Albert Camus

Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim,
mas apenas um começo...

Albert Camus






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Noites nubladas

Infelizmente a distância tornou-se um obstáculo inconveniente. Estamos afastados, embora estejamos unidos a fio, que na verdade não é o bastante para nos satisfazer como desejaríamos. Mas, não pense que os quilômetros implica em esquecimento, eles nada são, além de uma mera convenção humana que demonstra a fraqueza dos que não sabem sentir com razão e pensar com emoção.

Não a vejo, mas a sinto sempre. Consolo-me ao saber que é incomparavelmente melhor sentir e não ver, do que ver e não sentir. Raras são as pessoas a quem, apesar de não vê-las, dedico meus sentimentos, por outro lado, são incontáveis aquelas que sempre vejo mas nunca as sinto.

Os deficientes visuais não conseguem enxergar, mas isso não os tornam insensíveis, pelo contrário, os transforma em seres intensamente sensíveis. Lembre-se, a distância é indiscutivelmente incômoda, mas é suportável!

Por fim, a visão é sem dúvida imprescindível, mas não seria tão relevante caso não houvesse o sentimento. Nas noites em que a lua encontra-se envolvida por densas nuvens, e por isso se torna aparentemente invisível, não adianta procurá-la em nenhum lugar, que não em você. Eis o momento em que tenho a certeza que me encontro em você. 



:: Escrito por: Camus às 13h06
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Lua

Esta história que irei relatar agora, me tornou o que sou hoje, embora não saiba exatamente o que eu seja. Diante disso pergunto-me: que sentimento devo cultivar em relação a minha querida lua? Agradecimento? Fúria? Torpor?

Sexta-feira, tarde do dia 20 de Julho de 2001. Após uma viagem estafante, em que contei setenta e cinco porcos pelo caminho, me deparei com uma imagem que me chamou atenção logo que detectei incontáveis diferenças entre ela e as demais formas ao seu redor. Simplicidade, felicidade, divertimento, originalidade e beleza, eram alguns atributos inerentemente seus. Tratava-se de qualidades que enriqueceria qualquer mulher e que certamente foram as principais responsáveis pelo meu envolvimento irremediavelmente imediato. Não conseguia deixar de olhar para ela, é como se por alguns segundos só existisse eu, ela e uma avassaladora vontade de tocá-la e conhecê-la. Esta fantástica exultação durou até o momento em que saiu de cena, se desfez no ar entre um piscar e outro das pálpebras. Mantive-me com a esperança de voltar a vê-la, mesmo que por alguns comensuráveis segundos.

Cai a noite na cidade de Oran e durante uma tradicional festa local, meus olhos felizes voltam a refletir a bela imagem, como da vez anterior, alegre e divertida. A partir de então lhe perseguia com o olhar, por todos os lugares em que fosse, alguém olhava para ela, e esse alguém era eu, sempre e impulsivamente eu. Em um determinado momento, finalmente a capturei com o olhar e ela passou então, a olhar para mim com suas lindas retinas verdes. Os olhares se cruzaram várias vezes, mas a nossa timidez, a nossa fraqueza diante de um inexplicável e fortalecido sentimento, nos impediu de nos aproximarmos. Pensei várias vezes, que infelizmente não seria possível conhecê-la, teria que me satisfazer em admirá-la à distância. A felicidade estava ao alcance da mão e ao mesmo tempo inacessível, denunciando assim, o cúmulo do limite. Os obstáculos eram mais fortes que a minha coragem, que por vezes, é batida pela mais frágil dificuldade. Estava prestes a desistir e me arrepender por infinitos dias, quando a amiga dela, Dalva, a quem até hoje devo muito, se aproximou e falou o que eu mais queria ouvir naquela noite:

--- a minha amiga quer falar com você, o que acha?

Sem hesitar aceitei de imediato, mas antes da amiga se direcionar a ela, foi ela quem veio até nós, perguntando o que já sabia:

--- o que ela falou? --- disse-nos.

Sua voz soou calmamente, numa deliciosa e aguda harmonia. Não acreditava, mas ela estava ali diante de mim, seus lindos olhos refletia a minha cambaleante imagem. Procurei mil palavras e não encontrei uma só, o meu silêncio espalhou-se pela noite e só foi interrompido por sua afetiva e inconfundível voz:

--- Não vai me dizer o que ela falou? –- Insistiu sorrindo.

Diante de uma coragem inesperada disse-lhe:

--- Ela me disse o que você desejava me dizer e o que eu almejava ouvir!

O seu suspiro em tom de satisfação mesclado com alívio povoou a minha face. Não carecia dizer mas nada, mesmo que quiséssemos não poderíamos, as mãos já estavam entrelaçadas. Aquela perfeita noite nos proporcionou intermináveis momentos felizes, nos sentíamos bem em estarmos juntos em sermos um só. Foi lindo ver o raiar do amanhecer ao seu lado, ver a substituição do frio da noite pelo calor do astro rei.

No dia seguinte, a felicidade estava estampada no meu semblante, agora poderia vê-la de mais perto, poderia tocá-la e assim saber que tudo era real. Voltamos ao cenário em que a conheci, só que dessa vez, estava desde o início ao seu lado. A encantadora noite por mais dois dias nos faria companhia, presenciando momentos em que dois seres se complementam, confundindo até mesmo a mais perfeita visão, que não sabia onde começava um e terminava o outro. Não havia nada ao nosso redor, além de beijos, abraços, sussurros, carícias, é como se não houvesse a necessidade de algo mais.

Dia 23 pela manhã, a ausência repentina daquela que tanto procurei me deixou dilacerado. Me senti perdido e comecei a achar que tudo resumiu-se a um belo sonho que passou e não voltará mais, que me escapou como a areia da praia por entre meus finos dedos. Vários foram os dias difíceis, até que ela entrasse em contato e rejuvenescesse a minha felicidade. Como ela conseguiu me encontrar? Isso não importava, mas sim o fato de tê-la novamente.

Disse-me que iria me visitar e depois sua voz calou. Não tive tempo nem para dizer o quanto sentia sua falta. Passei a olhar para o céu e imaginá-la todas as noites. As nuvens se transformavam em suas curvas, o vento soava no meu ouvido como se fosse sua voz, a noite me revestia como se fosse os seus abraços. Foi assim que passei vários dias. Não a via em sua essência real, mas a sentia sempre. Minha memória era revitalizada todas as noites, mas as lembranças dos repentinos momentos em que a tive ao meu lado estavam devidamente intactas.

É ela que desde então, contemplo toda as noites. Me tornei um ser lunático.



:: Escrito por: Camus às 12h59
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Iniciando...

Recentemente, me deparei com a idéia, não sei até que ponto lúcida, de relatar minhas experiências e misturá-las com a minha visão de mundo. Sei que sou jovem, logo poderia deixar tal idéia para mais tarde, assim, teria mais experiências para serem relatadas. Mas, sinto a necessidade de faze-lo agora, por dois motivos: seria uma forma de refletir sobre a minha estória, embora pequena mas movimentada. O segundo motivo, conseqüência do primeiro, seria a enorme satisfação que teria ao ler algo feito por mim e sobre mim, pôs confesso, tenho um caso comigo mesmo. Sei que existem inúmeras biografias mais interessantes, experiências mais ricas a serem relatadas, mas tenho que satisfazer o meu espírito. Como dizia um dos personagens de Dostoievski, nada dá mais prazer a um homem honesto do que falar de si mesmo. Segue então, algo sobre mim.

Os escritos aqui presentes nada mais são, que uma síntese das experiências vivenciadas pelo autor. Dessa forma, o blog está entregue a "crítica roedora dos ratos" como diria Karl Marx a respeito da sua Ideologia Alemã. Aos que gostarem, o meu muito obrigado pela bondade, aos que não aprovarem o meu igual muito obrigado pela sinceridade, aos que ficarem em dúvida sobre que juízo de valor ofertar a obra, lembre-se, vocês não estarão sozinhos.

Agradeço a todos os protagonistas dessa estória, sem vocês....... eu a teria feito de qualquer forma, mas certamente não com o mesmo prazer e entusiasmo com que a fiz. Àqueles sem programa definido, leia, embora exista a possibilidade de participar de um programa de índio.



:: Escrito por: Camus às 12h16
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