no ar e as brigas conjugais passaram a povoar o ambiente. As coisas iriam acontecer, mas, de forma gradativa, "segura", sem a apaixonante aventura do período de namoro. A criança precisaria de nove meses para nascer e de mais alguns para caminhar. Os responsáveis pela efervescência da população, agora tentavam acalmá-la.

Como para tudo procura-se um culpado, quem então, seria o responsável pelo o ocorrido? O PT por ter prometido o que não poderia cumprir? Mas se não prometesse teria chegado ao poder? Se não tivesse chegado ao poder suas promessas não teriam se tornado impraticáveis. Se não mentisse em relação ao matrimônio, não casaria, se não se cassasse, a noiva não saberia como seria o PT casado. Logo foi necessário o PT assumir o poder para vir à tona a impraticabilidade de suas promessas. A vida é assim, só se sabe vivendo, já que se trata de um momento único, como diria Milan Kundera no célebre A insustentável leveza do ser. De todo modo, a legislação eleitoral não impede que os políticos prometam. Assim como o registro matrimonial não obriga que o prometido no namoro seja concretizado no casamento. Não há nada de errado em prometer, mas sim em não cumprir. Mas como saber que o PT não iria cumprir o que prometera? Culpado ou inocente?

Pergunta-se então, será que os petistas sabiam que não seria possível cumprir o que prometeram? Alguns sim, outros não. De toda forma o fato de não saber não os exime da culpa. Pessoas depositaram crédito e agora o querem de volta, em forma de realizações. Muitos comunistas, convictos da existência de um caminho que os levariam ao paraíso, mataram. Quando descobriram que não havia paraíso se deram conta que eram meros criminosos. Culpados ou inocentes? E o povo, será que sabia que as promessas não seriam cumpridas? De toda forma votaram e elegeram Lula. Culpado ou inocente?

Há tempo (embora o tempo seja um recurso não renovável, logo não deve ser desperdiçado) para o PT se reabilitar. Apesar das crises conjugais é possível manter o casamento. Cabe ao PT reconquistar sua credibilidade perante aqueles atingidos por suas promessas, até então, não cumpridas. Por enquanto, o "espetáculo do crescimento" e o fim das "vacas magras" tratam-se de meros desejos. Espera-se que a tenda não caia e as vacas não morram.

Por fim, não resta dúvida que o governo que ai se encontra tem suas potencialidades, o problema é que tais se constituem em ilhas cada vez mais isoladas e cercadas de tubarões famintos. E o Lula? Será que ele mudou de cor a exemplo do molusco que lhe é homônimo? Diante disso é provável que não hajam inocentes, somos todos culpados por estarmos à deriva cultuando dias que nunca se avizinham. 



:: Escrito por: Camus às 08h40
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A insanidade da coletividade

Fonte: http://www.morte.com.br/curiosas.htm

Infelizmente, a forma preponderante de pensar, sentir e agir neste país é eminentemente coletivista. Os exemplos que atestam tal fato são vários, dentre os quais, as famigeradas cotas raciais nas universidades públicas. Nas entrelinhas do aludido despautério, se encontram algumas constatações. Primeiro é óbvio que a quantidade de negros ingressos nas universidades é visivelmente menor que a quantidade de brancos. Mas seria culpa dos brancos? Pablo, jovem branco, perde uma vaga universitária para Pedro, jovem negro, simplesmente por este ter melanina na pele. Isso é justiça social? Que culpa teria Pablo? Dizem os defensores de tal asneira que há uma dívida social com os negros que precisa ser paga. Mas acontece que Pablo nunca fez absolutamente nada contra a ascensão negra, no entanto, está sendo punido por uma dívida secular, na qual não contraiu. Infelizmente, os nossos patrícios não consideram o indivíduo, mas sim as coletividades.

Vamos a outro exemplo. Alguém comete um homicídio. De quem é a culpa? Dizem os coletivista que a culpa é do sistema, que é por demais injusto. Agora, por ser o sistema injusto, isso me concede o direito de atentar contra a vida dos outros? Francamente. A culpa é de quem cometeu o crime e não da sociedade por completo. Estão condenando o todo por uma de suas partes estar apodrecida. Mesmo considerando que a sociedade é a única responsável pelas ações dos indivíduos, não me parece sábia a decisão de manter infratores em liberdade, deixando suas marcas de sangue em cada esquina.

Por fim, mais um exemplo para ilustrar o raciocínio presentemente exposto. Várias entidades ligadas a países negros estão cobrando, ora de outros países, ora das Nações Unidas, um ressarcimento por suas populações terem sido escravizadas. Algumas considerações se fazem pertinentes. A escravidão não era absolutamente condenada em alguns contextos. Ademais, que alternativa, em termos de modo de produção, tinham seus praticantes? Quantos nativos africanos escravizaram seu próprio povo? Além disso, que culpa tem a atual sociedade com as "injustiças" causadas por outros? Os filhos não podem ser punidos pelo que foi cometido por seus pais. Assim, como as filhas virgens dos angolanos não podem servir de objeto sexual para os sacerdotes, por ter seus pais cometido algum delito.

Por que o racismo, o crime, enfim, a injustiça de alguns deve resultar na punição de todos os indivíduos, dentre os quais, aqueles que nada fizeram?



:: Escrito por: Camus às 12h32
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Amar é...

Simples de Coração

Simples de Coração – Engenheiros do Hawaii – 1996.

 

Sou racional; O amor não o é; Dessa adversidade surge um absurdo incondicional: o que sinto por uma mulher; Não adianta procissão ou fé; Fico cego não nego, mas um dia enxergo; Perco os sentidos de mãos atadas e pés detidos, fico nulo, pulo o muro em busca da ponte sublime além mar; Sei o quanto dói amar, mas amo até doer; sou inquilino da dor e condômino do prazer; Tento me libertar, mas acabo por ceder; Amar é um absurdo, mas não amar também o é; por isso vocifero, ame absurdamente enquanto puder.



:: Escrito por: Camus às 16h01
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Escritos de LUZ

Vos deixo, por hoje, com a LUZ que reveste a LUA:


Vc me achou, e eu abri a porta.
Vc entrou, e eu quis sair.
Vc me prendeu, e eu tive medo.
Vc insiste que eu fique, eu insisto em ir.
Vc me mostra, eu duvido.
Vc me ama, e eu me entrego a este nosso amor.

O Guerreiro da Luz fica apavorado diante de decisões importantes. ¨Isto é grande demais para você¨, diz um amigo. ¨Vá em frente, tenha coragem¨, diz outro. E suas dúvidas aumentam.

Depois de alguns dias de angústia, ele recolhe-se ao canto de sua tenda, onde costuma sentar-se para meditar e orar. Vê a si mesmo no futuro. Vê as pessoas que serão beneficiadas e prejudicadas por sua atitude. Não quer causar sofrimento inúteis, mas tampouco quer abandonar o caminho.

O Guerreiro então deixa que a decisão se manifeste:

Se for preciso dizer sim, ele dirá com coragem. Se for preciso dizer não, ele dirá sem covardia.


E sinto você!!!
Sinto teu cheiro, tuas mãos, teu corpo...
Em palavras tento seduzir-te
Te seduzo e me seduzo
Beijos, palavras quentes, corpos úmidos, gemidos...e sigo
Nos teus braços me perco para então,
Me achar em teu corpo
No teu corpo, uma montaria perfeita,
Em galopes fortes e ritmados o meu corpo te acompanha
Num vôo rasante por céus, montanhas e mares
E neste cavalo alado
Sou tua amazona, tua deusa nua.

Deixe-me derramar toda a minha razão em você; Do outro lado do ser deixe-me embriagar na tua boca; Enlouquecer nas tuas mãos; Crescer em teu corpo; Deixe-me ser Menina, Musa, Mulher; Deixe-me gritar, num gemido único, só meu, só teu; Preciso percorrer teus caminhos; Meu porto feliz, reconheço; Sou tua Cigana, tua Deusa Nua, Menina, Musa, Mulher.



:: Escrito por: Camus às 11h57
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À espera de um Bom Dia

Não costumo trilhar os mesmos caminhos. Busco quase sempre percursos alternativos. Trata-se de um hábito que carrego desde sempre. Vou por aqui, volto por lá. Porém, há um trecho por onde, ultimamente, tenho passado reiteradamente. Fica a duas quadras da minha residência. Sempre ao passar, me deparo com uma triste senhora de cadeira de rodas estacionada à porta. Tenho uma imensa vontade de lhe desejar um bom dia e assim, talvez, diminuir a sua infelicidade, mas não consigo mencionar tais palavras, por mais singelas que possam parecer. Anteontem, acordei com um objetivo, qual seja, desejar à aludida senhora um bom dia. Me aproximei, busquei coragem em todas as partes e olhando para a senhora, de olhos pidões e com ar moribundo, lhe desejei um bom dia. Para minha surpresa, não houve reciprocidade. Ela baixou a cabeça e nada me respondeu. Me encontrei decepcionado, mas pelo menos fiz minha parte, afinal, um bom dia é bom não somente para quem o recebe, mas também para quem o oferta.

No dia seguinte evitei o caminho que me levaria à velha senhora, por não saber como reagir diante do silêncio do dia anterior. Já hoje, voltei a trilhar o meu itinerário natural. Foi então, que me deparei com uma infelicidade. Havia um amontoado de pessoas em frente à casa da velha senhora. Curioso, procurei saber do que se tratava e me disseram "É um velório". Não, não podia ser ela. Fiquei durante quinze minutos em dúvida, tentando evitar ir de encontro ao mais provável. Finalmente entrei, causando um certo estranhamento nos que ali se encontravam. Fixei o olhar na senhora que descansava no caixão exposto na sala e lhe desejei em silêncio um bom dia. Observei que sobre a tampa da urna verticalmente encostada na parede tinha as iniciais B D. Seria bom dia?

Fiquei inculcado. A velha senhora estaria me desejando bom dia? Agora a pouco descobri que B D significa Bernadete Dias e que a tal senhora era surda muda, por isso mesmo, não pôde me responder quando lhe desejei um bom dia. Continuarei trilhando o mesmo caminho e lhe desejando bons dias, velha senhora. Posso imaginar o quanto a senhora desejou me conceder um bom dia. Queria que soubesse que eu também desejei lhe conceder bons dias, mas a omissão foi maior e agora pago por ela. De todo modo, saiba que o aprendizado que me proporcionou me direcionará, certamente, a dias cada vez melhores. Muito obrigado e descanse em paz.



:: Escrito por: Camus às 09h01
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Um sonho real

Salvador Dalí. O sonho, 1931.

Encontro-me na estrada, com a alma estragada e sem porcos pra contar; Me deparo com sua imagem em forma de miragem exposta na barra celeste do ar; As estrelas são os pontos que povoam o colo dos teus seios, anseios fatais; Acelero sem pensar nos freios em busca dos tais sinais; Logo adiante patino nas curvas da esburacada pista; Esfrego-me no frio da sinuosidade do seu caloroso corpo; Não há um só registro de quem resista; Um sentimento indescritível me envolve e me leva dali; Realidade e surrealismo, a exemplo de O sonho de Dalí; Sobre à mesa incolor, papel e lápis de tinta; Penso em escrever o que sinto, mas tal sentimento é simplesmente complexo para ser descrito; Dessa forma, apenas sinto... deleitosamente sinto o gosto do seu beijo mesclado com vinho tinto; Não há descrição para a perfeição, nem discrição para o desejo; Descrever é matar, sentir é viver; Por isso vivemos, embora à distância; Choro cloro, me devoro, te adoro.



:: Escrito por: Camus às 11h14
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Os donos da verdade

Há tempos me preocupo e, de certa forma, sofro com as ideologias difundidas nesse país, que por sua vez, quase sempre copia o lixo achando ser luxo. Primeiro, por serem nefastas à humanidade; Segundo, por serem inocentadas do mal que provoca, impondo covardemente, através da manipulação dos fatos, a responsabilidade em outras idéias, sobretudo as liberais.

Dizem os donos da verdade, que somos uma nação neoliberal. Estariam eles com a razão? Ao que me consta o neoliberalismo (neo?) defende de maneira geral a diminuição do Estado e não a elefantíase do mesmo. "Fim da burguesia!" Destruam a cultura burguesa e vejam o que sobrará dos seus vorazes críticos. É preciso acordar e evitar que este utópico sonho desemboque num pesadelo já visto em outros países.

O país se encontra diante de inúmeros problemas, parte deles, há anos superados por outras nações, em especial as liberais. Mas a culpa sempre recai no mesmo lugar, isto é, no capitalismo. Antes de continuar é válido uma indagação: O capitalismo é um modo de produção perfeito? Claro que não, mas indiscutivelmente é bem menos perverso que os modos de produção coletivistas, como a história provou e muitos insistem em negar.

De todo modo, por mais incrível que possa parecer, os donos da verdade preferem dizer que há uma ideologia que nos mantém em estado retrógrado, e esse conjunto de idéias não é o que eles defendem. Pois bem, questiono então: se perguntarmos a um estudante do secundarismo, em quem ele mais ouviu falar, se em Marx ou em Adam Smith, a resposta é patente. Ele não saberia, por exemplo, reconhecer uma imagem do autor de A Riqueza das Nações, mas não titubearia, diante de uma fotografia do velho barbudo, autor de O Capital.

Uma das estampas mais vistas em camisas teens corresponde a imagem do guerrilheiro Che e não de algum liberal "filho da mãe". Já me deparei com frases de Marx disputando espaços com as letras de Renato Russo. Mas ainda assim, os donos da verdade põem a culpa nos liberais, como sendo os responsáveis por ideologizar os jovens. Sei o quanto é difícil assumir a culpa. Isso seria o mesmo que admitir o erro.

Recentemente os donos da verdade conseguiram mais um feito, tornaram Olga Benário uma heroina. Até acredito que sua resistência foi efetivamente heróica, mas a causa pela qual lutou, não é digna de uma heroina. A espiã Olga foi detentora de um sonho romântico e utópico que condenou à fome, mais de vinte milhões de pessoas na ex-URSS de Stalin e sessenta milhões na China de Mao, só para se restringir a dois tristes exemplos. Enfim, sua causa nada tinha de heróica. Mas infelizmente estão os brasileiros se deleitando diante da inversão e/ou omissão dos fatos e já consideram a alemã, a mais nova celebridade tupiniquim. A verdade é que os donos da verdade fizeram uso de sua especialidade e mais uma vez manipularam a história. Com o pretexto de tornar a vida melhor para todos os povos, a causa de Olga e de tantos outros militantes tornou a vida amarga.



:: Escrito por: Camus às 08h39
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Senhores dos nossos destinos

Vos deixo, por hoje, na excelência da companhia de um dos maiores espíritos da humanidade. Refiro-me a Camus:

"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito."



:: Escrito por: Camus às 08h15
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