
Vês àquele artista?
Onde?
O que se encontra diante do quadro, à direita.
Você o conhece?
Não!
Então, o que o faz pensar que se trata de um artista?
Não vês como ele aprecia a obra?
Isso não o torna um artista!
O artista não é somente quem cria a obra, mas quem sabe apreciá-la.
Como assim?
A arte requer reconhecimento. Sem este àquela nada será. De que adianta palavras pregadas no deserto?
Sendo assim, uma obra guardada às sete chaves pelo autor não é arte simplesmente porque ninguém a apreciou?
Não exatamente! Ela não é arte porque ninguém sensível à obra e dotado de capacidade adequada a apreciou.
Quando se amplia demasiadamente um conceito ele deixa de existir. Arte, dessa forma, não depende mais do talento de quem a produz, mas da sensibilidade de quem a aprecia...
Não enfraqueço o conceito de arte, mas o reforço. Por detrás de vossa recusa à definição de arte como sensibilidade de apreciação deve haver um inquestionável conceito. O que, então, é arte?
A Guernica de Picasso, O Retorno do Filho Pródigo de Rembrandt.
Seriam arte se somente Picasso e Rembrandt as conhecessem?
Sim, somente não seriam conhecidas.
E o que não se conhece, existe?
Basta se encontrar em algum lugar para existir.
E quem lhe garante que algo no qual desconhece está em algum lugar?
Não há garantias. De todo modo, indago-lhe: em que se baseia para formular tal definição?
Na simples constatação de que sem o “outro” o “eu” não existe.
Sintam-se inteiramente à vontade para me considerar um potencial suicida. Sinceramente, não me importo com tal designação. Ocorre que nas alturas de um edifício sempre me imagino saltando. Se há uma vontade, acalmo-lhes, ela é logo contida. Trata-se, muito mais, de um exercício mental que visa captar o ínterim entre o cume e o chão; o trajeto entre a partida e a chegada, enfim, a residência da liberdade plena. Explico-lhes.
Já que não posso praticar o salto, o teorizo no mundo da imaginação, onde tudo é possível. Não almejo abreviar a já breve vida. Apenas gostaria de sentir em sua inteireza o momento que separa a vida da morte. Antes que alguém sugira a utilização de algum mecanismo que me proporcione tal feito sem que o meu corpo se esborrache no chão, digo-lhes que a sensação não seria a mesma. Há uma diferença fundamental entre um salto com equipamentos de segurança e outro sem qualquer instrumento que garanta sua integridade física.
A sensação que busco ao me imaginar saltando é àquela proporcionada pelo salto sem impedimentos. É a liberdade do desligamento absoluto. Algo semelhante à queda da folha ao se destacar do galho e mergulhar numa viagem sem volta em direção ao chão. Imaginem vivenciar tal sensação sem, ao final dela, pagar com a vida ou, a exemplo da folha, secar à luz do sol.
Pergunto-me, por vezes, até quando o Brasil vai agredir a inteligência de uns poucos que usam tal faculdade. Isso porque as discussões neste torrão, sobretudo por parte da mídia, são visivelmente manipuladas em favor da injustiça. Vejamos, então. Quando alguém designa um negro de “negão” comete um crime digno de repúdio social. O mesmo não ocorre, por exemplo, quando o mandatário máximo da nação, senhor Lula da Silva, credita a culpa pela atual crise mundial àquela “gente branca, loira e de olhos azuis”. Onde estão as vozes que tanto criticam o preconceito racial? O que se escuta é um ensurdecedor silêncio, nada mais. Contudo, ouviríamos barulho se os brancos de olhos azuis se metessem à besta em afirmar que a crise atingiu o Brasil em virtude da incapacidade do inculto que o dirige.
O cansaço físico e psíquico dos últimos tempos tem sido implacável com as leituras habituais. Ler é, além de um verbo que adoro conjugar, um dos meus maiores deleites. Leio vários livros paralelamente como forma de satisfazer a minha sede por conhecimento. Se alguém perguntar, ao final da minha vida, o que fiz de bem, direi prontamente que li algumas míseras obras. E o que fiz de mal? Não li o quanto gostaria.
Contudo, digo-lhes, nem sempre foi assim. Lembro-me quando minha mãe levantava-me às cinco horas da manhã para estudar. Apesar de contar apenas sete anos, a matriarca, a quem odiava por isso, parecia ter pressa em me apresentar às leituras fundamentais. Cochilava sobre os livros e me assustava com as mãos maternas sacudindo o meu corpo franzino. Eu estudava e ela cuidava do resto, inclusive amarrar os meus cadarços para ir à escola às sete horas da manhã. Talvez por isso tenha demorado a aprender amarrá-los sozinho.
Com o passar do tempo comecei a acordar e a estudar por conta própria. O sono batia à porta, mas desenvolvi uma técnica que me veio à mente através dos deuses da leitura, a saber: mergulhar os pés na água morna. Foi assim que condenei o sono ao ostracismo.
Atualmente as pessoas me vêem com um livro na mão, o que as levam a me perguntar se gosto de ler. A resposta é óbvia, caso contrário eu gostaria meramente de carregar livros ou ainda os leria por imposição, o que é improvável diante da minha ululante satisfação em manuseá-los. O que posso fazer, indagam alguns, para tornar prazer esse fardo que é a leitura? Cada um, penso, pode encontrar um método próprio. Eu comecei lendo os pequenos livros por não ter, digo-lhes, fôlego para ler os catataus. Lia as bulas de remédio por serem sucintas e me servirem para saber a quanto andava a miopia. Também lia outdoors enquanto meu pai dirigia, já que não conversávamos muito um com o outro.
Sim, pensei em desistir várias vezes, mas insistia no que até então era uma tortura. Para chegar ao paraíso passei pelo purgatório. Trata-se de um preço irrisório quando se considera a grandeza do que pode se conquistar. Então, leia mesmo que por tortura. Transforme essa chateação num habito e logo se tornará um prazer.
Ninguém é obrigado a gostar de ler, mas penso que quem sabe deveria promover um bem a si próprio ao ler um livro. Falta-lhe tempo? Digo-lhe: sobra-lhe comodismo.
Enfim, quero agradecer a Gutenberg por ter descoberto as técnicas modernas de impressão, à minha mãe por ter me obrigado a ler e, por fim, aos deuses da leitura por terem me apresentado a técnica da água morna. Desejo que possamos ler cada vez mais. Diante de um livro, lembre-se, ninguém está sozinho. Ele fala, escuta, nos faz companhia e acompanha atentamente nossas encenações ao interpretá-lo. Como, então, sentir-se sozinho diante de Gregor Samsa, Lorde Henry e doutor Rieux, respectivamente personagens de Kafka, Wilde e Camus?
Nos últimos dias somente uma notícia rendeu mais que o aborto a que foi submetida uma garota de nove anos, abusada pelo padrasto no interior de Pernambuco, a saber: o comportamento do arcebispo de Olinda e Recife d. José Cardoso Sobrinho diante do ocorrido. Bastou Sobrinho afirmar que os envolvidos no aborto da garota seriam excomungados para que fosse colocado no centro de um inferno midiático.
Indaga-se: o arcebispo agiu errado? De modo algum! Ele se limitou a expressar a posição da igreja, que se baseia no direito canônico. O aborto é um pecado, logo quem o comete é pecador e, por conseguinte, excomungado automaticamente, independentemente da vontade de qualquer arcebispo. Assim sendo, ao contrário do que disseram os meios de comunicação, o arcebispo não excomungo ninguém.
D. José Cardoso Sobrinho é uma autoridade da qual se espera fazer valer as normas existentes na instituição da qual faz parte. Muitos indagam o seguinte: "quem é a igreja para excomungar alguém"? Logo ela que praticou tantas barbaridades. Excomungar, caros leitores, significa expulsar, nada mais. Escolas e agremiações das mais variadas, por exemplo, também expulsam os que desobedecem as suas regras. Trata-se de um direito delas. Você não é obrigado a ficar, mas para ficar precisa se obrigar.
É interessantes ouvir muitos dos que se dizem contrários às normas do catolicismo reclamar das excomunhões quando deveriam ficar satisfeitos com o desmoronamento numérico do inimigo. Sou contrário há algumas posturas da igreja, mas muitos nada mais são que invejosos e alvoroçados por oportunidades para levantar bandeiras aberrantes que expressam a perversão dos valores, sustentáculos da civilização.
O recado é simples: você pode discordar da conduta da igreja e até ignorá-la, mas não pode achar que ela tem obrigatoriamente que ser compatível com a sua. Ah, somente para constar: estão discutindo sobre remédio e doença, mas esqueceram da paciente. Sim, ela não importa!
Pensei em parar;
Parei de pensar;
Parei;
Pensei;
Pensei em voltar;
Voltei a pensar;
Voltei;
Pensei...
Saudações meus nobres juvenílicos! Após meses de ensurdecedor silêncio regresso ao nosso convívio. Contudo, sinto informá-los que o vovô Camus não se encontra mais entre nós, pelo menos visivelmente. Seu corpo começou a demonstrar sinais de fraqueza a ponto de não suportar o voraz desgaste proporcionado pela ação do tempo. Sábado, dia 14, a senhora de certezas incertas o levou sem que eu pudesse me despedir. Assim sendo, o faço agora ao lembrá-los do final da conversa que gravei com ele e que publiquei neste espaço nos dias 27 e 28 de abril de 2005 (basta, a quem se interessar, acessar as datas indicadas no histórico ao lado).
Ao final de mais uma conversa indaguei-lhe: Diga-me algo que o senhor ainda não fez e espera um dia poder fazer, ao que ele respondeu prontamente: “Voar! Quero ir ao céu, ter contato com as nuvens”! Ao fechar os olhos o vejo voando com o mesmo sorriso esboçado ao partir.
Obrigado, meu avô!
Informo-lhes, caros juvenílicos, que o juvenília voltou, a partir do presente texto, a se manifestar. Aguardo vossas inestimáveis visitas.
Hodiernamente nos deparamos com turbilhões de informações catastróficas, que recaem vorazmente sobre nossas mentes passivas. Aliás, sofremos antecipadamente com algo que, sequer, sabemos verdadeiro. Basta a mídia divulgar, sob o aval de supostos cientistas, que rapidamente a informação adquire a condição de verdade absoluta. Não temos, ao menos, o trabalho de questionar de onde partiu a informação, quem a disseminou. Há, pois, um sensacionalismo que atribui às pessoas a culpa por tudo. Creditam a nós, por exemplo, a responsabilidade pelo aquecimento global, quando não há nada comprovadamente que relacione altas temperaturas à ação humana.
Não menos incomum é a afirmação de que breve nos faltará água potável. Imaginem um mundo no qual a água é o bem mais precioso e, por conseguinte, as pessoas se destroem por sua posse. O roteiro de tantos filmes é reiteradamente repassado de maneira doutrinária para as pessoas, a ponto de muitas sentirem-se extremamente culpadas por um banho mais longo.
É de se perguntar o seguinte: por que um planeta majoritariamente composto de água pode sofrer exatamente de sede? Como um planeta que se derrete a cada dia terá seus habitantes condenados a morrer de sede? Sim, a maior parte da água é salgada. E daí? Deixem a criatividade fluir e este será mais um problema entregue aos anais da história.
Através da nanotecnologia é possível controlar os minerais em água dessalinizada. O resultado é que a água mineral pode ser produzida a partir do mar e, inclusive, passará a ser comercializada
Senhor, que diferença há entre a casa e o lar?
Vês àquele pássaro a cortar o céu como uma flecha enfurecida?
Sim, o vejo perfeitamente!
Imagine-o numa gaiola...
Imaginei-o, senhor!
Pois bem, eis a casa dele!
E o lar, senhor?
O lar foi de onde você o tirou com a sua imaginação.
Então, diga-me senhor: se a casa é uma prisão, por que o prisioneiro canta, ao invés de cair em desilusão?
Talvez porque ele não saiba chorar, meu jovem!
Em cada passo noturno, um salto de luz; Em cada leve olhar, uma morada dos deuses; Entre paisagens escuras, límpidas lembranças; Ando quando os ponteiros estão inertes; Prisioneiro, invejo as folhas se lançarem em queda livre; A velha noite me lembra de esquecer as mágoas de um dia de infantilidades; Descubro que não é acelerando os passos que se alcança os calcanhares do futuro; Busco respostas, mas elas se afugentam em teus cabelos azuladamente negros; Encontro saídas no olhar cego dos guias, que guiam a inspiração de um ser improdutivo; Confuso, sou mastigado pela boca desdentada de um túnel; E assim, quando pareço encontrá-la, me perco na esquina das tuas pernas; Minha morosidade soprou tuas pegadas para debaixo do tapete do tempo; Mas na noite tudo acontece, inclusive você.
Não tenho tudo que preciso, mas procuro utilizar tudo que tenho: lápis, papel e uma reles imagem no céu; Não faço tudo o que gosto, mas me perco no gostar do que faço como correr em fuga do cansaço; Talvez não ame a vida como deveria, mas a amo sem dever, sem a imposição do ser; Quase sempre olho a lua, mas há tempos não a vejo em sua intimidade nua; Costumo presenciar o dia partir sem, no entanto, vê-lo regressar; Busco explicação num começo sem fim: em você sem mim; Sou marcado por idas, nunca voltas, perigo, nunca escoltas; Sou um pedaço contraditório: naus na terra e carros no mar, ventos alísios que não saem do lugar; Sinto falta de terminar uma poesia sem lançar à sarjeta o que escrevia, de fechar o livro sem esquecer o que lia, de concluir um sonho sem acordar, de lhe dizer o que sinto entre um gole e outro de vinho tinto, enfim, de falar sobre mim, sobre o que penso, sobre a leveza do denso; Sempre começo, mas nunca termino, sempre meço o infinito na passagem do rito; Perco a vontade de continuar e a continuidade do desejo, que sempre me abandona, me joga na lona; É hora de deixar, uma vez mais, tudo por fazer.
Nos países que cultivam forte apelo coletivista, a pobreza não somente se constitui numa bandeira de luta política, mas também no objeto predileto das análises de vários estudiosos. O resultado dessas reflexões é conhecido: o ódio à riqueza.
O equivocado ataque à riqueza deve-se ao seguinte veredicto: alguém é rico porque alguém é pobre, ou muitos são pobres porque poucos concentram a riqueza em suas mãos. Sendo assim, cabe à riqueza o ônus da pobreza. Se a riqueza é tão nefasta aos interesses dos povos, indaga-se: que tal um mundo totalmente paupérrimo? E agora, o que nos dizem os críticos da riqueza? É preciso conceber que o problema não é a riqueza, mas justamente a pobreza. É ela que impede as pessoas de desfrutarem das condições necessárias ao seu desenvolvimento.
A pobreza é o estado natural do ser humano, conforme se verifica ao longo da história da humanidade. Isso não impede o homem de superá-la. Trata-se, pois, de algo comum, enquanto que a riqueza é extraordinária. A riqueza, de modo geral, representa a ação, o progresso, o desenvolvimento, a produtividade, a divisão do trabalho, o empreendedorismo e, por fim, as permutas no mercado. A pobreza, por seu turno, representa o contrário, isto é, a inércia. Em suma, a pobreza não precisa do homem para ser criada, a riqueza sim.
Sim, há quem diga que o problema não é exatamente a riqueza, mas quem a detém, isto é, os ricos. O que fazer com eles? Desapropriá-los de suas posses, conforme propunha Marx com relação aos detentores das forças produtivas? Num país cujo Estado incita invasões às propriedades particulares, a idéia tem, apesar de retrógrada, vários e fervorosos adeptos.
Aos que atribuem aos ricos a responsabilidade pela pobreza de muitos, digo-lhes: a riqueza não é fixa, pode ser produzida e não somente expropriada. Distribuir a riqueza a quem nada fez para produzi-la não tem nada de justo, e mais: pune e desestimula os responsáveis pelo progresso, cerceando o desenvolvimento. Não se quer com isso advogar que somente os ricos contribuem para o progresso e nem muito menos que inexistam pessoas que realmente precisam de auxílio para se desenvolver. Assim, sob a desculpa de ajudar os miseráveis, através de políticas assistencialistas, os burocratas se nutrem cada vez mais. É um negócio rentável para os homens de Estado, nada mais. Afinal, conforme já foi dito: “O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”.
Estudar a pobreza é queimar neurônios à toa! Adam Smith sempre valorizou os seus, tanto é que a sua conhecida obra foi intitulada: Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. Enfim, a riqueza deveria ser vista como algo desejável e necessário ao combate à pobreza.
É assim que desde a mais tenra idade denomino a morte. Uma velha senhora e não uma jovem principiante. Caso contrário, como explicar sua vasta experiência e perfeição? A uma iniciante não seria atribuído o cruel ofício de ceifar vidas. Já a certeza incerta deve-se à certeza da morte e à incerteza do momento de sua ocorrência.
Após personalizá-la, indaga-se: o que é a morte? Pode ser tudo ou simplesmente nada, depende do enfoque a ser utilizado. Tradições filosóficas contemplam exaustivamente tal fenômeno. Há quem o trate como um reinício; Há quem o considere o fim. Do ponto de vista orgânico nada mais é que a falência dos órgãos vitais. No geral, as pessoas o temem e não o querem por perto. Cultivam verdadeira ojeriza ao que consideram um mal.
Todavia, a morte pode e deve servir de mola propulsora para a vida. Explico. Já foi dito que a partir do momento que nasce o ser começa a morrer. A morte seria o destino da vida. A vida, por seu turno, se resumiria a uma fuga constante da morte. A tendência à morte pode ser verificada quando se entrega a vida a própria sorte. Um corpo que, por exemplo, não se alimenta, perece. É preciso que reiteradamente se faça algo para evitar a morte. O que fazemos diariamente é adiar, através de algumas ações, a sua manifestação. E ao agirmos assim, adivinhem, vivemos.
Seria, pois, a morte uma espécie de inimiga íntima, que carregamos conosco desde a nossa gênese? Reparem que ao evitá-la nos mantemos vivos. Assim, a possibilidade de morte, na verdade, nos força à vida. Não fosse ela, sabe-se lá, nos acomodaríamos. A sua constante pressão exige que façamos algo, isto é, nos movimenta, nos direciona à vida.
Imagine duas pessoas com as quais você pode estabelecer uma relação comercial. Uma delas é conhecida por cumprir religiosamente seus acordos. A outra, no entanto, tem um histórico que a remete a certa apreensão, considerando os acordos não cumpridos. Indaga-se, pois, com quem você prefere manter relações?
Países como Brasil e Venezuela já deixaram, desde 1824, de cumprir suas dívidas respectivamente sete e nove vezes, enquanto Canadá e Coréia do Sul sempre honraram as suas. O que justifica os calotes daqueles? O fato de não serem ricos? Se fosse assim, a Índia, que em se tratando de pobreza supera o Brasil, não teria honrado todos os seus compromissos. No Brasil, por exemplo, já se falou por diversas vezes e de maneira natural em calotes. Aliás, calote nesta terra ainda é apresentado como bandeira de luta e plataforma eleitoral.
É por isso, senhor presidente, que os riscos aos empréstimos e investimentos realizados no Brasil são superiores aos encontrados nos EUA. O país ainda carrega consigo essa triste e lamentável referência.
As pedras pontiagudas do caminho marcaram teus pés, deixando-os em carne viva; O lápis do tempo traçou linhas aleatórias em tua face quase morta; Onde estava eu, enquanto tu te esvaías? Não se sabe! Talvez contigo, talvez sem mim; O tempo passou sem que passássemos um pelo outro; Sem que cruzássemos olhares; Ainda assim nos imaginávamos juntos num universo paralelo, distante, talvez inexistente; Éramos um para o outro, frutos de uma imaginação insistente, porém improvável; Certa feita, contudo, o impossível driblou as leis que o obstruía e se manifestou; Foi-nos dada uma chance, esquecemos tudo e mergulhamos num primoroso nada. Este nada hoje para nós é tudo! Meu tudo está e sempre esteve além de mim; Em você, em lugar algum.