Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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?!?!

Parto rumo ao infinito, mas logo estarei de volta. Espero manter os amigos, tão raros, tão caros. Aguardem-me, logo voltarei. Mergulho em mim mesmo, numa profundidade sem fim... Por enquanto vos ofereço o silêncio. Sintam-no, respirem-no. É frio, mas, por vezes, nos faz bem, muito bem...

Abraços!

 



:: Escrito por: Camus às 18h44
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Seja você!

Não sou de esquerda nem de direita.

Nada tenho de revolucionário ou reacionário.

Preto? Branco? Prefiro todas as cores, raças, idéias, valores.

Para lá ou para cá? Que tal aqui e ali, a exemplo do velho Dali!?

Sou ou não sou? Talvez seja, talvez não.

Sou sedento, tão sedento que uma só fonte nunca me satisfaz.

Não quero mudança brusca, nem manutenção.

Quero sim, transformação.

Odeio velocidade mas adoro direção.

Os rótulos aprisionam os agentes e limitam os acontecimentos.

Pessoas rotuladas foram mais ou talvez menos do que vociferaram os rótulos, mas nunca foram os que eles pregam.

Não há salvadores, gênios, idiotas. Todos somos de tudo um pouco.

Não sou “A”, nem tampouco “B”. Sou o resultado de “A” e “B”, quem sabe “C”?

Encontro-me no ínterim que separa os extremos.

Cristo assim foi crucificado, talvez objetivando o mesmo fim.

É bem verdade, que estar no meio do tiroteio é arriscado. Mas atravessar a rua também o é.

No meio vejo ambos os lados. No centro vejo toda a periferia. Sei o que fazem, sei como pensam.

Conservador? Não, nunca conservaria a dor, a repudio.

Busco incansavelmente remédios para combatê-la nas mais variadas farmácias, não importando quem são seus proprietários.

Devemos ter posição e não imposição. Reconhecer fraquezas, refazer percursos, admitir erros, mas não repeti-los e sim supera-los.

Nada de radicalismo nem de ismo algum. Seja você, sempre você, não importa o quanto custe. Não há nada melhor que sobrevoar o todo, sem pousos forçados.

 



:: Escrito por: Camus às 10h30
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Imortal aos olhos meus

Dentre as minhas remotas lembranças da infância, sempre há lugar para Dona Senhorinha, uma encantadora velhinha de noventa e tantos anos, que tinha em mim, talvez, seu único amigo. Lembro-me que enquanto os guris tinham medo dela, eu, por minha vez, me sentia bastante seguro em sua casa, que muitos acreditavam ser mal assombrada, devido as constantes chegadas de urnas funerárias. Costumávamos nos divertir nas proximidades da casa de Senhorinha e por várias vezes presenciamos a chegada de caixões. Meus amigos não entendiam o motivo de tantos caixões, mas eu sim. Senhorinha era muito precavida e fazia questão de ter sempre à sua disposição, uma urna funerária. Dizia: "Não quero dá trabalho quando morrer".

Mas para quê tantos caixões, se só um bastava para alojar a velha senhora? Eis a pergunta dos amigos de infância. Senhorinha sempre fora prestativa, sobretudo com os mais necessitados. Como a pequena Oran era constituída em sua maioria de pessoas pobres, Senhorinha sempre fora muito requisitada. Dessa forma, sempre que morria alguém, Senhorinha, conhecedora da realidade da família, doava seu caixão ao defunto. Doou várias vezes e cada doação era seguida de uma nova aquisição, que ela preferia fazer pessoalmente: "O caixão será minha casa eterna, por isso não quero que outra pessoa o escolha, até porque a escolha pode não ser boa".

Em um determinado momento, a seqüência de mortes se intensificou a tal ponto que populares foram pedir a Senhorinha que não adquirisse novos caixões, já que acreditavam que as aquisições "chamavam a morte". Senhorinha não lhes deu ouvidos e permaneceu comprando os caixões, por considerar o pedido dos populares um "excesso de besteiras".

Numa certa manhã estava indo ao colégio quando ouvi uma voz me chamando, era a empregada de Senhorinha. Trêmula disse-me, "Senhorinha o chama". Fui correndo ao seu quarto e ao chegar lá ouvi as seguintes palavras da velhinha: "No começo não me ocupava da morte. Ela era invisível e eu sempre a ignorava. Com o passar do tempo ela foi se tornando cada vez mais visível. Eu a vejo agora, posso tocá-la. Nunca senti algo tão frio". Estou partindo para a imortalidade". Olhei rapidamente para o canto do quarto e me deparei com a ausência do caixão, logo agora que a "velhinha" precisava tanto dele. Senhorinha continuou: "Por favor escolha um caixão para mim e coloque-me na minha casa eterna. Adeus". Essas foram suas últimas palavras. Na boca desdentada, um estranho sorriso de plena felicidade contrariando a tristeza em que eu me encontrava. Poderia lhes dizer, que não se deve doar tudo o que se tem, sob pena de ficar desamparado, mas o sorriso de Senhorinha representava justamente o contrário.

Horas se passaram até que o seu neto, que morava numa cidade próxima chegou e tomou a missão que me foi incumbida por Senhorinha. Foi então, à procura de uma urna. Chegando lá, nem se deu o trabalho de olhar com cuidado os exemplares, como sempre fizera Senhorinha. Simplesmente apontou o dedo indicador para o primeiro caixão que viu e o comprou. Quando vi o neto chegando com a "casa eterna" da vó constatei rapidamente que aquele caixão nunca seria aprovado por Senhorinha, mas nada podia fazer. Afinal, quem daria ouvidos a uma criança? Senhorinha tinha me escolhido por saber que eu era a pessoa certa, já que por várias vezes a acompanhei nas compras das urnas funerárias. Seu neto, por sua vez, há anos não a via, não sabia dos seus desejos e de certa forma, ignorava sua existência.

Não suportei a cena que ilustrava a colocação de Senhorinha em sua casa eterna. Ela parecia maior que o caixão, o que dificultou a sua inserção no mesmo. As pessoas não entendiam, mas Senhorinha não queria ser colocada naquele caixão. Vejam que coisa, Senhorinha comprou vários caixões e foi sepultada justamente numa urna que não escolheu. As lágrimas rolaram por entre os labirintos do semblante. Estava frustrado. O único pedido que Senhorinha me fez eu não pude cumprir. Até hoje sinto-me culpado pelo ocorrido, apesar da avassaladora impotência que me cerceava. Às vezes tenho vontade de exumar Senhorinha e substituir a sua "casa eterna". Quem sabe um dia...

Senhorinha que sempre desejara a imortalidade, provavelmente não a alcançou, a não ser na lembrança de uma criança.

À Senhorinha só me resta pedir desculpas.



:: Escrito por: Camus às 10h02
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A (des)importância de Marx

Há dois dias, algumas pessoas com quem eu bebia, numa mesa de bar, me perguntaram que importância eu daria a Marx. É óbvio que tal pensador tem sim uma importância, mas ela é mínima perante o mal causado por suas idéias. O questionamento à realidade inaugurada pela Revolução Industrial é sem dúvida algo considerável, mas paramos por ai, o que vem para além disso são idéias soltas, previsões desastrosas, além é claro de uma compreensão política falha, embora muitos desejem minha morte por tais afirmações.

É preciso conceber que Marx é muito mais importante pelo mal causado, que propriamente pelo uso do saber. Se estabelecermos uma relação entre o que o velho barbudo disse e o que aconteceu, veremos que a história não foi cortês com suas adivinhações. Marx falava em união dos trabalhadores. Quem não lembra do Manifesto do Partido Comunista, que termina dizendo aos trabalhadores "Uni-vos"? A Primeira Guerra Mundial desmentiu implacavelmente Marx, tendo em vista que os trabalhadores preferiram conceder lealdade às suas nações e não a causa proletária.

Marx disse que a Revolução ocorreria nos países industrializados, onde a força produtiva teria consciência de si, enquanto classe. A Revolução faltou ao encontro nesses países, mas chegou com um excesso de ímpeto odioso nas nações agrícolas. O pior é que Marx nunca imaginou que as economias européias dariam origem as democracias liberais. Aqui se encontra somente uma das vertentes errôneas de tal pensador qual seja, as equivocadas previsões.

Diante de tantos erros o marxismo..... não, não pensem que se dissolveu no ar, pelo contrário, encontra-se vivo, sobretudo, nas universidades e nas mentes de milhares de jovens.



:: Escrito por: Camus às 15h55
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Nada além do ódio.

A semana Paulo Freire realizada numa universidade brasileira torna oportuno uma breve discussão a cerca do pensamento do autor. Este ilustre senhor considerava a sociedade como sendo um mero confronto entre opressores e oprimidos. Você que agora direciona seus olhos sobre o presente texto, me responda: você é opressor ou oprimido? Difícil definir não acha? Que mágica Freire utilizou para baseado em Marx inserir as pessoas em uma dessas categorias e assim confrontá-las. Certamente uma mágica que até hoje atrai platéia e a converte através da famigerada Pedagogia do Oprimido. A noção de classe é um arcabouço de confusão, simplesmente porque não há classes. Há pessoas que participam de vários grupos sociais. O que elas são, opressoras ou oprimidas? Os proprietários dos meios de produção seriam os opressores? Sou empresário pela manhã e trabalho numa empresa na parte da tarde. Sou opressor ou oprimido? Talvez seja opressor pela manhã e oprimido à tarde. Exploro de manhã e sou explorado à tarde. Fico com a mais-valia dos outros pela manhã e os outros ficam com a minha mais-valia à tarde. Pertenço a uma classe num turno e a outra noutro turno. E o velho Marx continua na crista da onda surfando sobre milhões de vidas que já se foram.

Freire vai além e prega o ódio de classes: "Pregam a harmonia das classes como se estas fossem aglomerados fortuitos de indivíduos que olhassem curiosos uma vitrina numa tarde de domingo". O que há de mal em pregar a harmonia? Na sociedade não há apenas o conflito, mas também e necessariamente o consenso. Em tempo, Che afirmou certa feita, que o revolucionário deve ser uma "fria e eficiente máquina de matar". Freire, por sua vez, não ficou atrás e disse "A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida". O que dizer de um processo que tem como meio inúmeras assassinatos? E a ilha cubana continua sendo um modelo a ser seguido. Já para o paredão!

A pedagogia desenvolvida por Freire, herói da educação tupiniquim, é na prática uma doutrina ideológica, em que os docentes submetem os indefesos discentes a covardes doses de terrorismo intelectual. A educação não deve determinar o que o aluno deve fazer com o conhecimento recebido. A educação deve sim tornar o indivíduo autônomo e incitado a buscar a recompensa, a cultura, incitando assim a sua curiosidade. É preciso entender que só quem é capaz de pensar por conta própria sabe o caminho a seguir. E o caminho da servidão apontado por Hayek continua sendo rigorosamente seguido. Pior que tudo isso é saber que as universidades, consideradas centros intelectuais, são as responsáveis por apontar tais propostas como solução para os problemas em curso. Francamente, não faz sentido permanecer no obscurantismo. Termino com um aviso: Antes que critique a pedagogia do ódio, veja quem se encontra ao seu lado, tendo em vista que os defensores de tal pedagogia são intolerantes e negligenciam a livre manifestação. Onde estará o velho Voltaire?



:: Escrito por: Camus às 08h32
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Os opostos se repelem!

Um célebre axioma físico advoga que os opostos se atraem. A questão é compreensível tendo em vista que a física é uma ciência exata. Porém, tal afirmação não é válida para os relacionamentos humanos que nada têm de exatos. Na física, cargas opostas geram energia útil, ao passo que nos relacionamentos sociais, energias iguais podem ser altamente explosivas, desgastantes, por fim, repelentes.

Caro internauta, o que o aproxima de alguém é a sua similaridade com esta pessoa e não a diferença que há entre vocês. Um brasileiro ao chegar no estrangeiro, obviamente se identificará muito mais com outro brasileiro que com um estrangeiro. Buscamos nos outros o que encontramos em nós. A tese contrária advoga que buscamos um complemento, logo estamos a procura de algo diferente que nos complete. Quem foi que disse que algo que nos é similar não pode nos completar?



:: Escrito por: Camus às 15h05
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Eu andarilho de mim

Olho para o céu. As nuvens adquirem formas na minha imaginação. Vejo um dinossauro, uma árvore, uma face repleta de rugas. Sigo a sinuosa e lamaceira margem do rio, que parece querer me levar rumo ao infinito. Observo súditos na coroa fingindo se divertirem com uma ociosidade entediante. O horizonte se torna longínquo na medida em que me aproximo. Os raios solares me ressecam a pele. Não ouço nada além da minha respiração. Sou um andarilho que foge da permanência. As nuvens mudam de formas. As formas mudam de nuvens. Tenho pernas para ir a qualquer lugar sem seguir trilhos, rotas, estradas... Meu fim é andar, andar, andar.... sem parar jamais, sem jamais parar. Volto a olhar para o céu, que já se encontra envolvido pela noite. Meus olhos refletem a lua. Paro, mas apenas por alguns instantes, logo voltarei a andar.



:: Escrito por: Camus às 16h03
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Impasse.

Se as pessoas não estão preparadas para questionar a realidade, como então, é possível transformá-la? Casualmente ela não sofrerá alterações significativas, mas meramente subsidiárias. O problema se avoluma quando se considera que os beneficiários da realidade reinante são justamente os que possuem o poder de modificá-la, o que obviamente não irão fazer, a não ser que não satisfaça mais aos seus reais interesses. Por outro lado, não adianta esperar pelas novas gerações, elas também encontrarão uma sociedade pré-montada e com poder de cercear qualquer tentativa que contrarie a vigência do atual curso. As pessoas nascem e assim são inseridas na sociedade. Sofrem então, a influência da família que inicia o seu processo de socialização definindo sua postura, sua forma de pensar, seus valores, ou seja, o que é "certo" e "errado" perante o estalão social. Os neófito têm direitos limitados perante os deveres impostos. Suas vestimentas, seus destinos, seu nome, sua morada, tudo é definido pela família. Mais tarde passa a freqüentar a escola, que por sua vez, já se encontra condicionada a inserir o necessário para a manutenção do status quo reinante. Antes, paralelo ou depois disso, depende de cada caso, há a igreja que propaga inúmeros dogmas, que não contribuem em nada para a transformação do real, mas sim para a sua manutenção, através de práticas impregnadas de tradicionalismo. A pergunta em epígrafe permanece, por enquanto, sem respostas pertinentes, mas visando atingir um fim, qual seja, instigar as pessoas a pensar a respeito da ditadura do ser.

Impasse II

O tomo anterior expôs de forma sintética três mecanismos designados por Louis Althusser de aparelhos ideológicos de Estado – AIE. Tais elementos são responsáveis pela elaboração de um código de postura que define a forma de pensar, sentir e agir dos indivíduos, e que caso contrariado ocasionará sanções do tipo negativa para os que assim procederem. Dessa forma, os principais espaços constituidores da personalidade humana encontram-se ocupados por uma tendência concorrente para a manutenção da ordem vigente. Em tempo é válido afirmar que há a necessidade do estabelecimento de regras, mas é preciso questionar o seu propósito, ou seja, a quem elas favorecem. A resposta coincide com a gênese do problema ora exposto, isto é, uma minoria em detrimento da imensa maioria. Em breve voltarei ao assunto. Por enquanto, não nos dói raciocinar ou será que dói?



:: Escrito por: Camus às 11h12
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"Quem sabe faz a hora não espera acontecer". Infelizmente poucos sabem.

Inquietações iniciais

Muitos já refletiram à cerca das injustiças que assolam o mundo desde a sua gênese. As respostas alcançam níveis impensáveis de variação. As interpretações convergem para um mesmo ponto: o lamentável fosso que há entre os desiguais. Enfim, o discurso é comum a todos, especialmente aos políticos, embora poucos o tornem prático, devido a incompetência, o desinteresse ou a acomodação. Teoria sem prática de nada nos serve, a não ser para atrair votos de uma população ignorante. É válido então indagar: o quê ou quem é o responsável por essa realidade tão massacrante? Se a história é escrita por um senhor dos destinos, este autor é implacável com a imensa maioria de seus personagens. Um Deus concederia isso?

O que é necessário fazer para alterar a infelicidade dos fatos? É possível modificar este estado de coisas? Será que a massa humana está condenada a um incompreensível e inesgotável sofrimento? Como sair da condição de paciente para a de agente.

Notas introdutórias sobre a realidade

Não se pretende, neste primeiro momento, responder as indagações feitas, mas sim apontar alternativas que facilitem a compreensão do real. Dessa forma é necessário afastar o que Francis Bacon designou de pré noções, ou seja, o senso comum, que deve se limitar a ser no máximo um ponto de partida, um indício do que precisa ser estudado, os sinais da fumaça e não as chamas. A realidade não é obra do acaso. Nada tem a ver com o destino escolhido por um ser onipotente e onipresente, nem tampouco é uma fatalidade, embora o seu retrocesso se torne gradativamente mais improvável, por mais que se queira ser otimista. Aliás, um otimista num mar pessimista é provável que se afogue. Também não se trata de algo estritamente controlado por um grupo de pessoas a serviço de uma classe, como diria o velho Marx acerca do Estado. A realidade é bem mais complexa do que se imagina, logo não pode ser explicada por especulações eminentemente simples e inadequadas para resolver sua equação. Há uma verdade inquestionável, qual seja, o mundo é prazeroso para poucos e angustiante para muitos. Por quê então, uma minoria é iluminada, enquanto os demais se encontram na mais ínfima obscuridade? A resposta é de ordem individual e concomitantemente geral. Faltam iniciativas, porém não há como elas existirem numa sociedade treinada diuturnamente pela família, pelo Estado, pela Igreja, dentre outros aparelhos ideológicos, para ser rigorosamente conformista. Não há muito o que esperar de pessoas abnegadas, porém, não há como ser diferente enquanto houver um sistema de reprodução do status quo funcionado de forma a produzir humanos sem senso crítico. Metaforicamente eu diria que a sociedade funciona como um ônibus, isto é, os passageiros (a população) não interferem no destino do transporte. O motorista, o único que pode fazer algo no sentido de modificar o itinerário (ordem vigente), não o faz por temor às sanções negativas impostas pela empresa ou talvez, pelo poder público responsável pelo gerenciamento, fiscalização e planejamento das linhas. O único fator que pode efetivamente contribuir para a alteração do rumo da história (ônibus) é um acidente que o impeça de prosseguir pela via que vinha trilhando. Estamos, então, entregues a um acidente? Sim, mas não é necessário esperar que ele ocorra, podemos antecipá-lo.



:: Escrito por: Camus às 14h33
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À espera de um milagre?

É lugar comum que um dos motivos da escalada da violência nos últimos anos deve-se ao fato dos bandidos convencionais terem sido misturados com os bandidos ditos políticos, isto é, revolucionários à moda francesa, partidários da tomada do poder via força. Os primeiros foram alvos certeiros de overdoses práticas e teóricas. Por um lado, técnicas de guerrilha, por outro, ideologia política oriunda de mestres ilustres como Mao, Che, Marx, dentre outros. Ainda hoje nosso centros racionais, ou seja, as universidades, proliferam suas teses esquerdistas estrategicamente em cabeças juvenis, disseminando o ódio entre classes, entre raças....

Quando o traficante Fernandinho Beira-Mar foi levado a uma comissão especial no Congresso, disse o seguinte, se dirigindo aos políticos presentes: "Como vocês roubam o povo, os pobres se defendem como podem". Trata-se de uma tese que não é dele mas infelizmente de nossas vultosas universidades. Em tempo, em alguns cursos de economia existem disciplinas do tipo Economia Marxista I, Economia Marxista II, Economia Marxista III, por outro lado, não há uma disciplina designada Economia Smithiana, ou Ricardiana, embora Smith e Ricardo tenham sido a base econômica seguida por Marx. No curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí, Marx é obrigatório e Weber optativo. Não há muito o que esperar de uma geração com tal formação, se não o estado de coisas que ai se encontra.



:: Escrito por: Camus às 09h39
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